PGR pede arquivamento de apuração sobre ameaças relatadas por Daniel Vorcaro

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    O procurador-geral da República, Paulo Gonet, recomendou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento de uma petição aberta depois que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou em depoimento que sua mãe e sua irmã foram alvo de ameaças de morte. Para o chefe do Ministério Público, os relatos não trouxeram fatos concretos que justifiquem a abertura de nova investigação.

    Vorcaro, preso preventivamente na Penitenciária Feminina do Distrito Federal — a “Papudinha” —, depôs em 27 de agosto ao gabinete do ministro André Mendonça. Na oitiva, feita por videoconferência, ele disse que familiares receberam e-mails e telefonemas anônimos com promessas de violência, incluindo a de que o próprio banqueiro seria assassinado. A defesa entregou cópias das mensagens, mas Gonet considerou o material insuficiente.

    PGR vê ausência de elementos inéditos

    O parecer da Procuradoria, assinado nesta quarta-feira (3/9), sustenta que “não se identificam elementos mínimos para o desencadeamento de diligências investigativas”. Segundo Gonet, a narrativa de Vorcaro não apresentou detalhes que permitam rastrear a autoria das ameaças ou conectá-las a fatos penalmente relevantes já em apuração no inquérito que mira o grupo ligado ao ex-banqueiro.

    Para o procurador-geral, Vorcaro tampouco entregou provas “capazes de alterar o juízo anteriormente firmado” pela Polícia Federal (PF) e pela própria PGR, que haviam rejeitado uma proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa. A manifestação enfatiza que blindar acusados de eventuais represálias é obrigação do Estado, mas lembra que pedidos de proteção exigem “base factual minimamente consistente”, o que, no entender do MPF, não se verificou.

    Depoimento detalhou e-mails e ligações anônimas

    Diante do juiz auxiliar João Azambuja, responsável por colher o depoimento, Vorcaro relatou que a mãe mora com a irmã e se sente vulnerável porque “não há nenhum homem em casa, todos estão presos”. Ele mencionou “inúmeras” mensagens eletrônicas e ligações telefônicas que teriam descrito a hora e o modo de um suposto assassinato contra ele.

    “A minha família está destruída”, declarou. Questionado sobre a origem das mensagens, respondeu que eram todas anônimas. O juiz solicitou que a defesa apresentasse os e-mails originais, a fim de permitir eventual perícia de rastreamento de IP. O material, segundo os advogados, foi encaminhado posteriormente, mas não conseguiu afastar a impressão de inconsistência apontada pela PGR.

    Colaboração premiada já havia sido rechaçada

    A discussão sobre as ameaças surgiu no contexto de uma tentativa de acordo de delação. Em maio, os advogados propuseram à PF compartilhar informações sobre supostas irregularidades no sistema financeiro em troca de benefícios penais. O delegado responsável concluiu que o conteúdo oferecido não acrescentava nada de novo ao que já estava no inquérito. A PGR concordou e vetou a colaboração.

    No parecer desta semana, Gonet repisa o argumento: “A autoridade policial, em ato fundamentado, indeferiu a proposta diante da ausência de acréscimo informativo.” Para o chefe do Ministério Público, o depoimento de agosto não trouxe novidade suficiente para mudar esse cenário. Ele ainda ressalta que o investigado não tem acesso integral ao processo, o que pode levá-lo a julgar originais dados que a investigação já possua.

    Direito à segurança permanece

    Mesmo refutando a investigação específica, a PGR admite que providências de proteção podem ser tomadas se a polícia ou o Judiciário enxergarem risco efetivo. “A rejeição da colaboração não impede, evidentemente, a adoção de medidas cautelares voltadas à tutela da integridade do custodiado e de seus familiares”, assinala o parecer.

    A defesa de Vorcaro, liderada pelos advogados Daniel Bialski e Engels Muniz, alega que o arquivamento deixa a família desamparada. Eles estudam pedir ao ministro André Mendonça que autorize escolta temporária ou, ao menos, determine à PF diligências para identificar os autores das mensagens. Até a conclusão deste texto, o gabinete de Mendonça não havia se pronunciado.

    Quem é Daniel Vorcaro e por que está preso

    Daniel Vorcaro ganhou projeção ao chegar ao controle do Banco Master em 2018 e alavancar o negócio com linhas de crédito consignado e operações estruturadas. Investigações da Polícia Federal, contudo, apontam supostos crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A prisão preventiva foi decretada em julho, depois de indícios de manipulação de documentos e possível desvio de recursos.

    Desde então, os principais executivos da instituição — entre eles o próprio Vorcaro, o irmão e outros dirigentes — estão detidos. O esquema teria movimentado cifras bilionárias em contas de fachada, segundo a PF. A defesa nega irregularidades e afirma que a liquidez do banco não foi afetada.

    Oitiva realizada dentro da “Papudinha”

    Por razões de segurança, a audiência de 27 de agosto ocorreu na ala masculina do presídio feminino, anexa ao Complexo da Papuda. Participaram, além de Vorcaro, o juiz auxiliar, dois defensores, um representante do Ministério Público Federal e agentes penitenciários. O procedimento foi gravado em vídeo e áudio, seguindo orientações da Corregedoria do STF.

    PGR pede arquivamento de apuração sobre ameaças relatadas por Daniel Vorcaro - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Durante a oitiva, o juiz advertiu Vorcaro sobre o caráter sigiloso do inquérito e perguntou explicitamente se ele sentia qualquer tipo de coação para delatar terceiros. O banqueiro respondeu que agia de forma voluntária, mas insistiu que queria “proteger a família” das intimidações recebidas.

    Próximos passos no Supremo

    Com o parecer de Gonet, caberá ao ministro André Mendonça decidir se arquiva de imediato a petição ou se solicita novas diligências. Em geral, o STF segue a posição da Procuradoria quando o Ministério Público sustenta falta de justa causa. Se o arquivamento ocorrer, a investigação sobre as ameaças poderá ser retomada apenas se aparecer fato novo e relevante.

    No inquérito principal, porém, as apurações seguem. A expectativa é de que a PF conclua, nas próximas semanas, a análise de quebras de sigilo bancário e fiscal referentes ao período em que Vorcaro liderou o Banco Master. Dependendo do resultado, o Ministério Público poderá oferecer denúncia ou pedir novas medidas cautelares.

    Estratégia de defesa

    A defesa mira dois objetivos simultâneos: revogar a prisão preventiva e manter viva a possibilidade de colaboração. Para isso, tenta demonstrar que Vorcaro representa baixo risco à ordem pública, já que se afastou formalmente do banco em 2022. Os advogados argumentam que ele não teve acesso aos sistemas internos desde então, o que reduziria qualquer chance de obstrução.

    Sob outro prisma, a equipe tenta atribuir peso às ameaças para justificar proteção policial e, indiretamente, reforçar a narrativa de que o cliente dispõe de informações sensíveis. Caso o STF aceite reabrir conversas sobre delação, os defensores prometem entregar “documentos inéditos” envolvendo agentes públicos e operações internacionais.

    Impacto sobre familiares

    Fontes próximas relatam que a mãe de Vorcaro, de 68 anos, vive reclusa no apartamento da família em São Paulo. Ela teria bloqueado números desconhecidos no celular e desativado contas em redes sociais depois dos episódios relatados. A irmã, responsável por cuidar dos negócios pessoais do banqueiro, passou a usar transporte por aplicativo em vez de carro próprio como medida de segurança.

    Apesar do quadro descrito, até o momento não houve boletim de ocorrência formalmente registrado pela família em delegacias estaduais. Sem registro, a Polícia Civil argumenta que fica limitada para agir. A defesa afirma que preferiu levar o caso diretamente ao STF por acreditar que as ameaças estão ligadas ao inquérito federal.

    Repercussão no mercado financeiro

    Analistas que acompanham o setor bancário observam que a situação jurídica de Vorcaro não afeta, no curto prazo, a saúde do Banco Master, hoje sob nova gestão. A instituição emitiu comunicado ao mercado assegurando que mantém capitalização adequada e não figura como investigada neste inquérito específico. Mesmo assim, autoridades monetárias monitoram possíveis reflexos reputacionais, sobretudo na captação de depósitos a prazo.

    Para especialistas em compliance, o episódio serve de alerta sobre o uso de ameaças para tentar influenciar acordos judiciais. “Quando a colaboração não encontra respaldo probatório, a pressão externa perde eficácia”, avalia um professor de direito penal que pediu anonimato.

    Cenário permanece aberto

    A decisão final sobre o arquivamento deve sair nas próximas semanas. Se Mendonça acatar a recomendação da PGR, o caso das ameaças ficará encerrado no âmbito do Supremo, restando à família de Vorcaro recorrer a instâncias policiais ordinárias. Caso contrário, o ministro poderá ordenar coleta de provas complementares, como quebra de sigilo telemático para rastrear os responsáveis pelos e-mails.

    Enquanto isso, o ex-banqueiro segue detido e tenta convencer investigadores de que pode contribuir com a elucidação de outros crimes financeiros. A eventual utilidade de suas informações, no entanto, dependerá de demonstrar conteúdo realmente novo — algo que, por ora, a PGR diz não ter visto.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.