Transporte coletivo, atendimento de saúde e segurança pública concentram a insatisfação dos mineiros com a administração estadual, segundo levantamento da Quaest Consultoria divulgado nesta terça-feira (28). Entre os entrevistados, 37% classificam o transporte como ruim ou péssimo, 32% fazem a mesma avaliação da saúde e 30% desaprovam a atuação na área de segurança.
No cenário geral, o governo de Minas alcança 36% de aprovação e 28% de desaprovação, enquanto 36% preferem não opinar. A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 1.482 eleitores entre 22 e 26 de julho, tem margem de erro de três pontos percentuais e 95% de confiança.
Como o estudo foi realizado
O questionário submetido pela Quaest avaliou nove políticas públicas em uma escala de 0 (péssimo) a 10 (ótimo). As notas foram depois agrupadas em três faixas: negativa (0 a 3), regular (4 a 6) e positiva (7 a 10). O registro da sondagem no Tribunal Regional Eleitoral é o MG-034/90/2026.
Retrato das políticas avaliadas
Serviços essenciais lideram o descontentamento
- Transporte público – 37% negativa, 36% regular, 27% positiva;
- Saúde – 32% negativa, 38% regular, 30% positiva;
- Infraestrutura e mobilidade – 30% negativa, 41% regular, 29% positiva;
- Segurança – 30% negativa, 33% regular, 37% positiva.
Apesar de o transporte aparecer com o pior saldo, a segurança apresenta a maior divisão: crítica e aprovação praticamente empatam, indicando polarização sobre o tema.
Políticas sociais, habitação e atração de empresas
- Políticas sociais – 29% negativa, 46% regular, 25% positiva;
- Habitação – 29% negativa, 43% regular, 28% positiva;
- Atração de empresas – 28% negativa, 35% regular, 37% positiva.
As ações para atrair investimentos privados registram o maior índice positivo entre todos os setores avaliados, sugerindo que parte dos eleitores percebe avanços no ambiente de negócios.
Educação e mercado de trabalho apresentam melhor equilíbrio
- Educação – 26% negativa, 35% regular, 39% positiva;
- Emprego e renda – 25% negativa, 39% regular, 36% positiva.
A área educacional lidera o bloco das avaliações positivas, seguida de perto por emprego e renda. Mesmo assim, em ambos os casos mais de um terço aponta desempenho apenas regular, sinal de que há espaço para melhora.
Satisfação global com o governo mineiro
Questionados diretamente sobre a administração estadual, 28% classificam o desempenho como positivo, 16% como negativo e 30% como regular; 26% não souberam ou preferiram não responder. Ao serem instados a aprovar ou desaprovar a gestão, 36% manifestam aprovação, 28% desaprovação e 36% permanecem sem opinião.
Legado de Romeu Zema em disputa
A renúncia de Romeu Zema (Novo) em março, para concorrer à Presidência da República, coloca seu capital político em xeque. De acordo com a Quaest, 46% dos entrevistados acreditam que Zema merece eleger um sucessor, enquanto 42% discordam e 12% não opinam. A proporção favorável ao ex-governador subiu quatro pontos desde abril.
Sobre o próprio mandato de Zema, 52% ainda aprovam a gestão, 41% desaprovam e 7% não respondem. Na leitura detalhada, 37% enxergam seu governo como positivo, 23% como negativo e 33% como regular.

Imagem: Internet
Desejo de mudança ou continuidade em 2026
A pesquisa mediu também o clima para a eleição estadual de 2026. Dois em cada cinco eleitores (41%) preferem que apenas se corrijam pontos falhos, mantendo boa parte das políticas atuais. Já 39% defendem uma mudança completa de rumo, enquanto 16% gostariam de total continuidade. Os indecisos somam 4%.
Por que isso importa
O resultado oferece pistas para pré-candidatos e partidos. Áreas com maior reprovação tendem a pautar debates, pressionando a administração a exibir resultados rápidos ou a explicar gargalos. Ao mesmo tempo, a boa pontuação em atração de empresas pode ser explorada como vitrine de sucesso econômico.
Próximos passos na corrida eleitoral
Com a janela partidária e as articulações regionais em andamento, os números da Quaest funcionam como termômetro inicial. A avaliação do governo atual, o legado de Zema e a divisão entre mudança e continuidade deverão orientar alianças e estratégias de comunicação até a definição oficial das candidaturas em 2026.
Metodologia em detalhes
A coleta de dados foi feita por entrevistas pessoais, distribuídas de forma proporcional entre as mesorregiões mineiras. O design amostral leva em conta variáveis de gênero, faixa etária, escolaridade, renda e recall de voto, garantindo representatividade demográfica. A margem de erro é de ±3 p.p., o que significa que qualquer variação dentro dessa faixa pode ser atribuída ao acaso estatístico.
Leitura crítica dos números
Especialistas lembram que índices de avaliação por área costumam oscilar conforme episódios pontuais — greves, crises hospitalares ou picos de violência, por exemplo. Por isso, a comparação com rodadas futuras será decisiva para confirmar tendências de ascensão ou queda na popularidade do governo.
Na conjuntura atual, entretanto, a fotografia revela um governo que não enfrenta rejeição maciça, mas vê serviços essenciais pressionarem sua imagem. Transportes, saúde e segurança formam a tríade que ditará, nos próximos meses, o tom do debate público em Minas Gerais.
