A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro informou a dirigentes do PL que vai participar ativamente das eleições municipais deste ano como cabo eleitoral de mulheres filiadas ao partido, apesar do rompimento público com o enteado e pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo interlocutores, Michelle pretende gravar vídeos e usar a estrutura partidária para impulsionar campanhas femininas. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou à reportagem que colocará à disposição dela “o que ela quiser”, ressaltando que os recursos do PL Mulher existem justamente para essa finalidade.
A decisão vem uma semana depois de Michelle deixar a chefia do PL Mulher, setor extinto após reunião tensa com Valdemar. Com a saída, ela perdeu salário de R$ 46 mil, equipe própria e o cargo formal na legenda.
Crise interna
O afastamento ocorreu após a divulgação de um vídeo em que Michelle acusa Flávio de tê-la “apunhalado pelas costas”. Desde então, a ex-primeira-dama não confirma participação na campanha presidencial do enteado e mantém em aberto sua própria pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.
No PL, aliados avaliam que a disputa interna prejudica a imagem de Flávio entre mulheres — grupo em que o petista Lula aparece à frente, com 52% contra 37% do senador, segundo Datafolha de junho. Entre homens, o quadro se inverte: Flávio tem 50% contra 41% de Lula.
Apostas eleitorais
Entre as candidaturas que devem contar com o apoio direto de Michelle está a da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL), vice-presidente nacional do PL Mulher e pré-candidata a deputada federal. Priscila foi um dos pivôs da crise ao receber apoio de familiares de Flávio a Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
Imagem: CRISTIANO MARIZ
Apesar da turbulência, aliados próximos de Michelle garantem que ela não pretende abandonar a corrida ao Senado na chapa de reeleição da governadora Celina Leão (PP-DF). Ainda assim, a ex-primeira-dama tem avisado que não se engajará diretamente na campanha de Flávio, focando apenas nas candidaturas femininas que considera alinhadas ao seu projeto.
Desde 2023, Michelle vinha ampliando a capilaridade do PL Mulher para ajudar o partido a cumprir a cota legal de 30% de candidaturas femininas. Agora, mesmo fora do cargo, espera converter essa rede em capital político próprio e testar sua força longe da estrutura comandada pelo enteado.
Com informações de O Globo
