O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parte de uma posição confortável na disputa de 2026 em Pernambuco. A pesquisa Quaest/Genial divulgada nesta terça-feira (28) atribui ao petista 55% das intenções de voto, contra 21% do senador Flávio Bolsonaro (PL), diferença de 34 pontos percentuais dentro de um cenário com 13 pré-candidatos testados.
O levantamento, inscrito no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03810/2026, ouviu 900 eleitores no estado entre 22 e 26 de julho. A margem de erro é de três pontos, e o grau de confiança, de 95%. Segundo o instituto, 8% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar, enquanto 10% pretendem anular ou não comparecer.
Retrato do primeiro turno
Entre os nomes apresentados ao eleitor pernambucano, apenas Flávio Bolsonaro ultrapassa a barreira de dois dígitos. O escritor Augusto Cury (Avante) e o influenciador Renan Santos (Missão) aparecem empatados com 2% cada. Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) registram 1% cada, enquanto Cabo Daciolo (Mobiliza), Edmilson Costa (PCB) e Samara Martins (UP) não chegam a 1%. Hertz Dias (PSTU) e Leonardo Avalanche (PRTB) não pontuaram.
Considerando a margem de erro, Lula mantém folga significativa em todos os recortes avaliados. Entre mulheres, ele alcança 58%, contra 18% de Flávio Bolsonaro. No público masculino, a vantagem cai, mas permanece ampla: 52% a 25%. Na divisão por renda, o petista marca 61% entre quem recebe até dois salários mínimos e 47% no estrato acima de cinco salários. Flávio Bolsonaro vence apenas entre os eleitores que dizem aprovar fortemente o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Participação de indecisos e votos nulos
Os 18% que se dividem entre indecisão (8%) e branco/nulo (10%) refletem o estágio inicial da corrida, na avaliação dos pesquisadores. O instituto lembra que, em disputas passadas, esse contingente tende a diminuir no decorrer da campanha, mas pode assumir papel decisivo caso a eleição caminhe para um segundo turno.
Cenários de segundo turno mantêm liderança do PT
A Quaest testou quatro simulações de confronto direto, todas envolvendo Lula. Em nenhuma delas o petista perde a dianteira; seu desempenho oscila entre 58% e 60%, enquanto os adversários variam de 15% a 24%.
- Lula x Flávio Bolsonaro: 58% a 24%; indecisos 6%; branco/nulo 12%.
- Lula x Ronaldo Caiado: 58% a 16%; indecisos 8%; branco/nulo 18%.
- Lula x Romeu Zema: 60% a 15%; indecisos 7%; branco/nulo 18%.
- Lula x Renan Santos: 59% a 15%; indecisos 7%; branco/nulo 19%.
No confronto que envolve Flávio Bolsonaro, o filho do ex-presidente melhora quatro pontos em relação ao cenário de primeiro turno, mas continua 34 pontos atrás. Caiado, Zema e Renan Santos não chegam a reduzir a vantagem petista, mantendo diferenças próximas de 40 pontos.
Voto consolidado e potencial de crescimento
A Quaest avaliou ainda a solidez do voto. Entre os que declaram preferência por Lula, 87% dizem estar “totalmente decididos”. No grupo de Flávio Bolsonaro, essa taxa cai para 69%. Para os demais postulantes, o comprometimento não passa de 50%, indicando margem limitada para mudanças expressivas sem forte exposição mediática ou alianças estaduais.
Avaliação do governo federal em Pernambuco
A popularidade presidencial em seu reduto histórico continua alta: 61% dos entrevistados aprovam a gestão Lula, contra 34% que desaprovam e 5% sem opinião. Na leitura da Quaest, a aprovação sustenta o patamar do voto espontâneo obtido pelo petista.
Quando o eleitor é convidado a classificar o governo, 47% descrevem a administração como positiva, 24% apontam gestão regular e 26% a qualificam como negativa. Este último dado é acompanhado de ressalva metodológica: parte do público que reprova Lula no estado não necessariamente migra para um nome de oposição forte, como Flávio Bolsonaro, preferindo se colocar entre indecisos ou votos brancos.
Expectativa de continuidade em 2026
Questionados explicitamente se Lula “merece um novo mandato”, 56% responderam que sim, 40% disseram que não e 4% não souberam opinar. A proporção é praticamente idêntica à do cenário estimulado de primeiro turno, reforçando a interpretação de que a aprovação do governo é o principal combustível eleitoral do presidente em Pernambuco.
Metodologia e registro
O estudo utilizou entrevistas presenciais distribuídas de forma proporcional ao eleitorado do estado, com cotas de sexo, faixa etária, renda familiar e escolaridade. A amostragem contemplou as quatro mesorregiões pernambucanas, perfazendo 56 municípios. Cada questionário dura, em média, 13 minutos.

Imagem: Internet
A margem de erro de três pontos percentuais significa que, se a votação fosse realizada no período de coleta, Lula poderia ter entre 52% e 58%, enquanto Flávio Bolsonaro ficaria entre 18% e 24%. O levantamento cumpre as exigências legais de transparência da Justiça Eleitoral, permitindo verificação pública dos dados técnicos.
Comparação com pleitos anteriores
Embora 2026 seja ainda um horizonte distante, a fotografia atual lembra o desempenho de Lula no primeiro turno de 2022 em Pernambuco, quando o petista superou 60% dos votos válidos. A diferença, agora, é a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro no páreo, substituído pelo filho mais velho na tentativa de preservar o capital político do bolsonarismo.
Especialistas ouvidos pelo instituto veem dificuldade para os demais pré-candidatos romperem a polarização local entre PT e PL. Para que nomes como Zema ou Caiado cresçam, avaliam, será necessário estabelecer palanques competitivos com figuras de expressão estadual e aparecer com maior frequência no debate nacional.
Próximos movimentos de campanha
Integrantes do PT no estado calculam que manter o índice atual exigirá articulação com a governadora Raquel Lyra (PSDB), cuja administração desfruta de 68% de aprovação segundo a mesma pesquisa. Já aliados de Flávio Bolsonaro apostam em pautas como segurança pública e isenções fiscais para atrair eleitores do interior, onde o senador tem desempenho um pouco melhor que na Região Metropolitana.
A Quaest voltará a campo no próximo semestre para medir o impacto da janela partidária e das primeiras alianças formais. Até lá, os 34 pontos que separam Lula de Flávio Bolsonaro oferecem ao Palácio do Planalto relativa tranquilidade em Pernambuco, mas também servem de alerta sobre possíveis acomodações do eleitorado à medida que a campanha ganhar corpo.
Como se posicionam os demais postulantes
Mesmo ainda sem palanques robustos, Augusto Cury e Renan Santos aparecem à frente de políticos com mandato, como Caiado e Zema. Analistas atribuem essa surpresa inicial à forte presença digital do escritor e do influenciador, mas ponderam que ambos precisarão converter seguidores em estrutura partidária para se sustentar até 2026.
Cabo Daciolo, Samara Martins, Edmilson Costa e Hertz Dias marcam presença simbólica, reforçando bandeiras de nicho. Embora somem poucos pontos, podem influir num eventual segundo turno caso o sufrágio estadual se torne mais apertado.
Panorama estadual influencia cenário nacional
Pernambuco reúne 4,7% do eleitorado brasileiro e costuma dar vitórias expressivas ao campo progressista. Em 2022, Lula conquistou no estado sua maior dianteira relativa contra Jair Bolsonaro. Se o quadro atual se repetir em 2026, o PT largará com capital expressivo já na apuração do Nordeste, região decisiva para a balança eleitoral nacional.
Para o PL, reverter essa tendência implicará não apenas conquistar eleitores moderados mas, sobretudo, mobilizar quem se diz indeciso ou propenso a anular o voto. A depender da capacidade de articulação regional, a disputa pernambucana pode funcionar como termômetro do humor nordestino diante da tentativa de retorno da direita ao Planalto.
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