O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram nesta terça-feira (8) um novo capítulo da disputa eleitoral ao debater a sobretaxa de 25% aplicada pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros. O embate ocorreu depois de Flávio participar de uma audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, para tratar do tema.
Governo critica ida do senador ao USTR
Integrantes do Palácio do Planalto classificaram a presença do senador como “oportunista” e “eleitoreira”. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que Flávio faz “diplomacia clandestina da pior qualidade” ao, segundo ele, “implorar para que Trump não faça nada até outubro”.
No início da noite, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) divulgou nota oficial em que acusa o parlamentar de “traição à pátria” por “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país”. O texto sustenta que o principal objetivo do senador, adversário direto de Lula na disputa de outubro, seria “legitimar resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores brasileiros”.
Argumentos de Flávio Bolsonaro
Durante a audiência, Flávio pediu a suspensão das tarifas, criticou o governo federal e negou ter trabalhado contra o Brasil. Segundo ele, a imposição imediata da sobretaxa “seria o pior momento possível” e serviria para “fortalecer, e não enfraquecer, o governo Lula”. O senador também defendeu o Pix, alvo de questionamentos de autoridades americanas, afirmando que o sistema não concorre com plataformas dos Estados Unidos.
Efeito eleitoral
Nas últimas semanas, o Planalto passou a associar as sanções à atuação de Flávio e de seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), junto ao governo Trump. O termo “Tariflávio” tem sido usado por aliados de Lula para colar no senador a responsabilidade pelas taxas.
Levantamento Quaest divulgado em junho mostra que 47% dos eleitores concordam com a afirmação de Lula de que o tarifaço foi pedido por Flávio, que esteve na Casa Branca com o ex-presidente americano. Outros 35% apoiam a versão do senador de que ele viajou aos EUA para evitar a sobretaxa.
Imagem: Evaristo Sa
Preocupada com o impacto negativo, a campanha do PL orientou o parlamentar a atuar publicamente contra as tarifas. A participação no USTR foi a principal ação nessa direção. Ainda assim, o governo sustenta que Flávio “não reconheceu ter errado” ao, segundo a Secom, “contrariar os interesses do povo brasileiro”.
Com a eleição marcada para daqui a 90 dias, o tema tende a permanecer no centro do debate político, enquanto ambos os lados buscam convencer o eleitorado de quem é o responsável direto pela nova rodada de sanções econômicas.
Com informações de O Globo
