Federação PSOL-Rede sela apoio a Fernando Haddad na disputa pelo governo de São Paulo

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    Em convenção lotada realizada na capital paulista neste domingo (26), a federação PSOL-Rede sacramentou o apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) para o governo de São Paulo nas eleições de 2026. O encontro também lançou Marina Silva (Rede) ao Senado e homologou as chapas que disputarão vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa paulista.

    A decisão reforça a estratégia do campo progressista de formar uma frente ampla contra a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Lideranças dos dois partidos pregaram unidade “acima de diferenças pontuais” para consolidar um palanque estadual alinhado ao governo federal e capaz de atrair o eleitorado crítico à extrema-direita.

    Construção de aliança amplia palanque de Haddad

    Com o aval dos diretórios estaduais, o PSOL cede pela terceira vez consecutiva a cabeça de chapa majoritária em São Paulo ao PT. No pleito de 2022, a federação apoiou Fernando Haddad para o Palácio dos Bandeirantes, quando o petista terminou em segundo lugar, superado por Tarcísio de Freitas. À época, a federação somou 6,4% dos votos válidos, porcentual considerado decisivo para levar a disputa ao segundo turno.

    Neste ano, o movimento se repete. Dirigentes justificam a decisão como parte de uma “estratégia nacional” para sustentar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e conter o avanço de grupos conservadores no maior colégio eleitoral do país. “Precisamos de uma unidade robusta”, afirmou Haddad ao agradecer a confiança. O ex-prefeito de São Paulo disse que, após o pleito, as legendas poderão “voltar a divergir entre irmãos que querem o bem do país”, mas que, no momento, é crucial derrotar a extrema-direita.

    Fala ambiental marca discurso de Marina

    Escolhida para disputar o Senado, Marina Silva recorreu a metáforas ambientais para defender a aliança. Ao comparar a democracia a um “bioma”, a ex-ministra afirmou que “quanto mais diversa a floresta, mais protegida ela fica”. O discurso ecoou entre militantes que agitavam bandeiras verdes e amarelas, cores adotadas pela Rede desde sua fundação.

    A vaga de primeira suplência de Marina foi reservada ao vereador de São Carlos Djalma Nery (PSOL), enquanto a segunda permanece em negociação. A expectativa é que algum partido do arco de apoio a Haddad indique um nome capaz de atrair eleitores de centro, reproduzindo a fórmula de equilíbrio político vista na chapa nacional de 2022.

    Composição das chapas proporcionais

    Além do acordo majoritário, a convenção homologou 47 candidaturas à Câmara dos Deputados — 37 pelo PSOL e dez pela Rede. Para a Assembleia Legislativa, foram confirmados 66 nomes, sendo 57 psolistas e nove integrantes da Rede. A divisão respeita a cláusula interna de paridade de gênero da federação, que determina ao menos 30% de candidaturas femininas.

    Entre os que disputarão vaga em Brasília, ganham destaque as deputadas federais Sâmia Bomfim e Luciene Cavalcante, que buscarão a reeleição pelo PSOL, além de nomes da Rede ligados a pautas socioambientais. No plano estadual, a federação aposta em candidaturas coletivas, como a Bancada Feminista, e em representantes de movimentos de moradia, cultura e educação.

    Ausências sentidas e críticas ao governo estadual

    Duas figuras proeminentes do PSOL — Guilherme Boulos, provável candidato a prefeito da capital em 2024, e a deputada federal Erika Hilton — não compareceram ao evento. Ainda assim, ambos enviaram mensagens de apoio que foram lidas no palco principal. Juliano Medeiros, presidente nacional da legenda e mestre de cerimônias da convenção, elogiou Haddad pelo “preparo técnico” e pela “sensibilidade social”, ao mesmo tempo em que disparou contra a atual administração paulista. Para o dirigente, “é surreal que o estado mais rico do Brasil seja governado por quem odeia o serviço público”.

    As ausências, segundo fontes internas, foram atribuídas a compromissos de agenda. Boulos cumpre roteiro nos bairros da zona leste paulistana, preparando terreno para a eleição municipal, e Hilton participa do conselho consultivo da ONU sobre direitos humanos nos Estados Unidos.

    Desafios de um palanque múltiplo

    A coligação que se forma em torno de Haddad tentará repetir o desempenho de Lula em 2022, quando o presidente venceu na capital, mas perdeu no estado. Pesquisas encomendas por partidos aliados indicam que o ministro da Fazenda inicia a corrida estadual com alto índice de conhecimento, porém carrega o ônus de ajustes fiscais que dividiram opiniões entre servidores e beneficiários de programas sociais.

    Nos bastidores, dirigentes do PSOL admitem receio de que parte da militância encare a entrega da cabeça de chapa como recuo ideológico. Por isso, os discursos mais inflamados do ato focaram em apresentar o partido como “motor crítico” de um futuro governo Haddad, encarregado de pressionar por reformas tributárias progressivas, revogação de privatizações e ampliação de políticas ambientais. “Vamos governar com ele, mas também fiscalizar”, resumiu a deputada estadual Paula da Bancada Feminista.

    PT tenta ampliar alianças com PSB e MDB

    Ao mesmo tempo em que consolida o apoio do PSOL-Rede, o PT costura acordos com PSB e MDB para isolar potenciais concorrentes de centro-esquerda. O nome de Simone Tebet, atualmente ministra do Planejamento, foi mencionado diversas vezes na convenção como “reforço estratégico” para o Senado caso a senadora pelo Mato Grosso do Sul decida migrar para São Paulo. Por ora, porém, o partido socialista mantém pré-candidatura própria na esfera estadual, encabeçada pelo ex-governador Márcio França.

    A definição completa da aliança dependerá das negociações em Brasília, onde líderes partidários avaliam o desenho nacional da disputa proporcional. Analistas políticos avaliam que um palanque unificado envolvendo PT, PSOL-Rede, PSB e MDB aumentaria a pressão sobre legendas do Centrão, que hoje compõem a base de Tarcísio na Assembleia e podem ficar órfãs de espaço caso a polarização se intensifique.

    Cenário eleitoral em São Paulo

    Com mais de 34 milhões de eleitores, São Paulo concentra cerca de 22% do eleitorado brasileiro. A disputa pelo Palácio dos Bandeirantes é historicamente dominada por partidos de centro-direita, à exceção de 2022, quando o bolsonarismo representado por Tarcísio de Freitas quebrou a hegemonia tucana. Para a federação PSOL-Rede, derrotar o atual governador será “o passo decisivo para consolidar um ciclo progressista no país”, nas palavras de Marina Silva.

    Tarcísio, porém, mantém popularidade elevada em regiões do interior e busca capitalizar a retomada de obras de infraestrutura. Ele conta com o apoio declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro e deve disputar votos de eleitores conservadores com eventuais candidaturas do Novo ou do PL.

    Próximos passos da campanha

    Encerrada a fase de convenções internas, a federação PSOL-Rede começa agora a definir o programa conjunto de governo. O documento, segundo integrantes da comissão elaboradora, dará ênfase a reforma tributária progressiva, descarbonização da economia paulista e investimentos em educação básica.

    As pré-candidaturas registradas neste domingo serão apresentadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) dentro do prazo legal. Na sequência, partidos iniciarão a coleta de doações por meio do financiamento coletivo e a capacitação de voluntários para atuação nas redes sociais. A previsão é que Haddad realize um primeiro grande ato de rua ainda em agosto, na região do Vale do Paraíba, reduto eleitoral do governador Tarcísio.

    Até lá, dirigentes do PSOL e da Rede pretendem viajar juntos pelo estado para demonstrar coesão. “Se em 2022 fomos decisivos, em 2026 seremos indispensáveis”, disse Juliano Medeiros, arrancando aplausos dos militantes antes do encerramento oficial da convenção.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.