Crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro põe em xeque estratégia para eleitorado feminino em 2026

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    O distanciamento de Michelle Bolsonaro da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acendeu o alerta sobre a capacidade da direita de dialogar com o eleitorado feminino na disputa presidencial de 2026. A avaliação foi publicada pelo colunista Renato Meirelles, em O Globo, e se baseia em dados de intenção de voto e em depoimentos de eleitoras e militantes.

    De acordo com Meirelles, pesquisa Datafolha mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Flávio Bolsonaro entre as mulheres em um eventual segundo turno, por 52% a 37%. Para o colunista, Michelle era uma das poucas vozes capazes de suavizar a imagem de “bronca” e “guerra” atribuída por parte das eleitoras à direita.

    Militância feminina afetada

    A ausência da ex-primeira-dama, segundo o texto, não se limita à perda de votos diretos. Lideranças que atuam na mobilização feminina — como Sônia, 47 anos, auxiliar de enfermagem de Praia Grande (SP) filiada ao PL Mulher — sentem dificuldade em manter reuniões e encontros políticos depois do rompimento. Sônia teria cancelado uma atividade marcada para julho por não saber como explicar a crise às colegas.

    Perfis de eleitoras

    A coluna cita três perfis para ilustrar a diversidade de demandas femininas:
    Dona Maria do Socorro, aposentada no sertão pernambucano que depende de serviços públicos;
    Vera, cuidadora em Suzano (SP) que precisa de apoio social; e
    Tatiana, 33 anos, microempreendedora de Mauá (SP) que equilibra renda familiar com trabalho informal.

    Para Meirelles, é justamente pelo “portão” de Tatiana — que busca segurança, respeito à família e reconhecimento do empreendedorismo — que a crise entre Michelle e Flávio complica a construção de confiança.

    Consequências para 2026

    Sem Michelle no palanque, aliados de Flávio perdem, na avaliação do colunista, a principal figura que legitimava a abordagem do partido às mulheres. Meirelles afirma que a estratégia de colocar apenas uma vice mulher ou apresentar pacotes de propostas femininas não substitui a confiança que Michelle transmitia.

    O alerta, ressalta o colunista, vale também para o PT. Apesar da vantagem numérica, Lula não teria um “cofre lacrado” entre as mulheres: parte desse eleitorado votaria no petista mais por comparação do que por fidelidade.

    Meirelles conclui que, em 2026, não bastará exibir mulheres no palanque; será necessário construir uma “corrente de confiança” que chegue a eleitoras que fecham as contas “no susto” e procuram candidatos capazes de compreender seus desafios diários.

    Com informações de O Globo

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.