Inflável de Lula vira alvo e provoca confronto entre apoiadores de PSol e Novo na Avenida Paulista

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    O furo em um boneco inflável que retratava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como presidiário transformou a tarde de domingo (30/8) na Avenida Paulista em cenário de agressões e trocas de acusações. Um entregador fantasiado de Homem-Aranha, ligado à candidatura do PSol, atravessou a via, perfurou o chamado “Pixuleco” e desencadeou uma briga com aliados do Partido Novo, que exibiam o artefato durante ato de campanha. A Polícia Militar precisou intervir para apartar os grupos.

    Do lado do PSol, quem acompanhava o homem fantasiado era Junior Freitas, liderança dos motoboys e postulante a deputado estadual. Do lado oposto, a estrutura inflável fora levada por Carlo Cauti, também candidato à Assembleia Legislativa, que usa o apelido “007” em referência ao número de urna. Após o incidente, ambos os lados saíram da via com relatos distintos de agressões, óculos quebrados, atendimento médico e boletim de ocorrência.

    Como o estopim começou

    O grupo de entregadores participava de um ato batizado de “fim da escala 61” — mobilização própria da categoria — quando avistou o Pixuleco montado por apoiadores do Novo. Segundo Junior Freitas, o boneco chegava ao tamanho de um outdoor, o que, na leitura dele, fere as regras eleitorais. “Pedi para retirarem. Eles não tiraram. Então falei com o Homem-Aranha: ‘a gente vai derrubar isso aí’”, contou.

    A corrida do personagem fantasiado até o inflável foi o sinal para a confusão. Testemunhas dos dois grupos confirmam que o motoboy fantasiado atravessou a avenida na direção do boneco, empunhando um objeto pontiagudo para rasgá-lo. O impacto criou um rasgo suficiente para murchar a estrutura e, em segundos, simpatizantes de Cauti cercaram o entregador. Empurrões, socos e quedas se sucederam até a chegada de policiais militares que patrulhavam a via.

    O “Bonde do Arranca Faixa”

    Junior Freitas integra o coletivo “Bonde do Arranca Faixa”, responsável por percorrer ruas de São Paulo retirando faixas que julga irregulares. Vídeos dessas ações costumam ser publicados nas redes sociais do grupo. A iniciativa, diz Freitas, inspirou a ofensiva contra o Pixuleco: “A Justiça Eleitoral já falou que não pode. Onde eu ver esse boneco, vou tirar. Mas agredir, jamais”. Ele assegura que quem partiu para a violência foram militantes do Novo.

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    A versão do Partido Novo

    Carlo Cauti, economista e jornalista que disputa vaga na Alesp, afirma que apenas distribuía panfletos quando “do nada chegam os caras e começam a agredir”. De acordo com ele, o principal ferido foi Erich Siqueira, coordenador de campanha. Siqueira tentou conter o Homem-Aranha, tropeçou e, segundo relata, levou uma trombada ou soco que o jogou ao chão. “Meus óculos caíram e quebraram”, lamentou.

    Ainda conforme o relato do Novo, o desmonte do boneco não bastou: “Destruíram o Pixuleco, agrediram o Erich e nos obrigaram a ir embora”, disse Cauti, que estava acompanhado da esposa e da filha de dois anos. Após deixarem a Paulista, ele e o assessor seguiram para uma Unidade de Pronto-Atendimento, onde Cauti recebeu medicação intramuscular e foi diagnosticado com entorse no joelho e tornozelo direitos. Em seguida, ambos compareceram a uma delegacia para registrar boletim de ocorrência.

    Inflável de Lula vira alvo e provoca confronto entre apoiadores de PSol e Novo na Avenida Paulista - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Contraponto dos motoboys

    Do outro lado, Junior Freitas sustenta que a agressão inicial veio dos simpatizantes do Novo contra um de seus auxiliares, identificado como Juninho, que também perdeu os óculos na confusão. Para Freitas, o confronto teria sido evitado caso o Pixuleco fosse retirado voluntariamente. Ele afirma possuir imagens que embasam futura ação judicial: “Se eles acusarem a gente, vou lá e mando um processo porque tenho provas”.

    PM no meio do fogo cruzado

    Agentes da Polícia Militar intervieram poucos minutos após o início da briga. Não houve detenções no local, mas os policiais formaram um cordão para separar os envolvidos e liberar o fluxo de pedestres. Vídeos feitos por curiosos mostram gritos, empurrões e o boneco esvaziado sobre o asfalto.

    Inflável contestado

    Freitas justifica a perfuração do Pixuleco alegando que a Justiça Eleitoral já considerou infláveis gigantes equiparados a outdoors, proibidos durante campanhas. A Lei 9.504/97 impede esse tipo de propaganda fixa de grande porte. Cauti, entretanto, não comentou a suposta irregularidade; preferiu concentrar-se nas acusações de agressão e destruição de material de campanha.

    Desdobramentos possíveis

    Com boletins de ocorrência e eventuais lesões corporais em jogo, o caso deve avançar para análise da autoridade policial. Além das possíveis imputações penais, a Justiça Eleitoral pode ser provocada a avaliar se o Pixuleco configurava propaganda irregular. Até a publicação desta reportagem, não havia informações sobre abertura de inquérito ou requisição de imagens de câmeras públicas para esclarecer o episódio.

    Enquanto os candidatos trocam acusações, o episódio expõe o ambiente inflamado da disputa por cadeiras na Alesp: de um lado, o motoboy que se tornou símbolo de lutas trabalhistas; do outro, o economista que usa o marketing do agente secreto britânico. Ambos concordam em um único ponto: o confronto começou quando o Homem-Aranha avançou contra o inflável. A partir daí, cada versão atribui a violência ao adversário — e o domingo na Paulista terminou com um Pixuleco rasgado, militantes feridos e duas campanhas prometendo levar a discussão à Justiça.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.