Líder nas primeiras sondagens para o governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho (Republicanos) decidiu buscar fora do Estado a inspiração para montar sua equipe econômica. Ele afirmou que pedirá ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (também do Republicanos), uma sugestão de nome para chefiar a Secretaria da Fazenda mineira caso seja eleito.
O encontro será na próxima semana, em São Paulo. Segundo Cleitinho, a ideia é aproveitar a experiência do aliado paulista — que comanda o maior orçamento estadual do país — para desenhar uma estratégia fiscal capaz de enfrentar a dívida de aproximadamente R$ 179,3 bilhões que Minas Gerais possui com a União.
Encontro em São Paulo deve nortear escolha da equipe econômica
Em conversa no gabinete em Brasília, Cleitinho disse considerar “humilde” pedir conselhos a quem já ocupa o cargo de governador. “O Tarcísio administra São Paulo com eficiência, tem chances reais de reeleição no primeiro turno e pode me mostrar caminhos sobre como montar uma secretaria forte”, afirmou.
De acordo com o senador, o foco da reunião será a indicação de um nome técnico que consiga negociar com o governo federal, acompanhar o andamento do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) — ao qual Minas aderiu em novembro de 2025 — e implantar políticas de ajuste sem sacrificar serviços essenciais. “Eu quero alguém que compreenda o desafio fiscal, mas também saiba dialogar com o servidor público e com o cidadão que depende dos programas do Estado”, pontuou.
Dívida bilionária é obstáculo imediato
Hoje, Minas Gerais tem uma das situações fiscais mais delicadas do país. A adesão ao Propag prevê que o Estado volte a pagar suas parcelas de forma gradual ao longo de cinco anos, com encargos reduzidos. A equipe econômica a ser formada em 2027 — início da próxima gestão — terá de administrar não só os desembolsos, mas também a renegociação de taxas de juros e possíveis contrapartidas exigidas pela União.
Especialistas avaliam que a complexidade requer um secretário que transite bem em Brasília e tenha experiência em contas públicas de grande porte. A consulta a Tarcísio sugere que Cleitinho procura um perfil semelhante ao do paulista Felipe Salto, atual titular da Fazenda em São Paulo, que chegou ao cargo após dirigir a Instituição Fiscal Independente do Senado.
Servidores de carreira entram no radar
Apesar da aproximação com o governo paulista, Cleitinho ressaltou que pretende valorizar quadros internos de Minas. “Existem servidores concursados extremamente qualificados. Quero olhar para dentro do Estado e reconhecer esse potencial”, disse. O senador acredita que a combinação de um secretário com vivência nacional e uma equipe técnica local pode agilizar diagnósticos e acelerar a execução de projetos.
Entre as prioridades listadas, estão a modernização dos sistemas de arrecadação, o combate à sonegação e a revisão de benefícios fiscais concedidos a setores específicos da economia mineira. Para Cleitinho, um corpo técnico estável garante continuidade das políticas, independentemente de mudanças políticas futuras.
Modelo paulista influencia discurso
Desde que assumiu o Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio tem divulgado indicadores de aumento de investimento público e superávit primário, argumentos que agora aparecem no discurso do senador mineiro. Cleitinho cita os resultados para defender que ajustes fiscais podem coexistir com melhorias em infraestrutura e serviços.
Adotar práticas de gestão semelhantes, contudo, exigirá adaptação à realidade mineira, cuja base econômica é menos diversificada que a paulista e depende fortemente de mineração e agronegócio. Analistas lembram que São Paulo registrou crescimento robusto de receita com ICMS sobre serviços, algo ainda incipiente em Minas.

Imagem: Internet
Pesquisa Datafolha mostra vantagem de Cleitinho
Duas pesquisas nacionais divulgadas em agosto apontam o senador na dianteira da corrida ao Palácio Tiradentes. Levantamento Datafolha feito de 18 a 20 de agosto, com 1.204 eleitores, indica 32% das intenções de voto para Cleitinho no cenário de primeiro turno. Patrus Ananias (PT) e Alexandre Kalil (PDT) aparecem empatados com 12% cada. A margem de erro é de três pontos percentuais.
Em seguida, a pesquisa Quaest, realizada de 21 a 24 de agosto com 1.506 entrevistados, confirma a tendência: Cleitinho lidera com 29%, enquanto Patrus soma 11% e Kalil, 10%. O estudo também tem margem de erro de três pontos percentuais e índice de confiança de 95%.
Impacto eleitoral da estratégia econômica
Ao buscar respaldo em Tarcísio, Cleitinho procura colar sua imagem a um gestor bem avaliado fora de Minas e, ao mesmo tempo, sinalizar responsabilidade fiscal ao mercado. A movimentação pode reforçar a confiança de parte do eleitorado, mas também expõe o pré-candidato a críticas sobre falta de quadros locais capazes de assumir a pasta.
Para adversários, a consulta a um governador de outro Estado revela improviso. A campanha do PT afirma que a alternativa seria recorrer a especialistas mineiros familiarizados com o pacto federativo e a intricada malha tributária estadual. Já aliados de Cleitinho defendem que “humildade para aprender” é elemento central do discurso que o fez sair de deputado estadual para o Senado em 2022.
Próximos passos até a convenção de 2026
Embora as articulações para a equipe de governo avancem, o senador ainda precisa oficializar a candidatura na convenção estadual do Republicanos, prevista para julho de 2026. Também falta definir a chapa completa, incluindo o nome para vice. Interlocutores avaliam que o convite a um economista de perfil técnico para a Fazenda pode facilitar alianças partidárias, sobretudo com siglas do centro que buscam sinalizações de equilíbrio fiscal.
Até lá, Cleitinho pretende intensificar viagens pelo interior e participar de eventos com empresários ligados à mineração, indústrias de transformação e cooperativas agrícolas, setores que pressionam por redução de burocracia e melhor infraestrutura logística. A escolha do futuro secretário da Fazenda, segundo auxiliares, servirá como vitrine de suas credenciais de gestor.
O encontro com Tarcísio, portanto, transcende a simples consulta de nomes e se converte em peça-chave para a narrativa de campanha. Caso alcance uma indicação de peso, Cleitinho poderá apresentar já no período pré-eleitoral uma “equipe dos sonhos” para o Tesouro mineiro — estratégia que, historicamente, rende dividendos eleitorais em disputas estaduais marcadas pela crise fiscal.
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