Microfone falha, mas Capital Inicial e Dado Villa-Lobos incendiam o Palco Sunset no Rock in Rio

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    Nem as interrupções no sistema de áudio conseguiram esfriar o reencontro de duas forças do rock de Brasília. Na noite desta sexta-feira (4), o Capital Inicial comandou o Palco Sunset do Rock in Rio durante 55 minutos marcados por falhas intermitentes no som e pela entrada triunfal de Dado Villa-Lobos, ex-guitarrista da Legião Urbana. O público — milhares de vozes de diferentes gerações — respondeu cobrindo cada silêncio técnico com coro uníssono.

    O microfone de Dinho Ouro Preto emudeceu logo após “Independência”, mas a energia manteve o ritmo da apresentação, que começou às 22h45 e foi até 23h40. Ao final, o show transformou-se em tributo explícito à Legião, reforçando a irmandade histórica entre as bandas formadas na capital federal nos anos 1980.

    Som vacila, banda não

    A instabilidade no PA apareceu nos minutos iniciais: pequenos cortes na guitarra de Yves Passarell antecederam o apagão momentâneo que silenciou o discurso de Dinho após o segundo bloco de músicas. Técnicos correram pelo backstage enquanto o vocalista gesticulava pedindo paciência. Em pouco mais de 30 segundos o problema foi contornado, mas voltaria a ocorrer duas vezes, com menor duração.

    Apesar do contratempo, a plateia do Parque Olímpico assumiu o papel de backing vocal e manteve alto o volume coletivo. A postura do grupo foi de avançar sem parar o espetáculo — uma escolha que rendeu aplausos extras sempre que o áudio retornava pleno.

    Brasília unida no Palco Sunset

    A fusão de trajetórias ocorreu quando Dado Villa-Lobos surgiu empunhando a Fender Telecaster clássica. O momento selou a celebração da “geração Brasília”, termo que batiza a leva de artistas que, ainda sob a ditadura militar, moldou a sonoridade do rock nacional nos anos 1980. Capital Inicial e Legião Urbana sempre dividiram público e afinidades — a participação especial reforçou laços agora imortalizados em mais um Rock in Rio.

    Foi também a nona vez que o Capital toca no festival, um feito raro entre artistas nacionais. A cada retorno à Cidade do Rock, o grupo busca um conceito distinto; desta vez, apostou no diálogo direto com as origens punks e na reverência a parceiros de estrada.

    A abertura elétrica

    • “Quatro Vezes Você” – a arrancada que deu o tom urgente do set;
    • “À Sua Maneira” – primeiro grande coro coletivo da noite;
    • “Fátima” – ponte direta com o repertório social do início da carreira.

    No intervalo entre estas faixas, Dinho acenou à plateia segurando uma bandeira do Brasil estilizada com o logo da banda, gesto que remetia ao discurso político ensaiado para o fim.

    Setlist se converte em tributo à Legião

    Com Villa-Lobos no palco, o roteiro ganhou outra cor. Soaram os primeiros acordes de “Será” e o Sunset se transformou em arena nostálgica. Seguiram-se “Tempo Perdido” e “Quase Sem Querer”, executadas com arranjos fiéis às gravações originais. Durante “Tempo Perdido”, Dado agradeceu a receptividade: “É sempre emocionante reencontrar vocês em casa”.

    O impacto sentimental ficou evidente nos rostos de fãs veteranos, alguns exibindo camisetas gastas do Circo Voador dos anos 1980. Jovens que descobrem o repertório pela internet também cantavam verso a verso, provando a extensão geracional dos hinos de Renato Russo.

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    Imagem: Internet

    Público preenche lacunas de áudio

    As falhas técnicas, longe de atrapalhar, transformaram-se em elemento dramático. Quando a base de “Que País É Este?” perdeu força por poucos segundos, o coro tomou conta: “Nas favelas, no Senado…”. A autossuficiência da multidão ressaltou o lugar dessas canções como patrimônio coletivo.

    Discurso pela democracia

    Antes de entoar “Que País É Este?”, Dinho discursou mirando o momento político brasileiro: “Esta vai para políticos de direita, de esquerda, de centro. Democracia sobrevive a tudo”. A fala arrancou aplausos e sinalizou a vocação crítica tanto da Legião quanto do Capital, que desde os primeiros álbuns utiliza o rock como veículo de contestação social.

    Na sequência, a banda emendou o clássico com pegada acelerada, lembrando as raízes punk que inspiraram o EP “Movimento”, lançado em 2025. A composição cravou o ponto final de um show que alternou nostalgia e urgência contemporânea.

    Turnês, lançamentos e próxima etapa

    Encerrada a bem-sucedida “Acústico 25 Anos”, que percorreu mais de 45 cidades e mobilizou cerca de meio milhão de pessoas, o Capital voltou ao formato elétrico com a turnê “Música Urbana”. O giro resgata arranjos originais de estúdio, adicionando camadas que a experiência acústica havia deixado de lado.

    O EP “Movimento” sinaliza a fase atual: quatro faixas breves, recheadas de riffs rápidos, letras incisivas e clima de urgência. Em estúdio, o grupo trabalha agora em composições inéditas para um álbum cheio previsto para 2027, mas evita revelar detalhes. O objetivo é unir a agressividade punk da estreia com a maturidade lírica adquirida em quatro décadas de estrada.

    Agenda pós-Rock in Rio

    1. Festival Mada, em Natal, no fim de outubro;
    2. Show no Espaço Unimed, em São Paulo, em novembro;
    3. Participação no evento beneficente Natal Sem Fome, em Brasília, em dezembro.

    Enquanto isso, Villa-Lobos segue em turnê solo celebrando os 40 anos do álbum “Dois”, da Legião Urbana, mas deixou aberta a possibilidade de novas colaborações com o Capital em festivais de verão.

    Resultado: falhas perdoadas, memória ampliada

    Quando as luzes se apagaram e os amplificadores finalmente silenciaram sem imprevistos, ficou a sensação de que o show havia se agigantado justamente pelo improviso forçado. O imponderável tecnológico sublinhou a força orgânica de músicas que não precisam de perfeição técnica para funcionar como catarse coletiva. A combinação de Capital Inicial e Dado Villa-Lobos reavivou, no Rock in Rio, o elo entre passado e presente do rock brasileiro, provando que a velha guarda de Brasília ainda sabe comandar grandes plateias — mesmo quando a eletricidade teima em falhar.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.