Em sabatina na Globo, Caiado reafirma anistia para réus do 8 de Janeiro e propõe força policial latino-americana

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    Ronaldo Caiado (PSD) abriu a segunda noite da série de entrevistas da Globo com presidenciáveis defendendo, mais uma vez, uma anistia “geral e irrestrita” para todos os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. O ex-governador de Goiás disse que enviará, logo no início de um eventual mandato, um projeto ao Congresso para libertar e devolver direitos políticos inclusive ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por envolvimento na tentativa de golpe.

    Na conversa conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli, Caiado também lançou a ideia de criar uma força de segurança transnacional que reúna polícias da América do Sul, a fim de frear o avanço das facções e do narcotráfico, assunto que concentra a principal bandeira de sua campanha: a segurança pública.

    Anistia ampla aos condenados do 8 de Janeiro

    Questionado sobre a proposta, Caiado voltou a traçar um paralelo com a reversão das condenações de Lula em 2021. “O Supremo deu uma segunda chance ao atual presidente; farei o mesmo para pacificar o país”, resumiu. Para ele, a polarização que se aprofundou desde então precisa de um gesto político “do tamanho do problema”.

    O projeto, segundo explicou, chegaria ao Congresso como prioridade absoluta. O candidato justificou que a pacificação é condição para destravar reformas e recolocar a economia em rota de crescimento. Ele rejeitou a ideia de que a medida representaria impunidade: “É o caminho institucional para virar a página. Depois disso, quem errar, paga”.

    Segurança pública e combate ao tráfico

    Força policial sul-americana

    A proposta de uma polícia supranacional dominou a parte central da entrevista. O plano prevê que agentes credenciados possam atuar em qualquer país signatário, inclusive realizando prisões em flagrante, e que exista um centro de inteligência único para trocar informações em tempo real. “Hoje, o único refúgio dos grandes cartéis na região chama-se Brasil”, afirmou, citando presença de facções brasileiras, colombianas e mexicanas em portos estratégicos.

    Caiado acredita que o alinhamento ideológico dos atuais governos vizinhos, que descreveu como “majoritariamente de centro-direita”, facilitaria a adesão. Ele mencionou a Colômbia como exemplo de país que já avalia classificar grupos armados como terroristas, o que, em sua visão, abre espaço para uma ação coordenada.

    Ameaça econômica

    Na avaliação do candidato, o crime organizado não é apenas problema de segurança, mas risco direto às exportações brasileiras. “O produtor que colhe e exporta vê seu contêiner viajar escoltado por droga; a mercadoria chega manchada de suspeita”, argumentou. O ex-governador citou ainda números do estado que administrou para dizer que o endurecimento contra facções pode atrair investimentos e elevar a competitividade do agronegócio.

    Salário mínimo e corte de supersalários

    Ao tratar de economia doméstica, Caiado prometeu manter o poder de compra de assalariados e aposentados. Ele descartou mudanças negativas no reajuste do salário mínimo e aproveitou para criticar o que chamou de “salários abusivos” no serviço público de elite. “O pobre que vive com um mínimo não pode pagar a conta da festa de quem ganha 100 mil por mês”, disparou, repetindo que um presidente deve “cortar na própria carne” antes de falar em ajuste fiscal.

    Apoio restrito dentro do PSD

    Nem mesmo no partido que o abriga desde março Caiado conseguiu reunir consenso. Até o momento, apenas quatro dos 13 candidatos do PSD aos governos estaduais declararam apoio explícito a sua chapa. Para o presidenciável, isso se explica por “coaptação” dos diretórios regionais pelo Palácio do Planalto. Ele isentou o presidente da sigla e candidato a vice, Gilberto Kassab, de responsabilidade e disse que não haverá intervenção interna para forçar alinhamento.

    Calendário de entrevistas e eleição

    A sabatina com Caiado ocorre um dia depois da participação de Romeu Zema (Novo) e antecede Renan Santos (Missão), Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante). Diferentemente de anos anteriores, as entrevistas são exibidas em horário nobre, logo após o Jornal Nacional, e ficam disponíveis na íntegra no Globoplay. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

    Trajetória de Ronaldo Caiado

    Médico ortopedista de 76 anos, Caiado tenta pela segunda vez chegar ao Palácio do Planalto, 37 anos após obter menos de 1% dos votos na eleição de 1989. Filho de família tradicional na política goiana, foi deputado federal, senador e governou Goiás por dois mandatos consecutivos. Ao longo da carreira, migrou por diferentes legendas até se filiar ao PSD, movimento que coincidiu com a desistência de Ratinho Junior de concorrer à Presidência em 2026.

    Na campanha atual, procura reunir o eleitorado conservador, ruralista e evangélico. Entre os principais aliados figuram o próprio Kassab, que ocupa a vaga de vice, além de Daniel Vilela e Sandro Mabel, nomes de peso na política goiana e no empresariado do Centro-Oeste.

    Principais propostas registradas no TSE

    • Segurança pública: fortalecimento do comando federal contra o crime organizado, integração de inteligência, controle de fronteiras, ataque ao patrimônio de facções e retomada do controle dos presídios.
    • Contas públicas: contenção de gastos, redução de desperdícios, estabilização da dívida e reconstrução de superávits sem aumentar de forma permanente a carga tributária.
    • Economia: aposta na iniciativa privada como motor do crescimento, com foco em produtividade, inovação e regras previsíveis.
    • Educação: alfabetização na idade certa, recomposição de aprendizagem pós-pandemia, expansão do ensino técnico e aproximação entre formação e mercado de trabalho.
    • Indústria e mineração: reindustrialização articulada aos setores do agro, de energia e da saúde; processamento doméstico de minerais críticos e de terras raras em parceria com Estados Unidos e Japão.
    • Programas sociais: manutenção da transferência de renda combinada à qualificação profissional, educação, saúde e habitação para criar “trampolins de emancipação”.
    • Saúde: reorganização do SUS, com atendimento mais próximo, fila transparente, consulta com especialista no tempo certo e gestão baseada em resultados.
    • Infância: prioridade orçamentária para crianças e adolescentes, integrando ações de saúde, educação, assistência e proteção contra a violência.
    • Reforma política: formação de maioria parlamentar ancorada em metas claras e proposta de extinguir a reeleição consecutiva para cargos executivos.

    Caiado encerrou a entrevista reafirmando que a anistia e a criação da força policial regional seriam as primeiras medidas enviadas ao Congresso caso chegue à Presidência. “São dois passos para unir o país e devolver a segurança às pessoas. A partir daí, trabalharemos para fazer o Brasil voltar a crescer”, concluiu.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.