Caiado pressiona STF a divulgar sigilos do INSS, Master e Carbono Oculto em entrevista à Globo

    0

    Em rede nacional, o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) lançou um apelo direto ao Supremo Tribunal Federal para que retire o caráter sigiloso dos inquéritos do INSS, do caso Master e da Operação Carbono Oculto. Segundo ele, somente a divulgação imediata desses processos garantiria ao eleitorado “plena noção” de eventuais crimes que possam envolver concorrentes na disputa ao Planalto.

    O pedido, feito na noite desta terça-feira (25) durante entrevista à Globo, mira investigações que vêm desgastando politicamente Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao mesmo tempo em que cobrava transparência do Judiciário, Caiado tentou se diferenciar apresentando um pacote de propostas para segurança pública e ajuste fiscal, além de reiterar promessa de anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.

    Quebra de sigilos: argumento de “direito do eleitor”

    Diante dos jornalistas César Tralli e Renata Lo Prete, Caiado afirmou que manter os processos em segredo de Justiça próximo ao pleito cria “risco de fraude moral” nas urnas. “Não podemos acordar no dia seguinte vendo que elegemos gente envolvida em crimes graves”, declarou.

    Os autos que ele quer tornar públicos abrangem:

    • supostas fraudes previdenciárias investigadas a partir de convênios do INSS;
    • o caso Master, relacionado a remessas ilegais ao exterior por meio de instituição financeira privada;
    • a Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro a partir da compra e venda de créditos de carbono.

    O apelo chega num momento em que a campanha costuma se intensificar com trocas de acusações. A divulgação de relatórios ou depoimentos preservados por segredo poderia reorientar o debate eleitoral e afetar diretamente candidaturas líderes nas pesquisas.

    Segurança pública: polícia latino-americana e fronteiras

    Caiado dedicou parte substancial da entrevista à segurança. Ele propôs a criação de uma força policial transnacional envolvendo países da América Latina, com banco de dados integrado, operações conjuntas e prerrogativa de prisão em território parceiro. “O narcotráfico não respeita fronteiras; nossa polícia também não pode ficar limitada”, argumentou.

    Segundo o candidato, o Brasil transformou-se no principal hub logístico das quadrilhas que exportam cocaína para Europa e África. Para frear esse avanço, além da cooperação internacional ele citou:

    1. investimento em scanners de alta definição em portos e aeroportos;
    2. recrutamento de agentes bilíngues e com formação em análise de dados;
    3. uso de satélites para patrulhar rotas fluviais da Amazônia.

    Embora admita que parte dessas medidas depende de negociações diplomáticas demoradas, Caiado afirma que começaria a articulação “logo na transição”, caso vença.

    Crítica à atual gestão

    Ele responsabilizou governos recentes pelo que chama de “abandono das fronteiras secas”, ressaltando que a falha compromete a economia formal. “Cada contêiner contaminado por drogas gera suspeita sobre toda a pauta de exportação brasileira”, disse.

    Economia: teto variável para o gasto público

    No campo fiscal, o ex-governador defendeu uma emenda à Constituição que limite o crescimento anual das despesas do governo federal à soma da inflação com metade da variação do Produto Interno Bruto. Pelas contas preliminares apresentadas, o mecanismo permitiria estabilizar a dívida em até oito anos sem cortar programas sociais.

    Quando questionado sobre a base técnica do cálculo, Caiado pediu “serenidade”, comparando o quadro fiscal a um paciente atropelado que ainda precisa de exames completos antes da cirurgia. Ele garantiu que detalhará o modelo nos primeiros 100 dias de mandato, caso seja eleito.

    Reforma com gatilhos automáticos

    Outra novidade seria a inclusão de gatilhos de ajuste caso a meta de resultado primário seja descumprida, como suspensão de concursos públicos e veto a subsídios setoriais. Esses dispositivos, de acordo com Caiado, confeririam credibilidade imediata ao plano junto a investidores.

    Anistia aos condenados do 8 de Janeiro

    A exemplo de declarações anteriores, Caiado reafirmou que enviará ao Congresso um projeto de anistia para todos os condenados pela tentativa de golpe em 8 de Janeiro de 2023, incluído o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele comparou a medida ao restabelecimento dos direitos políticos de Lula após o Supremo anular as condenações da Lava Jato.

    O presidenciável argumenta que o país “precisa virar a página” e pacificar a sociedade, embora reconheça que enfrentará resistência de segmentos que defendem a punição exemplar dos envolvidos.

    Calendário das entrevistas

    A conversa com Caiado foi a segunda da série promovida pela Globo com os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto. O sorteio da ordem de participação ocorreu na presença de representantes das legendas. Veja a agenda:

    • 24/8 – Romeu Zema (Novo);
    • 25/8 – Ronaldo Caiado (PSD);
    • 26/8 – Renan Santos (Missão);
    • 27/8 – Luiz Inácio Lula da Silva (PT);
    • 28/8 – Flávio Bolsonaro (PL);
    • 29/8 – Augusto Cury (Avante).

    Pela primeira vez, as entrevistas vão ao ar após o Jornal Nacional e, em seguida, ficam disponíveis na íntegra no g1 e no Globoplay. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.