A estratégia de políticos e empresários investigados no chamado caso Master de comparar a apuração à Operação Lava-Jato levou Supremo Tribunal Federal, Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal a adotar ações para blindar o inquérito de alegações de nulidade.
Medidas preventivas no Supremo
No gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo no STF, a investigação foi dividida em eixos separados e o acesso à íntegra dos autos está restrito, numa tentativa de evitar vazamentos. Mendonça abriu ainda procedimento específico para apurar eventual divulgação indevida de informações.
Preocupação na Polícia Federal
Na sexta-feira (3), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação mantém “grande preocupação” em resguardar a cadeia de custódia das provas. Ele citou a busca realizada dentro da própria PF, após vazamento de conversas pessoais do banqueiro Daniel Vorcaro, quando dados foram compartilhados com a CPI do INSS por determinação judicial.
Em nota, a PF reiterou que segue padrões rigorosos de segurança no tratamento de informações e na preservação de direitos fundamentais, entre eles a privacidade.
PGR adota cautela semelhante
Na Procuradoria-Geral da República, integrantes avaliam que cada passo da apuração deve obedecer a normas estritas para não abrir brechas que possam ser usadas pelas defesas dos investigados.
Reações de senadores investigados
Apontado como beneficiário de um apartamento de R$ 2,5 milhões em troca de suposta atuação em favor do Banco Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA) classificou como “patacoada” a divulgação da foto de US$ 49 mil (cerca de R$ 253 mil) apreendidos num quarto de hotel em Brasília onde costuma se hospedar. Somado ao valor recolhido em Salvador, a Polícia Federal apreendeu o equivalente a R$ 482 mil.
Outro investigado, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alegou que a ação tenta “manchar” sua honra e lembrou buscas realizadas contra ele em 2018, também em ano eleitoral, no âmbito da Lava-Jato — operação que acabou arquivada pelo STF.
Imagem: Brenno Carvalho e Cristiano Mariz
Ofensiva das defesas
Advogados de Daniel Vorcaro e de outros alvos sustentam, reservadamente, que houve excessos nas buscas e reclamam da demora para ter acesso completo aos autos, apontando cerceamento de defesa. Entre as manobras cogitadas está o pedido de anulação das mensagens extraídas dos celulares do banqueiro.
Debate interno no STF
Durante sessão que manteve a prisão domiciliar de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, o ministro Gilmar Mendes comparou o caso Master à Lava-Jato, dizendo ver “semelhanças com iniquidades” da antiga operação. Mendonça rebateu, afirmando que a investigação atual possui “contornos de máfia” e não se limita a crimes de colarinho-branco.
Interlocutores do relator afirmam que, ao responder publicamente dentro da sessão, Mendonça buscou defender a condução do inquérito sem transformar o debate em embate com os investigados. Entre os alvos, contudo, a narrativa de que o caso Master seria uma nova Lava-Jato ganhou força depois que as fases mais recentes da operação avançaram sobre parlamentares.
Com informações de O Globo
