Alckmin mira dobrar intercâmbio com a Coreia do Sul após série de acordos estratégicos

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    O Brasil e a Coreia do Sul deram um passo além na relação bilateral ao assinarem, em São Paulo, novos acordos de cooperação que, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, podem levar ao dobro do atual volume de comércio entre os dois países. “Aproximar-nos não é uma opção conveniente, é uma necessidade estratégica”, disse o vice-presidente ao abrir o Brazil-Korea Business Roundtable, encontro que reuniu autoridades e empresários de ambos os lados.

    Em 2025, a corrente de troca somou US$ 10,8 bilhões, valor considerado modesto por Alckmin diante do potencial das duas economias. Os coreanos já aportaram US$ 8,9 bilhões no país, montante amparado por nomes como Samsung, LG e Posco. A nova agenda de cooperação pretende acelerar tanto o fluxo comercial quanto os investimentos, mirando cadeias de alto valor agregado.

    Sete memorandos pavimentam parceria de longo prazo

    Os principais instrumentos anunciados no evento foram os sete memorandos de entendimento assinados no dia anterior, em Brasília. Eles abrangem minerais críticos, tecnologia industrial avançada, energia, audiovisual, educação, esportes, segurança de redes e atividades espaciais. Para o governo brasileiro, tratam-se dos pilares de uma nova fase de relação “industrializada”, que vai além da simples exportação de recursos naturais.

    Minerais estratégicos e reindustrialização

    Com reservas abundantes de lítio, nióbio e terras-raras, o Brasil quer deixar de ser mero fornecedor bruto para participar da etapa de processamento. Alckmin defendeu projetos conjuntos de refino e manufatura, capazes de inserir o país em cadeias globais de baterias, turbinas e semicondutores.

    Educação, audiovisual e esportes

    No campo cultural, os memorandos preveem coproduções de cinema e TV, intercâmbio acadêmico e treinamento esportivo. A ideia é aproximar indústrias criativas, setor em que a Coreia se tornou referência mundial com o “K-content”.

    Tecnologia industrial e segurança de redes

    Há ainda cláusulas específicas para transferência de know-how em robótica, automação e internet 5G/6G. Segundo o ministro Márcio Elias Rosa (MDIC), o diálogo sobre propriedade intelectual será reforçado para dar segurança jurídica a projetos de inteligência artificial (IA) e soberania digital.

    Objetivo: elevar comércio a US$ 20 bilhões

    O desafio de praticamente dobrar a corrente de comércio ganhou respaldo dos empresários reunidos pela ApexBrasil e pela Federação das Indústrias da Coreia (FKI). Hoje, o Brasil responde por apenas 1 % das importações coreanas, mercado avaliado em US$ 600 bilhões anuais. “Há margem enorme para crescer”, disse o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.

    Investimentos sul-coreanos em expansão

    Gigantes instaladas no Brasil planejam ampliar plantas de eletroeletrônicos, aço e petroquímica. Há também negociações em curso para novas fábricas de autopeças, centros de dados e estaleiros. O MDIC estima que, a cada US$ 1 bilhão investido, sejam criados entre 3 000 e 5 000 empregos diretos.

    Da carne ao café: oportunidades imediatas

    Entre os itens prontos para ganhar mercado, a carne brasileira ocupa lugar central. Uma missão sanitária coreana desembarca em agosto para inspecionar frigoríficos. Alckmin aposta que a liberação ampliará o embarque de proteína bovina e suína. No agronegócio, o café especial já responde por 40 % do consumo coreano, índice que pode crescer com campanhas de promoção e logística mais eficiente.

    Outros setores com demanda identificada incluem frutas frescas, etanol, biogás, cosméticos à base de insumos amazônicos e produtos da indústria química fina.

    Tecnologia, IA e setor aeroespacial no radar

    A busca por dados limpos e energia renovável transformou o Brasil em candidato natural para a instalação de data centers de empresas coreanas. Com 92 % da matriz elétrica proveniente de fontes de baixo carbono, o país atende a exigências de sustentabilidade e custo reduzido de energia, argumentou Alckmin.

    Aliança aeroespacial já decola

    No campo aeroespacial, a Coreia foi o primeiro país da Ásia a adquirir o cargueiro KC-390, da Embraer. A parceria deve ganhar novo impulso em setembro, quando um foguete coreano será lançado do Centro Espacial de Alcântara (MA). A operação envolve engenharia compartilhada e transferência de tecnologia de lançamento.

    IA e soberania digital

    O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, apresentado por Márcio Elias Rosa, tem metas convergentes às políticas de Seul, principalmente em saúde digital, cidades inteligentes e agricultura 4.0. O ministério abriu canal direto com os coreanos para projetos conjuntos financiados por bancos de desenvolvimento de ambos os países.

    Mercosul-Coreia e o xadrez global

    Em paralelo aos acordos bilaterais, Brasília retomou consultas internas sobre o tratado de livre-comércio entre Mercosul e Coreia do Sul. Alckmin defende avançar rapidamente, citando o “momento positivo” do bloco, que fechou negociações recentes com Singapura, EFTA e União Europeia.

    Tarifas dos EUA não ditam agenda

    Questionado sobre a influência das sobretaxas americanas às exportações brasileiras, o vice-presidente negou qualquer relação direta: “Não se falou de Trump nem de tarifas; a pauta foi Brasil e Coreia”. Ele reiterou que o governo brasileiro atua em três frentes para responder a medidas “injustas” dos EUA: apoio às empresas afetadas, diversificação de mercados e diálogo diplomático.

    Quanto à possibilidade de “reciprocidade comercial”, Alckmin afirmou que não se trata de retaliação, mas de um instrumento legítimo dentro das regras do comércio multilateral.

    Próximos passos e cronograma

    • Agosto: visita sanitária coreana a frigoríficos brasileiros;
    • Setembro: lançamento de foguete coreano em Alcântara;
    • 2º semestre: grupos de trabalho em minerais críticos, IA e propriedade intelectual;
    • Até dezembro: definição de metas setoriais para chegar aos US$ 20 bilhões em comércio bilateral.

    Se o cronograma for cumprido, governo e empresários esperam anunciar, no início de 2027, um balanço parcial que já mostre salto expressivo nas exportações e novos investimentos bilionários, consolidando a Coreia do Sul como um dos parceiros mais estratégicos do Brasil na Ásia.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.