Um pacto que entrega a investidores norte-americanos o controle de cerca de 20% das reservas de petróleo da Venezuela pelos próximos cem anos provocou o primeiro abalo político em Caracas: o ex-presidente Donald Trump, que voltou a concentrar o comando da política externa da Casa Branca, afirmou que o governo interino de Delcy Rodríguez “ainda não está pronto” para realizar eleições – embora diga esperar que elas aconteçam “em breve”. A declaração veio menos de uma semana depois de Washington confirmar sua participação na petroleira venezuelana Nabep, ligada ao empresário Alejandro Betancourt, investigado por lavagem de dinheiro na Suíça e na Espanha.
O calendário eleitoral, antes visto como passo decisivo para encerrar duas décadas de chavismo, tornou-se refém de interesses econômicos, segundo opositores venezuelanos e analistas internacionais. Para eles, a nova sociedade bilionária cria incentivos para postergar a transição democrática, enquanto autoridades norte-americanas alegam que eleições, sozinhas, não bastam para reconstruir instituições corroídas. Em meio à suspeita de interferência e à promessa de diálogo político, a crise venezuelana se entrelaça a outros focos de tensão – do Estreito de Hormuz ao espaço sideral – num cenário global cada vez mais convulsionado.
Como funciona o pacto petrolífero
O acordo dá a Washington acesso direto a campos que representam um quinto das reservas provadas de petróleo do país mais rico em hidrocarbonetos do planeta. A operação ocorre por meio da Nabep, companhia que receberá aportes de capital norte-americano e terá direito de exploração por um século, algo incomum mesmo em contratos de longo prazo na indústria.
Quem é Alejandro Betancourt
Alçado ao posto de principal interlocutor entre Caracas e investidores, Betancourt enfrenta processos na Justiça suíça e espanhola por suspeita de movimentar milhões de dólares em contas secretas. Apesar das acusações, passou a ser peça-chave na ofensiva econômica de Washington, reforçando dúvidas sobre a lisura do negócio.
Debate sobre o cronograma eleitoral
Diante da repercussão negativa, um alto funcionário do governo norte-americano, sob anonimato, garantiu que “não há prazo fixo” para o pleito e que a prioridade é “reconstruir instituições esvaziadas por 20 anos de chavismo”. O secretário de Estado, Marco Rubio, adiantou que uma nova rodada de diálogo entre governo e oposição deve ocorrer em aproximadamente dez dias.
Oposição venezuelana, contudo, vê com ceticismo a promessa. Dirigentes lembram que o governo interino controla a máquina estatal e, agora, administra recursos inéditos graças ao pacto petrolífero. Segundo eles, quanto mais tempo essa combinação perdurar, menor a pressão interna por eleições livres.
Escalada militar contra o Irã entra no sexto mês
A tensão no Oriente Médio permanece alta. Horas após novo ataque norte-americano na região do Estreito de Hormuz – prontamente retaliado por Teerã –, Trump publicou nas redes sociais que “não poderia se importar menos” com um eventual acordo nuclear. Ao mesmo tempo, insiste que o Irã está “derrotado” economicamente, ainda que o regime continue perturbando o comércio global de petróleo.
Prazo de tropas estendido até 2027
Documentos obtidos pelo Wall Street Journal revelam que o secretário de Defesa Pete Hegseth prorrogou silenciosamente a permanência de efetivos no Oriente Médio por mais quatro anos. Hoje, há cerca de 50 mil militares e 19 navios de guerra dos EUA na região, sem estratégia clara de saída, apontam analistas citados pelo New York Times.
Pentágono fecha o cerco a documentos sensíveis
Após o Washington Post divulgar que altos generais apresentaram non-concur – oposição formal – à prorrogação da campanha contra o Irã, o Departamento de Defesa restringiu o acesso a arquivos ligados ao “Livro de Ordens” do secretário. Questionado, o porta-voz do Pentágono limitou-se a dizer que parte da reportagem era “imprecisa”, sem esclarecer o quê.
Custos de guerra encarecem o crédito mundial
O aumento dos gastos militares dos EUA, somado à escalada do petróleo, empurrou o rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos ao maior nível em quase três anos. Efeito semelhante ocorre na Alemanha, no Reino Unido e no Japão, elevando o custo de financiamento para empresas, hipotecas e governos. Só Washington já destina US$ 931 bilhões ao pagamento de juros da dívida neste ano fiscal, mais do que o orçamento de defesa.
Ambiguidade de Putin mantém Londres em alerta
Perguntado se a Rússia atacaria alvos militares britânicos em represália ao envio de armas à Ucrânia, Vladimir Putin limitou-se a responder: “É segredo. Segredo militar.” Analistas ouvidos pela BBC veem a frase como tática para manter o Reino Unido sob tensão sem comprometer o Kremlin. O clima piorou depois de Berlim atribuir aos russos um ataque de drones ao aeroporto de Leipzig – acusação negada por Moscou.
EUA e China levam a disputa ao espaço
Reportagem da Reuters mostra que Washington e Pequim desenvolvem satélites capazes de perseguir ou interferir em outros objetos em órbita. Em junho, uma nave chinesa não tripulada liberou um artefato que se aproximou de outro satélite do país e retornou em seguida, movimento monitorado por militares norte-americanos. O general Stephen Whiting defende abertamente que os EUA adotem postura mais ofensiva no espaço, inclusive com interceptadores orbitais.
Brigada de drones desativada irrita Congresso norte-americano
Parlamentares democratas e republicanos cobraram explicações do Exército dos EUA por encerrar uma unidade de 600 soldados dedicada a desenvolver táticas de drones – modelo inspirado nas práticas ucranianas contra a Rússia. A decisão ocorre em meio a crise de comando: o general que liderava a modernização foi afastado sem justificativa em abril, e o secretário do Exército, Dan Driscoll, aliado dele, deixou o cargo nesta semana.
Nepal ainda busca desaparecidos após enchente glacial
Uma semana depois do degelo que provocou inundações nos rios Bhotekoshi e Trishuli, equipes de resgate continuam escavando lama e escombros em vilarejos isolados do Nepal. Já são 1.200 mortos confirmados, 5 mil desaparecidos no território nepalês e 546 no Tibete. Em Syabru Besi, um quarto da população local segue sem ser localizada. Helicópteros do Exército ainda são o único acesso possível a diversas comunidades serranas.