Tebet pressiona Derrite por suspeitas de corrupção nas polícias paulistas e cobra explicações em plena disputa pelo Senado

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    Simone Tebet (PSB) aproveitou a passagem de campanha por São José dos Campos, nesta quarta-feira (26), para colocar o adversário Guilherme Derrite (PP) na defensiva. Ao comentar a gestão do ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo, a senadora pediu explicações públicas sobre “denúncias seríssimas” de corrupção e suposta ligação de policiais militares e civis com facções criminosas durante o período em que Derrite comandou a pasta no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    A cobrança ocorre no momento em que Tebet e Derrite aparecem tecnicamente empatados na última pesquisa Quaest para o Senado, cada um com cerca de 12% das intenções de voto. A candidata avalia que a revelação de irregularidades envolvendo altos postos da Polícia Militar — inclusive o comando-geral — pode se tornar o “calcanhar de Aquiles” da campanha do deputado federal do PP.

    Acusações envolvendo cúpula da Segurança

    Em declarações a jornalistas, Tebet disse ter recebido relatórios apontando falhas de inteligência no enfrentamento ao crime organizado e citou a troca de coronéis experientes por capitães em posições estratégicas da corporação. Além de criticar a reorganização interna, ela mencionou investigações que relacionam integrantes da PM e da Polícia Civil a grupos como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

    “É algo inédito em São Paulo: o próprio comandante-geral da PM sob suspeita. Quem chefiava a Segurança era o Derrite; portanto, ele deve explicar ao eleitor o que aconteceu”, afirmou a presidenciável em 2022 e agora postulante ao Senado. Procurada durante atos de rua na capital, a campanha de Derrite não havia se pronunciado até o fechamento desta edição.

    Papel de Tarcísio e impasse federativo

    Embora critique o ex-secretário, Tebet reconheceu convergências com o governador Tarcísio sobre a natureza transnacional das facções criminosas. O ponto de discórdia, segundo ela, está na postura dos governadores que travaram a Proposta de Emenda à Constituição batizada de “PEC da Segurança”, elaborada pelo governo Lula (PT) para criar um Ministério da Segurança Pública e articular ações interestaduais.

    “PCC e CV ultrapassam fronteiras estaduais e nacionais; logo, a resposta precisa ser coordenada. Infelizmente, alguns governadores resistem por vaidade e medo de perder protagonismo”, declarou Tebet, insistindo que a criação de um órgão federal exclusivo não retiraria a autonomia dos estados.

    Números da Quaest: empate e alta incerteza

    O mais recente levantamento Quaest, encomendado pela Globo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SP-06946/2026, ouviu 1.800 eleitores paulistas entre 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança.

    Ao considerar as duas vagas em disputa, Derrite e Marina Silva (Rede) lideram com 12% cada, enquanto Tebet surge logo atrás, com 11%. André do Prado (PL) aparece na sequência, com 7%, e os demais candidatos somam percentuais menores. Ainda assim, 27% se declaram indecisos e 18% pretendem votar em branco ou anular, o que indica cenário aberto.

    Primeira e segunda escolhas

    Quando o entrevistador pede que o eleitor mencione apenas a primeira opção de voto, Derrite marca 17%, Marina 15% e Tebet também 15%. Para a segunda vaga, a ordem se inverte: Marina (9%) passa à frente, seguida de Derrite (8%) e Tebet (7%). A dispersão cresce: 34% não sabem em quem votar e 22% descartam escolher um nome.

    Outro dado que reforça a volatilidade da disputa é a taxa de convicção: 49% admitem mudar de candidato até 4 de outubro, data do pleito.

    Rejeição e desconhecimento

    A Quaest avaliou ainda o grau de conhecimento e rejeição das principais figuras. Marina Silva e Simone Tebet concentram os maiores índices de “conhece e não votaria” — 45% e 35%, respectivamente. No caso de Derrite, 65% afirmam não conhecê-lo bem, enquanto apenas 13% dizem que jamais lhe dariam o voto. O contraste sugere que o ex-secretário tem espaço para crescer, mas também pode ser mais afetado por notícias negativas, como as denúncias apontadas por Tebet.

    Do plenário ao palanque

    Senadora eleita em 2014 por Mato Grosso do Sul e terceira colocada na eleição presidencial de 2022 com 4,1% dos votos, Tebet migrou para o PSB no início de 2026 para concorrer por São Paulo. A estratégia mira o eleitorado moderado e urbano do estado mais populoso do país. Derrite, por sua vez, foi capitão da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e se elegeu deputado federal em 2018 surfando na pauta da segurança pública; em 2023, assumiu a secretaria na gestão Tarcísio.

    No Congresso, o policial militar da reserva patrocinou projetos que endurecem penas para crimes violentos e limitam instrumentos de controle externo da atividade policial. Agora em campanha, ele repete a defesa de “tolerância zero” e se apresenta como “senador da segurança”.

    Impacto das denúncias na corrida eleitoral

    O timing das acusações é delicado: pesquisas internas de partidos indicam que a segurança pública figura entre as três principais preocupações do eleitor paulista, junto de saúde e emprego. Qualquer desgaste na imagem de gestor de Derrite pode comprometer sua principal credencial.

    Assessores de Tebet contam que a campanha pretende insistir no tema nos próximos debates regionais e peças de rádio e TV. A expectativa é que Derrite seja pressionado a detalhar o andamento de procedimentos disciplinares dentro da Polícia Militar e a explicar relatos de favorecimento a oficiais aliados.

    Organização criminosa e cooperação federal

    Especialistas ouvidos por nossa reportagem apontam que a discussão sobre corrupção policial se insere em um problema maior: a infiltração do crime organizado nas instituições. O cientista político Marco Antônio Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos, lembra que o PCC, nascido em presídios paulistas, expandiu operações para o Norte e o Centro-Oeste, além de países vizinhos.

    “Sem inteligência integrada, governos estaduais ficam enxugando gelo. A resistência a um comando nacional decorre mais de disputa política do que de critérios técnicos”, afirma Villa. Ele vê na fala de Tebet um aceno a prefeitos do interior que sentem a escalada da violência e cobram maior presença federal.

    Próximos passos e calendários

    Até o início de setembro, a Quaest e outros institutos devem divulgar novas rodadas de pesquisa. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo já confirmou dois debates entre candidatos ao Senado: o primeiro em 15 de setembro, organizado por um pool de emissoras de rádio, e o segundo em 30 de setembro, na televisão aberta. A equipe de Derrite sinalizou presença, mas não especificou se abordará o tema das suspeitas internas na PM.

    Pelo calendário oficial, a propaganda gratuita no rádio e na TV termina em 3 de outubro, véspera do primeiro turno. Caso nenhuma candidatura alcance metade mais um dos votos válidos somados nas duas vagas — hipótese considerada remota sob o atual modelo —, as vagas são preenchidas pelos dois mais votados, sem segundo turno.

    Enquanto a disputa segue imprevisível, Tebet aposta na exposição do adversário para reduzir a distância de conhecimento entre os eleitores e associar seu nome ao combate à corrupção. Resta saber se as acusações que ela sustenta encontrarão eco nas investigações formais e, sobretudo, na percepção de um eleitorado que, por ora, mantém alto grau de indecisão.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.