As atenções do eleitorado se voltam para os Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, entre 24 e 29 de agosto. Nesse período, a emissora exibirá uma sequência de entrevistas ao vivo com os seis candidatos à Presidência da República que lideram a pesquisa Quaest mais recente. A principal novidade é o horário: pela primeira vez, o encontro com os presidenciáveis será transmitido logo depois do Jornal Nacional, e não dentro do telejornal.
A mudança de faixa foi pensada para oferecer mais tempo de conversa — cada candidato terá cerca de 40 minutos de exposição — e permitir que o noticiário seja ancorado de forma convencional. Enquanto Renata Vasconcellos e César Tralli comandam as entrevistas, Ana Paula Araújo e Márcio Bomfim assumem a bancada do JN nos estúdios do Jardim Botânico. O sorteio da ordem, acompanhado por representantes de todas as coligações, definiu quem fala em cada dia.
Seis líderes nas pesquisas dividem o prime time
Convidados com base no desempenho na sondagem divulgada em 14 de agosto, os postulantes participam do programa na seguinte sequência:
- 24 de agosto (segunda-feira): Romeu Zema (Novo)
- 25 de agosto (terça-feira): Ronaldo Caiado (PSD)
- 26 de agosto (quarta-feira): Renan Santos (Missão)
- 27 de agosto (quinta-feira): Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
- 28 de agosto (sexta-feira): Flávio Bolsonaro (PL)
- 29 de agosto (sábado): Augusto Cury (Avante)
Ordem foi definida na presença dos partidos
Para evitar questionamentos, a Globo realizou o sorteio das datas em sessão aberta, com fiscais das seis legendas. O procedimento seguiu o mesmo modelo adotado em debates anteriores: todas as bolas foram colocadas em uma urna transparente, e cada representante retirou um envelope. O número sorteado correspondia ao dia de exibição, já pré-estabelecido no calendário da emissora.
Como acompanhar a transmissão
A exibição ocorrerá simultaneamente em três frentes:
- TV Globo: canal aberto, logo após o Jornal Nacional;
- GloboNews: sinal fechado para assinantes, com retransmissão integral;
- g1: streaming gratuito pelo site e aplicativos.
Após o encerramento, o conteúdo fica disponível, na íntegra, no Globoplay e no acervo de vídeos do g1. Já a GloboNews exibe imediatamente a Central das Eleições, programa em que comentaristas e analistas políticos avaliam o desempenho dos candidatos e destrincham as propostas apresentadas ao vivo.
Entrevistas ganham formato mais extenso e objetivo
Cada presidenciável terá cerca de 40 minutos para responder às perguntas de Renata Vasconcellos e César Tralli. A interlocução seguirá um roteiro que mescla temas nacionais — economia, saúde, segurança e meio ambiente — com questões específicas destacadas pelas pesquisas de opinião. O objetivo, segundo a emissora, é oferecer “equilíbrio entre liberdade de exposição e rigor jornalístico”, garantindo igualdade de condições a todos os concorrentes.
O tempo ampliado é resultado da decisão de retirar o bloco de entrevistas de dentro do Jornal Nacional. Até 2022, o quadro ficava limitado a cerca de 15 minutos, o que obrigava cortes e respostas mais breves. Agora, a produção reserva um intervalo completo da grade noturna, permitindo aprofundamento similar ao de um debate, mas sem o confronto direto entre adversários.
Mudança estratégica no horário visa maior audiência
A Globo estima que o novo espaço pós-JN retenha parte do público que tradicionalmente acompanha o principal noticiário da televisão brasileira. Segundo dados do Kantar Ibope, o Jornal Nacional tem registrado, em 2024, média superior a 25 pontos na Grande São Paulo. Quando a programação engrena em formato de entrevista política, essa audiência costuma se manter estável nos minutos seguintes, o que reforçou a escolha pelo horário nobre.
Internamente, executivos argumentam que a visibilidade ampliada pode influenciar o ritmo da campanha, já que os principais adversários se apresentam em cadeia nacional durante uma semana inteira. O modelo, no entanto, não substitui o tradicional debate entre todos os presidenciáveis, marcado para 29 de setembro, também nos Estúdios Globo.
Produção mobiliza segurança e protocolos de igualdade
Para garantir condições técnicas padronizadas, cada candidato terá:

Imagem: Internet
- Mesmo tempo de fala para blocos de perguntas e considerações finais;
- Iluminação, enquadramento e microfonação idênticos;
- Direito a levar até dois assessores para o estúdio, sem comunicação ao vivo;
- Acesso a dados, gráficos ou anotações apenas em papel, vedado uso de aparelhos eletrônicos.
Além disso, a emissora manterá esquema de segurança com equipes próprias e reforço da Polícia Militar no entorno dos estúdios, prevenindo atos de militância que possam interferir no andamento das gravações.
Repercussão imediata nas redes e na Central das Eleições
Nos últimos ciclos eleitorais, o debate on-line tornou-se quase simultâneo à exibição televisiva. Para 2026, a Globo integrou suas redações de TV aberta, GloboNews e g1 em um mesmo fluxo de cobertura. Durante a transmissão, repórteres no estúdio digital do g1 monitoram as redes sociais, coletando trechos mais comentados e checando fatos em tempo real. Esses dados alimentam a Central das Eleições, que entra no ar assim que o sinal da entrevista se encerra.
O programa analítico traz comentaristas como Míriam Leitão, Valdo Cruz, Andréia Sadi e Octavio Guedes, além de convidados externos, entre eles economistas, cientistas políticos e especialistas em direito eleitoral. O bloco dura aproximadamente 90 minutos e costuma repercutir trechos polêmicos, inconsistências ou propostas que gerem dúvidas no público.
Histórico de sabatinas na emissora
Desde 1989, a Globo realiza sabatinas ou entrevistas individuais com os principais candidatos ao Palácio do Planalto. O formato varia conforme a eleição: já houve gravações em estúdio fechado, transmissões dentro do Jornal Nacional e participações em programas como Fantástico e Bom Dia Brasil. Em 2022, a emissora levou os presidenciáveis de volta ao estúdio principal após duas eleições com formato híbrido em razão da pandemia de Covid-19.
A edição de 2026 estreia dois elementos inéditos: o deslocamento do JN para estúdios separados enquanto durarem as entrevistas e a exibição em cadeia simultânea para TV aberta, TV paga e internet, sem cortes regionalizados. Essa última inovação visa atrair o público que migra para plataformas digitais, reforçando a estratégia de convergência de conteúdos.
Calendário eleitoral segue com debates e propaganda obrigatória
Após a maratona de entrevistas, a campanha entra em fase decisiva. Em 30 de agosto, começa o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, com blocos de 12 minutos e inserções diárias. Na sequência, emissoras concorrentes também organizam seus próprios debates. Entretanto, pelo alcance nacional e pela tradição histórica, o debate da Globo, realizado poucas semanas antes do primeiro turno, costuma ser considerado um dos mais influentes na reta final.
Até lá, a promessa é de que as entrevistas sirvam de termômetro para medir a disposição dos candidatos em temas sensíveis como reforma tributária, transição energética, combate à desigualdade social e uso de inteligência artificial em campanhas. O desempenho diante das câmeras, avaliam marqueteiros, pode consolidar ou desconstruir narrativas que ainda não se firmaram nas ruas.
Para o eleitor, fica o convite: de 24 a 29 de agosto, logo após o Jornal Nacional, a escolha pelo próximo presidente começa a ganhar forma nos holofotes dos Estúdios Globo.
