Zema promete só repor inflação no salário mínimo e descarta, por ora, idade maior para aposentadoria

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    Romeu Zema (Novo) abriu a série de sabatinas da TV Globo com os presidenciáveis e, logo de início, avisou que, se vencer a disputa de outubro, o salário mínimo ficará limitado à reposição inflacionária. A concessão de aumentos reais, explicou, só ocorrerá se a atividade econômica mostrar fôlego suficiente — mesma lógica que pretende adotar para qualquer revisão nas aposentadorias.

    Em meio à entrevista conduzida por César Tralli e Renata Vasconcellos, Zema também defendeu um amplo ajuste fiscal destinado a derrubar a taxa básica de juros para 6% ao ano, prometendo, com isso, economizar R$ 800 bilhões anuais e reduzir a pressão por mudanças mais severas na Previdência.

    Reajuste do mínimo condicionado ao PIB

    Questionado sobre a política de valorização do salário mínimo, o ex-governador mineiro foi direto: “Correção pela inflação está garantida”. Ele rejeitou assinar compromisso com ganho real automático, dizendo que só haverá espaço para ir além do índice de preços se o Produto Interno Bruto crescer de forma consistente. Caso o país avance, Zema pretende repetir o modelo que vincula a alta do piso ao crescimento médio dos dois anos anteriores.

    No entendimento do candidato, atrelar o mínimo ao desempenho da economia evita que, em momentos de retração, o governo seja levado a conceder aumentos sem lastro, pressionando as contas públicas e o emprego formal. “Precisamos de responsabilidade”, resumiu.

    Aposta na queda dos juros

    A ancoragem fiscal pregada por Zema passa pela redução da Selic. Ele sustenta que um governo “sério, com credibilidade, combatendo fraudes e corrupção” convencerá o Banco Central a cortar a taxa até 6% ao ano. Somado ao enxugamento da máquina pública, calcula, isso significaria poupar R$ 800 bilhões em despesas com rolagem da dívida, abrindo margem para investimentos e descompressão do Orçamento.

    Sem detalhar quais despesas ou benefícios seriam revistos, Zema indicou que diminuiria estruturas administrativas federais e promoveria privatizações. O pacote, afirma, criaria o ambiente necessário para que as empresas voltem a contratar, o que, por consequência, reforçaria a arrecadação e liberaria recursos para reajustes salariais acima da inflação.

    Previdência: mudanças ficam em suspenso

    Sobre aposentadorias, o presidenciável mineiro declarou não ver necessidade imediata de elevar as idades mínimas fixadas pela reforma de 2019. Ele, porém, não fechou a porta para ajustes futuros, condicionando qualquer revisão a dois fatores: o aumento da expectativa de vida da população e a maior formalização do mercado de trabalho.

    “O brasileiro já trabalha muito. Não quero que ele trabalhe mais, quero que a renda dele cresça”, afirmou. Na visão de Zema, manter a idade de aposentadoria onde está depende de equilibrar as contas por dentro, ou seja, combater fraudes, melhorar a fiscalização e cortar privilégios.

    Tratamento a rurais e militares

    Indagado especificamente sobre regimes especiais — caso de trabalhadores rurais e militares —, Zema disse que qualquer mudança dependerá do resultado do ajuste fiscal pretendido. Se as medidas para reduzir gastos e elevar receitas surtirem efeito, argumentou, será possível preservar regras diferenciadas. Sem isso, novas alterações terão de ser debatidas com o Congresso.

    O candidato citou como prioridade a revisão de benefícios concedidos a categorias que, segundo ele, acumulam direitos desproporcionais à média da população. Não detalhou, contudo, quais segmentos poderiam ser atingidos nem apresentou cronograma.

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    Imagem: Internet

    Sabatina inaugura nova faixa de entrevistas

    A conversa com Zema marcou a estreia de um formato inédito na emissora: pela primeira vez, as entrevistas com quem disputa o Palácio do Planalto vão ao ar logo depois do “Jornal Nacional”, e não dentro do telejornal. O conteúdo completo fica disponível, em seguida, nas plataformas digitais do grupo.

    Os seis presidenciáveis mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto foram convidados. A ordem de exibição foi definida em sorteio com representantes das legendas:

    • 24 de agosto (segunda) – Romeu Zema (Novo)
    • 25 de agosto (terça) – Ronaldo Caiado (PSD)
    • 26 de agosto (quarta) – Renan Santos (Missão)
    • 27 de agosto (quinta) – Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
    • 28 de agosto (sexta) – Flávio Bolsonaro (PL)
    • 29 de agosto (sábado) – Augusto Cury (Avante)

    O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026. Até lá, a expectativa da emissora é que a série ajude o eleitorado a comparar propostas em temas centrais como inflação, emprego, juros e Previdência.

    Economia como eixo da campanha

    Zema aproveitou o espaço para reforçar a tônica liberal de sua candidatura. Disse que pretende simplificar a estrutura tributária, incentivar parcerias público-privadas em infraestrutura e acelerar a abertura comercial. Segundo o ex-governador, a combinação de juros mais baixos, câmbio competitivo e menor burocracia aumentaria a produtividade e, indiretamente, o poder de compra do salário mínimo.

    Questionado sobre programas de transferência de renda, o candidato garantiu que manterá o pagamento a famílias de baixa renda, mas prometeu “rigor contra fraudes”. A digitalização de cadastros sociais, afirmou, seria ampliada para cruzar dados em tempo real e impedir que quem não precisa receba benefícios.

    Mensagem ao eleitorado

    No encerramento, Zema repetiu que seu governo se guiaria por critérios técnicos, evitando indicações políticas em estatais. Ele elencou como vitrine a experiência em Minas Gerais, onde, disse, cortou cargos comissionados e colocou as contas em dia após anos de déficit.

    “Se fizemos com um estado do tamanho de Minas, podemos fazer com o Brasil”, concluiu, voltando a ligar o sucesso do ajuste ao espaço para reajustar salários e preservar aposentadorias sem impor novos sacrifícios à população.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.