Lula corre para destravar PEC do 6×1 e revogação da “taxa das blusinhas” antes da pausa eleitoral

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    Pressionado pelo calendário eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva agendou para quarta-feira (26) uma reunião no Palácio do Planalto com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O objetivo é acertar uma “janela” de votações entre 31 de agosto e 4 de setembro, quando deputados e senadores pretendem interromper a campanha municipal para tratar de matérias consideradas prioritárias pelo governo.

    No topo da lista estão a PEC que extingue a escala 6×1, encurtando a jornada de trabalho, a PEC da Segurança Pública, o marco legal para minerais críticos e terras raras, além de duas propostas em tramitação na Câmara: a MP que pôs fim à chamada “taxa das blusinhas” sobre importações de até US$ 50 e o projeto que permite usar excedentes da arrecadação do petróleo para conter aumentos na gasolina e no diesel.

    Encontro decisivo no Planalto

    A costura política marca a tentativa do Planalto de recuperar o ritmo legislativo, praticamente congelado desde o início oficial da campanha eleitoral. Embora o Congresso não esteja de recesso, sessões têm sido esvaziadas e votações adiadas. Na avaliação do governo, a retomada de um pacote de temas sociais e econômicos pode impactar positivamente a imagem de Lula antes do primeiro turno municipal.

    Composição da mesa de negociação

    • Presidente da República: Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
    • Senado: Davi Alcolumbre (União-AP)
    • Câmara: Hugo Motta (Republicanos-PB)

    A interlocução direta com Alcolumbre ganhou novo fôlego após meses de tensão causados pela rejeição, no Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Em entrevista recente, Lula chamou o senador de “amigo” e sinalizou disposição para virar a página.

    Principais pautas no Senado

    PEC do fim da escala 6×1

    A proposta altera o artigo 7.º da Constituição, encerrando a obrigatoriedade de seis dias consecutivos de trabalho por um de descanso. Sindicatos argumentam que a medida traz ganhos de qualidade de vida, enquanto representantes do varejo e da indústria reclamam de possível aumento de custos. O relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) será o senador Omar Aziz (PSD-AM), escolhido após acerto entre o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), e Alcolumbre. A expectativa do governo é aprovar o texto no plenário até 4 de setembro.

    PEC da Segurança Pública

    Com relatoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE), a matéria redefine competências da União, estados e municípios, além de abrir caminho para um fundo permanente de financiamento. A proposta conta com apoio de governadores, mas encontra resistência de setores que temem a federalização de atribuições policiais. O Planalto vê na aprovação da PEC um trunfo para enfrentar o debate eleitoral sobre violência urbana.

    Marco de minerais críticos e terras raras

    O projeto estabelece diretrizes para exploração, pesquisa e industrialização de minérios estratégicos, como lítio e nióbio. A medida é apontada por ministros da área econômica como peça-chave para atrair investimentos em transição energética. Ambientalistas, no entanto, cobram salvaguardas para populações tradicionais.

    Pautas que começam na Câmara

    MP que extinguiu a “taxa das blusinhas”

    Editada por Lula para atender consumidores de menor renda que compram em sites internacionais, a medida provisória zerou a alíquota de 20% sobre encomendas de até US$ 50. Empresários do varejo físico pressionam para que a MP caduque, alegando concorrência desleal. A comissão mista que analisará o texto foi adiada duas vezes e agora deve ser instalada em 1º de setembro, deixando margem estreita: se o Congresso não concluir a votação até o início do mês, a isenção perde validade automaticamente.

    Uso de excedente do petróleo para segurar combustíveis

    Outro projeto a ser priorizado autoriza o governo a empregar receitas extras de royalties e participações especiais na estabilização de preços de gasolina e diesel. A proposta serve de amortecedor diante das cotações internacionais e, se aprovada, pode mitigar desgaste popular caso haja nova alta nos postos.

    Calendário apertado

    Parlamentares planejam sessões conjuntas de 31 de agosto a 4 de setembro. Depois desse período, a expectativa é que Câmara e Senado só retomem votações principais após o primeiro turno das eleições municipais. Esse cenário torna a próxima semana decisiva para o Palácio do Planalto.

    Etapas obrigatórias

    1. Apreciação nas comissões (CCJ no Senado e colegiados temáticos na Câmara);
    2. Votação no plenário de cada Casa;
    3. Emendas de redação e, se houver, retorno do texto à origem;
    4. Promulgação (PECs) ou sanção presidencial (projetos de lei).

    Riscos e articulação empresarial

    O Planalto reconhece que a MP das importações baratas é a mais vulnerável. Entidades do setor têxtil e de comércio pedem a parlamentares que deixem o texto caducar, retomando a cobrança dos 20%. Nos bastidores, falam em “concorrência chinesa” e juram defender empregos nacionais. Já as plataformas de e-commerce intensificaram lobby pró-isenção, destacando que pequenos vendedores brasileiros também utilizam as mesmas interfaces.

    O governo aposta em apoio popular e na pressão de consumidores para reverter a ofensiva empresarial. Deputados da base lembram que o tema viralizou nas redes sociais, sobretudo entre jovens que fazem compras de pequeno valor.

    Relação Lula-Alcolumbre: do atrito ao pragmatismo

    A tentativa de destravar a agenda legislativa marca um ponto de inflexão na relação entre o presidente e Davi Alcolumbre. Depois do desgaste pela sabatina de Jorge Messias, ambos retomaram diálogo frequente. Fontes do Planalto afirmam que a escolha de Omar Aziz — aliado de Alcolumbre — para relatar a PEC do 6×1 foi um gesto de confiança do governo.

    Próximos passos

    Se conseguir aprovar as pautas prioritárias na breve janela de agosto e início de setembro, Lula encerrará o semestre legislativo com vitórias que poderão ser exploradas pelos candidatos apoiados pelo PT nas eleições municipais. Caso contrário, o Planalto corre o risco de ver medidas caducarem, sobretudo a MP das importações, transmitindo imagem de fragilidade política.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.