Em São Bernardo, Lula abre campanha de 2026 prometendo Ministério da Segurança e escola em tempo integral

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu o berço de sua trajetória sindical, em São Bernardo do Campo (SP), para dar a largada oficial à corrida presidencial de 2026. Diante de uma praça lotada, o petista afirmou que buscará um quarto mandato para “impedir o retorno da direita” e delineou três prioridades: criação do Ministério da Segurança Pública, expansão da escola integral e industrialização de minerais estratégicos.

    Em tom combativo, Lula disse que usará “cada dia de vida” para disputar espaço político com os adversários conservadores, culpando-os por “centenas de milhares de mortes” na pandemia e por “rirem de crianças sem remédio”. O evento marcou o primeiro dia em que candidatos podem pedir votos publicamente, organizar atos de rua e disparar propaganda digital.

    Promessa de nova pasta para combater o crime

    Lula anunciou que, caso o Senado aprove a Proposta de Emenda Constitucional que separa Justiça e Segurança, enviará ao Congresso a estrutura do novo Ministério da Segurança Pública. A missão central, segundo ele, será desbaratar comandantes do crime organizado que “dão ordens de coberturas de luxo” e não apenas “apertar o gatilho contra jovens na favela”.

    Punição ao “dono de bairro”

    • Operações integradas entre União, estados e municípios.
    • Foco na prisão de chefes de quadrilhas que atuam em periferias.
    • Combate ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

    O presidente repetiu que “é mais barato investir em escola do que em cadeia”, mas reforçou que não hesita em endurecer contra organizações que “aporrinham a vida do povo”.

    Educação em tempo integral como eixo social

    Numa fala voltada a famílias trabalhadoras, Lula defendeu que a escola de tempo integral deixe de ser exceção e alcance todas as redes públicas. Para ele, o modelo permite que pais trabalhem enquanto os filhos recebem alimentação, aulas de artes, esportes, tecnologia e educação ambiental.

    Igualdade de gênero desde cedo

    O presidente incluiu nas diretrizes pedagógicas o combate ao machismo: “Menino tem de aprender que não é melhor que menina desde o maternal”. Disse ainda que investir em educação “civiliza o país” e previne a criminalidade, evitando que adolescentes ingressem em facções.

    Industrialização de minerais críticos

    Com referência à disputa comercial entre Estados Unidos e China, Lula afirmou que o Brasil não aceitará exportar lítio, nióbio e terras-raras “a preço de banana” para depois importar celulares, chips e baterias. O compromisso, frisou, é processar e manufaturar a matéria-prima em território nacional, gerando empregos qualificados e autonomia tecnológica.

    Formação de mão de obra

    O plano envolve:

    1. Parcerias entre universidades e setor privado para pesquisa de novas ligas e semicondutores.
    2. Linhas de crédito do BNDES para plantas de refino e montagem de baterias elétricas.
    3. Reserva de parte da produção ao mercado interno de carros e ônibus movidos a eletricidade.

    Críticas ao STF e memórias da prisão

    Em meio a aplausos, Lula recordou a greve de 1979, sua prisão em 1980 e a autorização negada para comparecer ao velório do irmão em 2019. Sem mencionar o nome, atribuiu a decisão ao ministro Dias Toffoli e disse que “caráter não se mede pela época, mas pela dignidade”.

    Saúde do presidente

    Usando chapéu para proteger a cabeça recém-submetida a radioterapia contra câncer de pele, Lula retirou o acessório por alguns segundos para saudar apoiadores, garantindo que o tratamento não o afastará da campanha.

    Quarto mandato e pandemia no centro do debate

    Ao insistir que deseja ser o primeiro presidente a exercer quatro mandatos, Lula voltou a atacar a gestão federal da Covid-19 entre 2019 e 2022. Ele atribuiu à “irresponsabilidade com vacinas” a morte de “quase meio milhão de brasileiros” e prometeu manter vacinas no calendário escolar, associando a medida a políticas de educação e saúde pública.

    Próximos passos da campanha

    Com a liberação oficial do calendário eleitoral, a coligação liderada pelo PT planeja carreatas em capitais do Nordeste, enquanto a propaganda gratuita de rádio e televisão só começa em 28 de agosto. A primeira peça, já em produção, deverá repetir o mote “Brasil unido, povo protegido”, alinhando segurança, educação integral e tecnologia verde.

    Agenda imediata

    • 17/8 – Encontro com reitores em Salvador para discutir financiamento de universidades.
    • 19/8 – Visita a planta-piloto de baterias de lítio em Minas Gerais.
    • 21/8 – Ato ecumênico em Belém voltado à proteção da Amazônia.

    Reações e bastidores

    Nos bastidores, lideranças à direita classificaram o discurso como “revanchista” e afirmaram que o petista tenta “politizar a segurança pública”. Já aliados de Lula viram na fala um esforço para unificar bases sindicais, evangélicas e ambientalistas na mesma plataforma.

    O mercado financeiro acompanhou sem sobressaltos: a proposta de verticalizar minerais críticos era esperada desde o pacote de transição energética apresentado no primeiro semestre.

    Contexto histórico de São Bernardo

    Escolher São Bernardo do Campo tem carga simbólica para Lula. Foi ali que, em fins da década de 1970, ele liderou greves que desafiaram a ditadura militar, projetando-o como liderança nacional. Quase meio século depois, o mesmo palco serve de trampolim para o que pode ser um recorde democrático: comandar o Palácio do Planalto por quatro vezes.

    Para muitos militantes, a volta ao ABC Paulista selou a narrativa de continuidade entre o “Lula metalúrgico” e o estadista que, agora, mira novas cadeias produtivas de alta tecnologia.

    Palavras de ordem e música de campanha

    A primeira-dama, Janja Lula da Silva, subiu ao palco ao lado de um cantor gospel e entoou o jingle oficial, que mescla batida popular e coro religioso, recurso visto como tentativa de ampliar laços com o eleitorado evangélico.

    O que está em jogo

    A campanha que acaba de começar testará a resiliência de um presidente que governa em meio a disputas judiciais, pressão inflacionária global e reorganização das cadeias de energia. As promessas apresentadas em São Bernardo — segurança, escola integral e domínio sobre minerais críticos — miram três temores do eleitor: violência urbana, futuro dos filhos e empregos em setores de ponta.

    Se conseguirá cumprir ou não, dependerá do resultado das urnas, da correlação de forças no Congresso e da própria saúde, tema que o próprio Lula trouxe à cena ao exibir a cicatriz protegida pelo chapéu.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.