Lula (PT) aparece na dianteira da corrida presidencial de 2026, com 38% das intenções de voto no primeiro turno, segundo pesquisa Quaest encomendada pelo Grupo Globo e divulgada nesta sexta-feira (14). Flávio Bolsonaro (PL) figura na segunda posição, somando 31%. A diferença de sete pontos consolida, por ora, um cenário de repetição da polarização entre os dois maiores campos políticos do país.
A sondagem, realizada entre os dias 10 e 13 de agosto com 2.004 entrevistados, tem margem de erro de dois pontos percentuais e índice de confiança de 95%. O resultado confirma que a disputa segue aberta: 11% do eleitorado continua indeciso ou declara voto branco/nulo, e outros nomes ainda tentam se viabilizar, a exemplo de Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).
Força de cada candidato nas regiões
Nordeste consolida vantagem petista
- Lula alcança 57% no Nordeste, seu melhor desempenho regional.
- Flávio Bolsonaro soma 23% e sofre para ultrapassar a barreira de um quarto do eleitorado local.
- Indecisos e votos brancos/nulos chegam a 13% na região.
Sul e Sudeste mantêm a disputa apertada
- No Sudeste, Flávio Bolsonaro lidera por três pontos: 35% a 32%.
- No Sul, a vantagem é mais folgada para o senador: 40% a 25%.
- Ambas as regiões registram percentuais elevados de indefinição — 19% no Sudeste e 22% no Sul somando indecisos a brancos/nulos.
Centro-Oeste e Norte mostram empate técnico
- Lula marca 36% e Flávio Bolsonaro, 26%.
- O governador goiano Ronaldo Caiado aparece com 10% nesse recorte, índice que o coloca como terceiro nome mais citado localmente.
Gênero: mulheres mantêm a dianteira petista
Entre as eleitoras, Lula obtém 39%, contra 28% do adversário. Já no universo masculino, a distância cai para cinco pontos: 39% a 34%. A proporção de mulheres sem candidato definido (13%) supera a dos homens (7%), indicando potencial de mudança conforme a campanha avance.
Faixa etária: juventude ainda dispersa
No grupo de 16 a 34 anos, o presidente atinge 34% e Flávio Bolsonaro 31%, mas a novidade fica por conta de Renan Santos, que chega a 10% e se torna terceiro colocado isolado entre os mais jovens. Nas demais idades, Lula ganha fôlego: 40% a 32% entre 35 e 59 anos e 43% a 30% entre os eleitores com 60 anos ou mais.
Renda e escolaridade: linhas de corte
Baixa renda garante folga a Lula
- Até dois salários mínimos: 52% a 23% para o petista.
- Entre dois e cinco salários, há empate: 34% para Lula, 33% para Flávio Bolsonaro.
- Acima de cinco salários, o senador assume a dianteira: 36% a 31%.
Nível de ensino divide eleitorado
- Ensino fundamental: Lula lidera com 48% contra 25%.
- Ensino médio: virada a favor de Flávio Bolsonaro, 35% a 33%.
- Ensino superior: equilíbrio absoluto — 32% para cada um.
Religião: católicos com Lula, evangélicos com Bolsonaro
Entre católicos, Lula pontua 47% e mantém quase vinte pontos de diferença sobre o rival (27%). Já no eleitorado evangélico, Flávio Bolsonaro tem 43%, abrindo dezenove pontos sobre o atual presidente (24%).
Matiz ideológico reforça a polarização
Ao segmentar por autodeclaração ideológica, o estudo revela uma base de apoio quase monolítica em ambos os polos. Entre eleitores que se dizem “lulistas”, Lula atinge 91%, enquanto Flávio Bolsonaro concentra 90% entre “bolsonaristas”. A fatia autodenominada “independente” segue como terreno em disputa: Lula tem 23%, Flávio Bolsonaro 16% e Renan Santos aparece com 8%.

Imagem: Internet
Outros nomes tentam se projetar
Renan Santos, fundador do Movimento Missão, oscila entre 1% e 10% a depender do segmento, surgindo como terceira via mais mencionada. Ronaldo Caiado (PSD) alcança até 10% no Centro-Oeste/Norte, sua base eleitoral. Romeu Zema (Novo) e o escritor Augusto Cury (Avante) rondam a marca dos 3% em alguns recortes, mas ainda não romperam a barreira nacional de relevância.
Avaliação de governo e rejeição dos presidenciáveis
A mesma rodada mediu a aprovação da gestão Lula: 46% aprovam, 48% reprovam. As taxas de rejeição pessoal também são altas e simétricas: 54% dizem que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum, contra 52% que recusam Lula. Os números evidenciam uma disputa acirrada, mas com espaço para erosão de ambos os lados.
Metodologia
O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-06773/2026. Foram realizadas entrevistas presenciais em 120 municípios dos 26 estados e do Distrito Federal, respeitando cotas de sexo, idade, renda, escolaridade e distribuição geográfica conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As próximas rodadas encomendadas pelos veículos do Grupo Globo e pela Quaest serão divulgadas quinzenalmente até a véspera do primeiro turno, totalizando 130 pesquisas sobre Presidência, governos estaduais e Senado.
O que esperar dos próximos meses
Embora liderem em campos ideológicos opostos, Lula e Flávio Bolsonaro precisam avançar sobre o eleitorado independente, jovens e mulheres indecisas para consolidar suas posições. A margem de sete pontos, dentro do limite de erro nas regiões mais populosas, indica que alterações pontuais de humor do eleitor podem redesenhar o quadro até outubro.
