A disputa pelo Planalto em 2026 apresenta um recorte religioso explícito: enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém folga de 20 pontos entre católicos, Flávio Bolsonaro (PL) abre vantagem praticamente do mesmo tamanho no eleitorado evangélico. É o que indica levantamento Quaest encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo, divulgado nesta sexta-feira (14).
O instituto ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de agosto, sob margem de erro de 2 pontos percentuais no total da amostra. Os resultados reforçam que pertença religiosa volta a pesar na definição de voto e que os dois principais pré-candidatos concentram mais de 70% das preferências nesses segmentos.
Católicos garantem vantagem expressiva para Lula
Entre os entrevistados que se declaram católicos, Lula soma 47% das intenções para o primeiro turno. O petista chega a quase o dobro de Flávio Bolsonaro, que marca 27%. Os demais nomes permanecem em nível residual, nenhum acima de 5%.
Percentual detalhado no segmento católico
- Lula (PT): 47%
- Flávio Bolsonaro (PL): 27%
- Ronaldo Caiado (PSD): 4%
- Renan Santos (Missão): 3%
- Romeu Zema (Novo): 2%
- Augusto Cury (Avante): 1%
- Samara Martins (UP): 1%
- Clariana Barão (DC): 0%
- Edmilson Costa (PCB): 0%
- Hertz Dias (PSTU): 0%
- Leonardo Avalanche (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Gassi (Democrata): 0%
- Indecisos: 9%
- Branco, nulo ou eleitores que dizem não votar: 6%
A margem de erro específica para católicos é de 3 pontos. Mesmo se considerado o limite máximo de oscilação, Lula permanece em primeiro lugar com, no mínimo, 44%, e Bolsonaro não ultrapassaria 30%. Esse espaço confere folga para o governo petista trabalhar a manutenção de apoio numa fatia que representa a maioria religiosa do país.
Evangélicos colocam Flávio Bolsonaro na frente
No eleitorado evangélico o cenário inverte: Flávio Bolsonaro aparece com 43%, dezanove pontos à frente de Lula, que tem 24%. O resultado consolida a força da família Bolsonaro nesse grupo, característica verificada também em 2018 e 2022.
Distribuição de votos entre evangélicos
- Flávio Bolsonaro (PL): 43%
- Lula (PT): 24%
- Renan Santos (Missão): 5%
- Ronaldo Caiado (PSD): 4%
- Augusto Cury (Avante): 2%
- Romeu Zema (Novo): 2%
- Samara Martins (UP): 1%
- Clariana Barão (DC): 0%
- Edmilson Costa (PCB): 0%
- Hertz Dias (PSTU): 0%
- Leonardo Avalanche (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Gassi (Democrata): 0%
- Indecisos: 10%
- Branco, nulo ou que não pretendem votar: 9%
Nesse recorte a margem de erro sobe para 4 pontos. Ainda assim, o senador do PL se mantém em patamar confortável, podendo oscilar no mínimo para 39% e no máximo para 47%. Lula ficaria entre 20% e 28%, não sendo suficiente para ameaçar o adversário nesse grupo caso o quadro permaneça estável.
Metodologia e abrangência do estudo
A sondagem utiliza entrevistas presenciais em 120 municípios, ponderadas por sexo, faixa etária, escolaridade, região e religião, com nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-06773/2026. Até a véspera do primeiro turno, estão previstas 130 rodadas de pesquisa Quaest e Datafolha publicadas pelos veículos do Grupo Globo, abrangendo Presidência, Senado e governos estaduais.
No conjunto da amostra – ou seja, sem segmentação religiosa – a Quaest apurou 38% para Lula, 31% para Flávio Bolsonaro, 4% para Renan Santos e 4% para Ronaldo Caiado. Augusto Cury e Romeu Zema aparecem com 2% cada. A diferença de sete pontos em cenário agregado indica disputa aberta, mas os recortes mostram bolsões de voto cristalizados.

Imagem: Internet
Outros indicadores captados no mesmo questionário
A Quaest também aferiu a percepção sobre o governo federal. Segundo o levantamento, 46% aprovam a administração Lula, enquanto 48% desaprovam; 6% não souberam responder. A avaliação se mantém dentro da margem de erro, configurando empate técnico.
Em simulação de segundo turno, Lula aparece com 43%, contra 40% de Flávio Bolsonaro. A distância é ainda mais estreita do que no primeiro turno geral, sugerindo que a disputa pode ser decidida pela mobilização de segmentos específicos, como os próprios católicos e evangélicos analisados.
Quando questionados sobre o que mais preocupa o país, a maioria dos entrevistados cita a violência. Esse dado, também divulgado pelo instituto, reforça a centralidade da segurança pública no debate eleitoral e pode influenciar estratégias de campanha nas próximas semanas.
Leituras possíveis a partir dos recortes religiosos
Os percentuais apontam para uma eleição polarizada não apenas em termos ideológicos, mas igualmente marcada por identificação religiosa. A vantagem de Lula entre católicos, população historicamente majoritária, pode ser decisiva em estados do Nordeste e Sul, onde essa crença é predominante. Já o desempenho de Flávio Bolsonaro entre evangélicos tende a ter peso no Centro-Oeste, Norte e em grandes capitais, onde igrejas neopentecostais se expandiram na última década.
A despeito das margens de erro, a distância dentro de cada grupo religioso é significativa e repete padrões observados em pesquisas anteriores, indicando que a consolidação de preferências se dá em núcleos específicos do eleitorado. A evolução dos números nas próximas rodadas servirá para medir se campanhas conseguem atravessar esse divisor confessional ou se a segmentação permanecerá até 3 de outubro.
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