O senador Flávio Bolsonaro (PL), que concorre à Presidência da República, apresentou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 8,2 milhões – valor 370% superior ao declarado na campanha de 2018, quando se elegeu para o Senado. O salto patrimonial vem à tona a dois dias do fim do prazo para registro de candidaturas.
Já o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como vice na chapa, listou bens de R$ 565 mil, praticamente o dobro do que informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022. As informações constam do sistema DivulgaCandContas, disponibilizado nesta quinta-feira (13).
Patrimônio de Flávio Bolsonaro cresce 370% desde a última eleição
Na campanha de 2018, Flávio Bolsonaro declarou possuir R$ 1,74 milhão em ativos, divididos entre um apartamento e uma sala comercial na Barra da Tijuca, aplicações financeiras, um automóvel Volvo e participação societária em uma loja de chocolates. O novo balanço, oito anos depois, multiplica por quase cinco esse valor, chegando a R$ 8.246.000.
Casa de R$ 6,2 milhões em área nobre de Brasília concentra a maior fatia
- Imóvel residencial no Lago Sul, avaliado em R$ 6,2 milhões;
- Fundos de investimento que somam R$ 1,1 milhão;
- Saldo de R$ 569 mil em conta-corrente no Brasil;
- Automóvel Volvo, estimado em R$ 133 mil;
- Caderneta de poupança com R$ 104 mil;
- Participações societárias diversas que, juntas, somam R$ 46 mil;
- Sociedade individual de advocacia avaliada em R$ 10 mil;
- Aplicações de renda fixa no valor de R$ 8,3 mil;
- Outras cotas societárias avaliadas em R$ 249.
O novo endereço em Brasília responde sozinho por 75% do total declarado pelo senador. Em 2018, o item mais caro era um apartamento de R$ 917 mil na capital fluminense. As cifras atualizadas colocam Flávio entre os postulantes ao Planalto com maior patrimônio já informado ao TSE nesta eleição.
Comparativo com 2018
- Apartamento na Barra da Tijuca – R$ 917 mil;
- Aplicações e investimentos – R$ 558 mil;
- Sala comercial na Barra – R$ 150 mil;
- Veículo Volvo XC – R$ 66,5 mil;
- Participação em loja de chocolates – R$ 50 mil.
Todos esses bens continuam listados, agora incorporados ao novo portfólio, o que explica a disparada do valor total.
Vice Alfredo Gaspar também amplia bens declarados
Alfredo Gaspar, ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e deputado federal, declarou R$ 565.499 em ativos. Em 2022, quando disputou vaga na Câmara, ele havia informado patrimônio de R$ 289.000. O crescimento chega a 95% em quatro anos.
Detalhamento do patrimônio do vice
- Imóveis residenciais e terrenos equivalentes a R$ 380 mil;
- Automóvel avaliado em R$ 65 mil;
- Aplicações financeiras somando R$ 55 mil;
- Depósitos em conta-corrente que totalizam R$ 46 mil;
- Itens de uso pessoal e outros bens no valor de R$ 19 mil.
O aumento patrimonial de Gaspar foi atribuído, em nota da campanha, à venda de um apartamento em Maceió e à aplicação dos recursos em fundos de menor risco, seguindo orientação do banco que gerencia suas finanças.
Filiação polêmica: registro de candidatura enfrentou impasse
Horas antes de protocolar a chapa, a equipe de Flávio Bolsonaro precisou resolver um imbróglio: o sistema do TSE apontava o senador como filiado ao partido Missão, sigla que lançou Renan Santos à Presidência. A situação gerou troca de acusações entre as duas campanhas.
TSE reverte filiação após decisão do presidente da Corte
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kássio Nunes Marques, expediu despacho invalidando a filiação “indevida” e restabeleceu a vinculação de Flávio ao PL. Segundo a defesa do parlamentar, e-mails encaminhados pelo Missão foram interpretados como spam pela assessoria do gabinete, o que teria atrasado a detecção do problema.

Imagem: Internet
Durante transmissão ao vivo na noite desta quinta, o candidato afirmou: “Me filiaram ilegalmente a outro partido. Disseram que eu mesmo pedi essa filiação, o que é mentira. Nossa equipe viu as mensagens automáticas e achou que eram spam”. Com a decisão, a chapa foi aceita pelo sistema do tribunal.
Prazos, números e ausência de Caiado
O TSE recebe registros até às 19h de sábado (15). Entre os cinco candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, apenas Ronaldo Caiado (PSD) ainda não enviou a documentação. Antes de Flávio, quatro presidenciáveis oficializaram pedido:
- Lula (PT);
- Renan Santos (Missão);
- Romeu Zema (NOVO);
- Outras candidaturas de menor expressão registradas por partidos de esquerda e centro.
Concluído o prazo, a Justiça Eleitoral terá até 12 de setembro para julgar todos os pedidos. A campanha de Flávio Bolsonaro afirma que não espera contestação sobre a regularidade da chapa, depois de resolvido o impasse da filiação.
O que diz a legislação sobre a declaração de bens
A Lei das Eleições determina que todo candidato forneça à Justiça Eleitoral a relação completa de seus bens, especificando valores e localização. O objetivo é permitir fiscalização acerca de eventuais enriquecimentos ilícitos ou incompatíveis com os rendimentos do cargo. O descumprimento da regra pode gerar indeferimento de candidatura por falta de documentação.
Os valores declarados não passam por avaliação de mercado atualizada; o político informa o montante que considera adequado, sujeito a contestação do Ministério Público ou de adversários. Também cabe aos órgãos de controle investigar origem e evolução patrimonial quando surgem indícios de irregularidade.
Próximos passos para a chapa do PL
Com o pedido oficializado, a coligação de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar aguarda emissão do CNPJ para abrir conta bancária de campanha e receber doações. Ao mesmo tempo, a equipe jurídica monitora prazos de impugnação. A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto nos meios digitais e, no rádio e na TV, a partir de 30 de agosto.
