O governador goiano e candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), informou à Justiça Eleitoral possuir R$ 5,6 milhões em bens. O valor, protocolado no pedido de registro de candidatura, vem acompanhado da declaração de R$ 10,4 milhões do seu companheiro de chapa, o empresário Luiz Carlos do Carmo (PMDB). Juntos, os dois somam R$ 16,1 milhões em patrimônio declarado para a eleição estadual de 2026.
As cifras mostram crescimento patrimonial dos dois políticos em relação aos pleitos anteriores. Vilela registra alta de 19,8% sobre o que havia declarado em 2022, enquanto Luiz Carlos exibe evolução de 33% em comparação com 2018, quando foi suplente de Ronaldo Caiado no Senado. A atualização dos números ganhou visibilidade nesta semana com a abertura do sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para consulta pública.
Detalhamento dos bens declarados
No caso de Daniel Vilela, o item de maior peso é um crédito de empréstimo avaliado em R$ 2,45 milhões. Ele também revelou participação em um terreno estimada em R$ 1,25 milhão, além de aplicações financeiras, veículos e cotas empresariais que completam os R$ 5,6 milhões.
Luiz Carlos do Carmo apresentou um patrimônio mais diversificado, encabeçado por um crédito de R$ 4 milhões que tem origem em operação de empréstimo realizada no setor privado. Também se destacam R$ 2,72 milhões em participação societária numa das empresas do grupo que controla cinco usinas de calcário, uma transportadora e uma distribuidora de autopeças. Imóveis urbanos e rurais, além de aplicações bancárias, fecham a lista do vice.
Evolução patrimonial em campanhas anteriores
Vilela sobe 19,8% em quatro anos
Em 2022, na disputa que o levou à Vice-Governadoria, Vilela declarara R$ 4,7 milhões. O acréscimo de R$ 930 mil se concentrou, segundo a documentação entregue, na valorização de ativos imobiliários e de participação societária em empresa familiar que administra empreendimentos agrícolas no sudoeste goiano.
Luiz Carlos amplia fortuna em 33%
Já o empresário teve o último registro público em 2018, quando concorreu como suplente ao Senado e informou R$ 7,8 milhões. De lá para cá, agregou R$ 2,6 milhões, impulsionado principalmente por aumento de capital nas usinas de calcário e por rentabilidade das transportadoras ligadas ao agronegócio.
Trajetória dos candidatos
Daniel Vilela
Formado em Direito, Vilela levou o sobrenome do pai, Maguito, à Câmara Municipal de Goiânia em 2008. Em 2011, assumiu cadeira na Assembleia Legislativa e, quatro anos depois, chegou à Câmara dos Deputados, onde presidiu a Comissão de Constituição e Justiça. Aos 41 anos, tenta prolongar a presença do MDB no Palácio das Esmeraldas após a morte de Maguito Vilela e a vitória na chapa liderada por Ronaldo Caiado em 2022.
Luiz Carlos do Carmo
Empresário de perfil pragmático, Carmo inaugurou a carreira política em 2006, quando foi eleito deputado estadual. Reeleito em 2010 e alçado à secretaria municipal de Infraestrutura no ano seguinte, ele manteve a atividade privada à frente do conglomerado de mineração. Em 2018, herdou vaga no Senado com a eleição de Caiado ao governo e desde então se manteve no PMDB, agora ocupando o posto de vice na chapa de Vilela.

Imagem: Internet
Situação do registro eleitoral
O pedido de candidatura de Vilela e Carmo foi oficialmente protocolado e aguarda análise do TSE, responsável por conferir documentação e certidões. O prazo final para qualquer coligação ingressar com registro vai até as 19h de 15 de agosto. Depois disso, caberá ao tribunal julgar pedidos de impugnação ou eventuais questionamentos sobre as contas declaradas.
Até o momento, além da chapa do MDB/PMDB, já constam no sistema os pedidos de Luiz César (PT) e Marconi Perillo (PSDB). As legendas de Danilo Pinheiro Evangelista (PCO), Luciana Amorim (UP) e Wilder Morais (PL) ainda não haviam concluído o protocolo até o fechamento desta reportagem, mas seguem dentro do prazo legal.
Próximos passos da campanha
Com a divulgação das declarações patrimoniais, partidos rivais já calculam discursos sobre concentração de renda e transparência. A oposição, liderada por Perillo, sustenta que o crescimento de quase 20% no patrimônio de Vilela acontece durante o exercício de mandato e promete explorar o tema nos debates televisionados marcados para setembro. Já aliados de Vilela reforçam que a maior parte de seus ativos é anterior à vida pública e provém de herança familiar.
No campo jurídico, especialistas lembram que a entrega de documentos é apenas a primeira etapa do controle de gastos. As campanhas deverão prestar contas parciais em setembro e o relatório final até novembro, sob pena de multa ou rejeição de contas. Na eleição anterior, o TSE identificou inconsistências em 12% das declarações iniciais em todo o país, corrigidas durante a fase de análise.
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