PF vasculha endereços de ex-secretário do Maranhão e de advogado em apuração sobre perseguição a Flávio Dino

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    A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta terça-feira (11), mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim, e contra um advogado cuja identidade não foi divulgada. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e é um desdobramento da investigação que apura uma série de ataques virtuais e publicações consideradas persecutórias ao ministro Flávio Dino.

    Os investigadores afirmam que materiais colhidos em março — quando o blogueiro Luís Pablo teve celular e computador apreendidos — apontaram para a participação direta de Cutrim e do advogado na coleta e divulgação de dados sobre a rotina de Dino, inclusive fotos e placas de veículo oficial usado pela segurança do magistrado.

    Mandados autorizados pelo STF após parecer da PGR

    A operação desta terça foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. Moraes concordou com a necessidade de novas medidas cautelares para, segundo despacho obtido pela reportagem, “estancar possível corrente delitiva voltada à intimidação do ministro Flávio Dino e de seus familiares”.

    Além da apreensão de dispositivos eletrônicos, a ordem autorizou a coleta de documentos físicos que possam comprovar a troca de informações entre o ex-secretário, o advogado e o blogueiro. O conteúdo será periciado para verificar eventual financiamento, orientação ou incentivo às postagens que exibiam rotas, horários e detalhes do carro oficial do ministro.

    Publicações começaram em 2025

    Relatório da PF anexado ao processo indica que, a partir de novembro de 2025, Luís Pablo intensificou a exposição de dados privados do ministro. Entre as postagens estão imagens do veículo funcional — um carro blindado oficialmente vinculado ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) — e a acusação de que o automóvel estaria sendo utilizado por parentes de Dino para fins particulares.

    A corporação sustenta que as postagens, reproduzidas em redes sociais e sites de notícia, alimentaram discursos de ódio e aumentaram as ameaças contra o ministro, que desde a nomeação para o STF relata episódios sucessivos de intimidação.

    Antecedente: prisão domiciliar de Cutrim em julho

    O novo mandado de busca ocorre menos de um mês depois de o próprio Flávio Dino determinar, em 3 de julho, a prisão domiciliar de Raimundo Cutrim. A decisão, também assinada por Moraes, manteve o ex-secretário com uso de tornozeleira eletrônica sob acusação de tentar obstruir investigações que tramitam em segredo de justiça.

    De acordo com a PF, fatos reunidos entre 2022 e 2026 podem configurar “obstrução à Justiça e coação no curso do processo, crimes estes supostamente conexos com homicídio, corrupção e peculato”. O sigilo cobre detalhes desses supostos crimes-núcleo, mas o inquérito aponta que a exposição da rotina de Dino servia para pressionar o magistrado em outras frentes judiciais.

    Possíveis articulações de bastidor

    • Busca por informações internas do Tribunal de Justiça do Maranhão.
    • Compartilhamento de dados sensíveis em grupos privados de aplicativos.
    • Financiamento de anúncios que direcionavam leitores às matérias contra Dino.
    • Mobilização de perfis falsos para amplificar as postagens.

    Defesa alega violação de sigilo de fonte

    Em nota, os advogados de Raimundo Cutrim disseram não ter tido acesso aos autos nem às decisões que resultaram nas operações. Segundo a defesa, o ex-secretário “vem sendo tratado como simples fonte jornalística do blogueiro Luís Pablo”, o que, na avaliação do time jurídico, configuraria afronta ao sigilo de fonte previsto na Constituição.

    Os representantes de Cutrim sustentam ainda que as buscas derivam de denúncia apresentada pelo próprio Flávio Dino ao STF, e afirmam que as supostas irregularidades no uso de carros do TJ-MA “seguem sem apuração”. O advogado alvo dos mandados não se manifestou até o fechamento desta edição.

    Posicionamento de Flávio Dino

    A assessoria do ministro reafirmou que nunca houve uso indevido de veículos do Judiciário. O gabinete informa que o automóvel blindado foi cedido ao STF a pedido da Secretaria de Segurança da Corte, dentro de acordo mantido com tribunais estaduais para proteção de autoridades sob ameaça.

    O time do ministro acrescenta que, por questões de estratégia, não pode divulgar rotinas ou detalhes de segurança. “Investigações recentes demonstraram que até veículos particulares do ministro e de sua família estavam sendo monitorados e seguidos”, diz o comunicado.

    Por fim, a assessoria confirmou ter solicitado reforço de segurança após a deflagração dos novos mandados, “também em caráter reservado”, e afirmou desconhecer outras informações porque os processos correm em sigilo.

    Próximos passos da investigação

    Com a análise do material apreendido nesta terça, a Polícia Federal pretende:

    1. Reconstruir a cadeia de disseminação dos dados pessoais do ministro.
    2. Identificar possíveis financiadores ou instigadores das publicações.
    3. Verificar se houve acesso ilegal a sistemas do TJ-MA para obtenção de informações sobre o veículo.
    4. Confrontar depoimentos de Cutrim, do advogado e do blogueiro com o conteúdo periciado.

    Caso se comprove participação consciente e coordenada, os investigados podem responder por associação criminosa, violação de sigilo funcional, ameaça e coação no curso do processo, além das imputações já existentes contra o ex-secretário.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.