Seis candidaturas confirmam disputa acirrada pelo Palácio dos Bandeirantes em 2026

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    Com convenções encerradas, seis partidos oficializaram candidaturas ao governo de São Paulo para as eleições de 2026. A disputa reúne desde figuras já conhecidas do eleitorado até estreantes no pleito estadual e coloca em jogo a sucessão — ou continuidade — do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição.

    As chapas precisam agora concluir o registro junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) até 15 de agosto, às 19h. A partir daí, abre-se a fase de impugnações e análise de eventuais pendências, mas, salvo mudanças, o eleitor verá, em ordem alfabética, Carlos Machado (PCB), Fernando Haddad (PT), Izadora Dias (PCO), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Vera Lúcia (PSTU) e Vivian Mendes (UP) na urna eletrônica em 4 de outubro.

    Cronograma e números do pleito

    O primeiro turno acontece em 4 de outubro; se nenhum concorrente ultrapassar 50% dos votos válidos, o segundo turno está marcado para 25 de outubro. Além de eleger o titular do Palácio dos Bandeirantes, os paulistas escolherão 94 deputados estaduais, 70 federais e um senador.

    Durante a campanha, a propaganda gratuita de rádio e TV será veiculada de 3 de setembro a 1º de outubro. Pesquisas de intenção de voto e debates devem intensificar o clima eleitoral, enquanto o TRE-SP fiscaliza o cumprimento das regras de financiamento e propaganda.

    Quem são os candidatos

    Carlos Machado (PCB)

    Filho de um cobrador de ônibus e de uma técnica em enfermagem, o historiador e educador popular nasceu em Franca, interior paulista. Trabalhou na indústria calçadista e na construção civil antes de se destacar no movimento estudantil. Hoje, coordena um cursinho popular na cidade natal. Machado defende a reestatização de serviços, expansão do SUS e da escola pública, além de programas de geração de emprego direcionados à classe trabalhadora.

    Fernando Haddad (PT)

    Advogado e professor, Haddad foi ministro da Educação, prefeito da capital e ministro da Fazenda no governo Lula. Deixou a Esplanada em abril para liderar a chapa petista, que tem Márcio França (PSB) de vice e reúne ainda PDT, PCdoB, PV, Rede e PSOL. Suas principais bandeiras são o uso de tecnologia para reduzir filas no SUS, integração das polícias contra o crime organizado e ampliação de investimento estadual em escolas de tempo integral.

    Izadora Dias (PCO)

    Estudante de Letras da USP e militante desde 2018, Izadora coordena o coletivo João Cândido, voltado à população negra, e atua como colunista e apresentadora da mídia do partido. Ela prega um “governo dos trabalhadores”, com ruptura do atual modelo econômico, controle operário de setores estratégicos e extinção da Polícia Militar.

    Tarcísio de Freitas (Republicanos)

    Engenheiro formado pelo IME e capitão da reserva do Exército, Tarcísio ganhou projeção nacional como ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro. Eleito governador em 2022, baseia a campanha de reeleição na continuidade de parcerias público-privadas, reforço policial que atribui à queda de crimes violentos e expansão de programas de inclusão produtiva. Conta com o apoio de PL, MDB, Novo e da federação PSDB-Cidadania.

    Vera Lúcia (PSTU)

    Pernambucana radicada em São Paulo, a ex-operária da indústria calçadista construiu carreira no movimento sindical, em especial nas pautas de mulheres e população negra. Após disputar Prefeitura, Governo Federal e Câmara Municipal, retorna à corrida paulista com plataforma socialista: taxação de grandes fortunas, reversão de privatizações e fortalecimento de serviços públicos.

    Vivian Mendes (UP)

    Nascida em Guaianases, na zona leste da capital, a comunicadora fundou o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e o Movimento de Mulheres Olga Benario. Para o governo, propõe moradia popular, investimento maciço em educação e saúde e mecanismos de participação direta da população nas decisões orçamentárias.

    Desafios compartilhados

    Embora partam de pontos ideológicos distintos, as seis candidaturas convergem em temas sensíveis ao eleitorado paulista: segurança pública, qualidade dos serviços de saúde, mobilidade e redução das desigualdades regionais. A crise fiscal do estado e o desenho de parcerias com o setor privado também aparecem em praticamente todos os programas, seja para defendê-las, seja para combatê-las.

    • Segurança: enquanto Haddad quer integrar inteligências policiais e Izadora prega o fim da PM, o governador busca ampliar batalhões e sistemas de monitoramento.
    • Infraestrutura: Tarcísio promete novos leilões de rodovias, já Carlos Machado fala em reestatização de linhas férreas e de energia.
    • Saúde: da telemedicina defendida pelo PT ao reforço do SUS nos projetos da esquerda radical, o gargalo das filas hospitalares une as plataformas.

    Próximos passos na Justiça Eleitoral

    Após o registro de candidaturas, a Justiça Eleitoral publica edital com prazo para contestações. Partidos, coligações, Ministério Público Eleitoral ou qualquer cidadão podem questionar candidaturas sob suspeita de inelegibilidade ou irregularidades. O julgamento final deve ocorrer até 12 de setembro, data-limite para que todos os nomes apareçam na urna.

    Em caso de impugnação, a legenda poderá substituir o candidato até 20 dias antes do pleito. Se a decisão ocorrer depois desse prazo, o nome impugnado permanece na urna, mas os votos são considerados nulos. Esse cenário, contudo, é visto como remoto pelas direções partidárias.

    O que observar na campanha

    A entrada de dois candidatos de esquerda anticapitalista (PCB e PSTU) e de uma legenda recém-criada (UP) deve fragmentar o eleitorado progressista, tradicionalmente concentrado no PT no estado. Já a base de Tarcísio, calcada em partidos de centro-direita e no bolsonarismo, aposta na força do incumbente e na pulverização do campo oposto para chegar ao segundo turno. Pesquisas iniciais apontam Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas liderando, mas com margem para oscilações ao longo da campanha.

    A agenda de debates televisivos, ainda em negociação, pode ser decisiva para que candidaturas menos conhecidas ultrapassem a barreira dos 2% de intenção de voto, índice que costuma definir quem participará dos encontros. Observadores também monitoram a influência das redes sociais, onde legendas de menor porte pretendem compensar a escassez de tempo de rádio e TV.

    Veja também: datas-chave do calendário eleitoral e regras para a propaganda

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.