Ronaldo Caiado (PSD-GO) usou o palco da série de sabatinas promovida pelo portal O Antagonista e pela empresa G4, em São Paulo, para marcar distância de adversários que carregam pendências na Justiça. Diante de dezenas de empresários nesta terça-feira (4), o ex-governador goiano declarou nunca ter sido associado a esquemas ilícitos e passou a listar, nominalmente, escândalos que atingiram os partidos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Jair Bolsonaro (PL).
“Alguma vez viram meu nome em rachadinha ou mensalão?”, provocou o presidenciável, mirando o caso que derrubou dirigentes petistas no início do primeiro governo Lula e a investigação sobre o senador Flávio Bolsonaro, trancada após a anulação de provas. A ofensiva incluiu ainda críticas ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob suspeita de tráfico de influência — situação que, segundo Caiado, “já chegou à antessala do rei”.
Ataques calibrados a rivais
Mensalão e rachadinha no centro do debate
Ao se apresentar como “ficha limpa”, Caiado recorreu aos principais símbolos de corrupção nas últimas duas décadas de política nacional. O mensalão, revelado em 2005, levou para a prisão líderes históricos do PT e rendeu desgaste que até hoje é lembrado em disputas eleitorais. Já o termo rachadinha ganhou repercussão após reportagens sobre a prática de confisco de salários de assessores no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro entre 2007 e 2018.
Ainda que o processo contra o senador do PL tenha sido arquivado por vícios na obtenção de provas, Caiado manteve a acusação no discurso para estabelecer contraste com sua trajetória. Ao longo de quatro décadas de vida pública — de deputado federal a governador de Goiás —, o ruralista repete não ter figurado em inquérito criminal, dado usado como trunfo em meio a um eleitorado descrente.
Investigações sobre Lulinha ganham palco
A fala dura de Caiado coincidiu com a notícia de que o STF abriu a terceira apuração contra Lulinha por possíveis crimes de corrupção e influência junto ao governo federal. A mais recente diligência foi autorizada pelo ministro André Mendonça em 1º de agosto, após pedido da Polícia Federal. A defesa do empresário nega irregularidades, mas o tema se tornou munição para opositores do Planalto.
Durante entrevista a jornalistas depois da sabatina, Caiado elevou o tom: “O escândalo do príncipe chegou à antessala do rei”. A declaração ecoou entre correligionários que apostam em uma narrativa anticorrupção como atalho para reduzir a distância em relação aos líderes das pesquisas.
Segurança pública como bandeira
Propostas de endurecimento penal
Além de atacar rivais, o candidato dedicou parte dos 60 minutos de conversa a um tema caro ao eleitorado goiano: segurança. Defendeu a redução da maioridade penal, proposta que divide o Congresso há anos, e um pacote de medidas para fortalecer o combate ao narcotráfico. Segundo ele, a atual gestão federal é “conivente” com quadrilhas que operam nas fronteiras.
Caiado citou a experiência no governo de Goiás, onde afirma ter integrado forças estaduais e federais no programa Goiás Seguro. Para o presidenciável, “bandido tem de temer o Estado” e “quem atirar em policial deve responder por crime hediondo com agravantes”.

Imagem: Internet
Promessa de indulto a condenados de 8 de janeiro
Questionado sobre os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, o ex-governador antecipou que, eleito, concederá indulto aos condenados. O anúncio agrada à ala bolsonarista do eleitorado, mas tensiona a relação com partidos de centro. “Houve excesso de punição”, avaliou, argumentando que a Constituição confere ao presidente prerrogativa para conceder graça individual ou coletiva.
Nos bastidores da sabatina
Formato e ausências
O evento aconteceu no auditório da G4, na zona oeste paulistana, diante de convidados vinculados a startups e fundos de investimento. As entrevistas são individuais, com duração de uma hora, mediadas pelo jornalista Wilson Lima e pela equipe de O Antagonista. Cada participante responde a perguntas fixas sobre economia, reformas, meio ambiente e governança, além de temas escolhidos pela plateia.
A organização enviou convites aos cinco melhores colocados em levantamentos de intenção de voto. Até agora, confirmaram presença os ex-governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado; o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) participa na quinta-feira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declinou, e Renan Santos, dirigente do recém-criado partido Missão, fecha a programação.
Agenda e próximos passos
A exposição na capital financeira do país faz parte da estratégia de Caiado para se tornar conhecido fora do Centro-Oeste. Após a sabatina, ele seguiu para encontros com investidores e líderes do agronegócio, segmento que já lhe é favorável. A campanha avalia lançar em setembro um programa de governo enxuto, com foco em competitividade, combate ao crime e reformas tributária e administrativa.
Paralelamente, articuladores do PSD trabalham para selar alianças regionais que assegurem tempo de televisão e palanques robustos no Sudeste. A legenda negocia com partidos médios, como União Brasil e Cidadania, mas enfrenta resistência de siglas que preferem aguardar os rumos da disputa entre Lula e o candidato a ser chancelado pelo PL.
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