O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) aparece numericamente à frente na corrida pelo Palácio Tiradentes, segundo levantamento Quaest realizado entre 22 e 26 de julho, poucos dias antes de o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) anunciar que não disputará o governo mineiro em 2026. A ausência do parlamentar, até então líder em todos os cenários, redefiniu o tabuleiro e deixou Kalil com 15% das intenções de voto, margem insuficiente para desgarrar o pelotão.
Apesar da vantagem inicial, o estudo aponta um eleitorado ainda pouco engajado: 27% não sabem em quem votar e outros 23% declaram que pretendem anular ou se abster. A soma supera, com folga, a votação de qualquer pré-candidato testado, revelando um cenário volátil a dois anos da eleição.
Primeiro turno: Kalil à frente, mas sem folga
A Quaest aferiu dois desenhos sem a presença de Cleitinho. Nos dois, Kalil mantém 15%, mas enfrenta concorrência direta do ex-ministro Patrus Ananias (PT) e do vice-governador Mateus Simões (PSD), que alternam a segunda colocação dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
Cenário 4
- Alexandre Kalil (PDT): 15%
- Patrus Ananias (PT): 13%
- Mateus Simões (PSD): 9%
- Gabriel Azevedo (MDB): 6%
- Flávio Roscoe (PL): 4%
- Ben Mendes (Missão): 2%
- Maria da Consolação (PSOL): 1%
- Rafael Duda (PSTU) e Túlio Lopes (PCB): 0%
- Indecisos: 27%
- Branco/nulo/não votará: 23%
Cenário 5
- Alexandre Kalil (PDT): 15%
- Patrus Ananias (PT): 13%
- Mateus Simões (PSD): 9%
- Gabriel Azevedo (MDB): 6%
- Vittorio Medioli (PL): 3%
- Ben Mendes (Missão): 2%
- Maria da Consolação (PSOL): 1%
- Indecisos: 27%
- Branco/nulo/não votará: 24%
Desistência de Cleitinho muda a equação
Cleitinho liderava todos os cenários testados até o levantamento de abril. Em vídeo divulgado nas redes sociais na última segunda-feira (3), o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que a retirada de candidatura partiu do próprio senador “diante do momento difícil” vivido pela família – o parlamentar perdeu o irmão mais novo em 18 de julho. Chorando, Cleitinho agradeceu o apoio e confirmou que não buscará o governo mineiro em 2026.
Com a saída do nome que polarizava a disputa, os índices de intenção de voto foram pulverizados, provocando empate técnico entre o segundo e o terceiro colocados e ampliando o peso dos eleitores ainda sem preferência.
Disputas de segundo turno continuam emboladas
A Quaest também projetou confrontos diretos envolvendo os postulantes mais competitivos. Sem Cleitinho, Mateus Simões aparece empatado tecnicamente tanto com Kalil quanto com Patrus:
Simulação Kalil x Simões
- Mateus Simões (PSD): 30%
- Alexandre Kalil (PDT): 29%
- Indecisos: 19%
- Branco/nulo/não votará: 22%
Simulação Patrus x Simões
- Patrus Ananias (PT): 30%
- Mateus Simões (PSD): 30%
- Indecisos: 18%
- Branco/nulo/não votará: 22%
Os empates confirmam que nenhum dos nomes testados conseguiu, por ora, construir vantagem consistente capaz de antecipar o resultado. O alto percentual de votos não consolidados indica que a campanha será decisiva.

Imagem: Internet
Níveis de rejeição: Kalil lidera também onde não convém
Além da intenção de voto, o instituto avaliou quem o eleitor mineiro descarta apoiar. Kalil, embora lidere a corrida, aparece com a maior taxa de rejeição: 39%, crescimento de três pontos em relação a abril. Patrus surge na sequência, com 35%, enquanto Simões tem índice bem menor, 12% – queda de oito pontos.
- Alexandre Kalil (PDT): 39%
- Patrus Ananias (PT): 35%
- Cleitinho Azevedo (Republicanos): 20%
- Gabriel Azevedo (MDB): 13%
- Mateus Simões (PSD): 12%
- Flávio Roscoe (PL): 9%
- Vittorio Medioli (PL): 11%
- Ben Mendes (Missão): 11%
- Maria da Consolação (PSOL): 13%
- Túlio Lopes (PCB): 8%
- Rafael Duda (PSTU): 7%
A rejeição elevada tende a dificultar o crescimento de candidaturas no segundo turno, especialmente se o adversário exibir menor resistência junto ao eleitorado.
Eleitor volátil: 63% admitem mudar de posição
Segundo a pesquisa, quase dois terços dos entrevistados afirmam que ainda podem trocar de candidato – em abril, eram 60%. O porcentual dos que se dizem irredutíveis recuou de 38% para 36%. A instabilidade reforça a percepção de que a corrida mineira permanece em aberto e suscetível a fatos novos, como alianças partidárias, desempenho de governo e eventual candidatura de figuras ainda fora do radar.
Metodologia
O levantamento foi contratado pela Genial Investimentos e ouviu 1.482 eleitores em 99 municípios mineiros entre 22 e 26 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%. O estudo está registrado na Justiça Eleitoral sob o código MG-034/90/2026.
