A pouco mais de uma semana do prazo legal para registro das candidaturas, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) insiste que ainda pode assumir a vaga de vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). O otimismo resiste mesmo depois de o Partido Progressistas ter optado pela neutralidade na sucessão de 2026, decisão que, segundo a própria parlamentar, “diminuiu bastante” suas chances.
A liderança do PP no Senado avalia que o jogo só termina “na hora final” — 5 de agosto — e que conversas continuam nos bastidores. Enquanto isso, o PL segue sem anunciar oficialmente quem ocupará a vice-presidência na disputa encabeçada pelo filho do ex-chefe do Planalto.
Recuo do PP embaralha a formação da chapa
Na sexta-feira (31), o comando nacional do PP divulgou nota informando que, após consultar seus diretórios estaduais, decidiu não convocar convenção para apoiar qualquer candidatura à Presidência. Na prática, a legenda permanecerá neutra no primeiro turno e liberará seus filiados para apoios individuais. Tereza Cristina, que havia colocado seu nome à disposição do PL, reconheceu que o posicionamento da sigla impôs um freio às negociações.
“Quando o partido me disse que ficaria neutro, eu me calo e respeito a posição majoritária”, declarou a senadora nesta segunda (3). Ainda assim, ela frisou que permanece disponível: “Até a hora final tem espaço”. O discurso ecoa manifestações de integrantes do PP favoráveis a um alinhamento com o PL, mas qualquer mudança dependerá do presidente da legenda, o senador Ciro Nogueira.
Pressão das bases estaduais
Embora a nota oficial reflita a decisão do diretório nacional, Tereza Cristina relata que alguns estados defendem uma guinada em direção ao palanque bolsonarista. “Tenho visto postagem de algumas executivas que gostariam de participar junto com o PL dessa construção para as próximas eleições”, afirmou. Caso Nogueira reavalie o cenário, os progressistas teriam de convocar nova convenção dentro do calendário definido pela Justiça Eleitoral.
Flávio Bolsonaro busca vice feminina
O PL lançou Flávio Bolsonaro como candidato ao Planalto em 25 de julho. Na convenção, o senador prometeu dar continuidade ao legado do pai, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Supremo Tribunal Federal (STF), além de defender o endurecimento das leis penais. Desde então, reforça a intenção de contar com uma mulher na chapa e chegou a afirmar que Tereza Cristina “aceitou o convite”.
Apesar do aceno, o anúncio oficial não saiu. Internamente, o partido admite duas possibilidades: convencer o PP a ceder a senadora ou registrar uma chapa pura, formada apenas por filiados do PL. A indefinição alimenta especulações e mantém o foco sobre a senadora sul-matogrossense.
Chapa pura como plano B
Se a costura com o PP fracassar, nomes do próprio PL voltam ao radar. A cúpula da legenda avalia que uma formação 100% bolsonarista facilitaria a comunicação de campanha e evitaria contradições programáticas. Por outro lado, perderia o simbolismo de atrair uma liderança de outro partido, algo visto como estratégico para ampliar o arco de alianças no segundo turno.

Imagem: Edils Rodrigues
O cronômetro eleitoral
A legislação fixa em 5 de agosto o limite para que as coligações definam candidatos e protocolizem as chapas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até lá, negociações podem mudar de rumo a qualquer momento, mas cada dia de incerteza reduz o tempo de campanha com a configuração final.
Data-limite concentra decisões
Dirigentes partidários costumam prolongar as tratativas até o último instante na tentativa de obter melhores condições de barganha. No caso de Flávio Bolsonaro, a escolha do vice envolve tanto cálculo eleitoral — atrair o eleitorado feminino e sinalizar moderação — quanto equilíbrio interno, já que o ex-presidente Jair Bolsonaro acompanha de perto cada movimento.
Declarações refletem cautela mútua
Questionada sobre eventual frustração, Tereza Cristina ressalta que sempre condicionou a aceitação ao aval do PP. “Coloquei meu nome à disposição, mas dependia do partido”, explicou. Ao mesmo tempo, evita romper pontes, insistindo que “as conversas continuam”. Do lado do PL, o discurso público é calculado para manter a pressão sobre os progressistas sem descartar alternativas.
Impacto da neutralidade no Congresso
O posicionamento do PP provoca efeitos também na correlação de forças parlamentares. Como líder do partido no Senado, Tereza Cristina precisará conciliar a busca por protagonismo nacional com as diretrizes internas. Já Flávio Bolsonaro, senador em mandato, terá de administrar a convivência com uma bancada que oficializou neutralidade, mas pode dividir palanques em diferentes estados.
Cenário segue aberto até o registro oficial
Até que a ata da coligação seja entregue à Justiça Eleitoral, nada impede mudanças de última hora. O próprio estatuto do PP permite convocar convenção emergencial, caso haja consenso na executiva nacional. Por ora, porém, a decisão divulgada é permanecer neutro, o que reduz, mas não elimina, a chance de Tereza Cristina compor a chapa bolsonarista.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro intensifica viagens e eventos públicos, repetindo a promessa de receber a faixa das mãos do pai em janeiro de 2027. A definição sobre quem estará ao seu lado na foto oficial continua sendo o principal enigma da campanha.
