Disputa de 2026 ganha forma: o que propõem Lula, Flávio Bolsonaro, Zema, Caiado e Renan Santos

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    A campanha presidencial de 2026 começou a sair do papel com uma maratona de convenções que oficializou candidaturas e ofereceu o primeiro retrato claro do discurso de cada concorrente. Em menos de dez dias, Partido Liberal, PT, Novo, PSD e Missão lotaram ginásios, estúdios on-line ou sedes partidárias para carimbar os nomes de Flávio Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos, respectivamente.

    Combate à criminalidade, economia doméstica, legado de governos passados e críticas mútuas dominaram os palanques. A seguir, o que cada presidenciável prometeu, atacou ou defendeu logo após ser confirmado, enquanto o relógio corre para o registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral, que se encerra em 15 de agosto.

    Convenções definem o cenário e renovam a polarização

    Os cinco candidatos aparecem entre os mais lembrados nas pesquisas mais recentes e, juntos, dão o tom de uma disputa ainda marcada pela rivalidade entre lulismo e bolsonarismo. Mesmo assim, cada um tenta ocupar espaço próprio: Caiado oferece “terceira via” conservadora, Zema aposta no perfil gestor e Renan Santos se apresenta como voz de uma geração antipolarização.

    Flávio Bolsonaro (PL): herança do pai e endurecimento penal

    • Convenção: 25 de julho, estádio do Pacaembu, São Paulo
    • Lema: “Deus, pátria, família, liberdade e futuro”

    No evento que oficializou sua candidatura, o senador exibiu no telão uma versão em inteligência artificial do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentado como vítima de injustiças. Com isso, o filho mais velho do ex-mandatário fez da memória paterna o eixo emocional da campanha, prometendo “devolver o Brasil aos brasileiros” e “subir a rampa” ao lado do pai em 2027.

    Nas promessas, o destaque foi o pacote de segurança: redução da maioridade penal para 14 anos em crimes de estupro, castração química de pedófilos e alerta contra uma suposta “ditadura petista” caso Lula indique novos ministros ao Supremo Tribunal Federal. Os ataques ao PT focaram em corrupção, carga tributária alta e “incompetência econômica”.

    Lula (PT): legado do PAC e foco em educação e idosos

    • Convenção: 2 de agosto, Expo Center Norte, São Paulo
    • Lema não oficial: “Lulinha porreta”

    Na sétima corrida presidencial da carreira, Lula comparou eleições a Copas do Mundo e afirmou não precisar “inventar promessas”, alegando que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento já comprovam sua capacidade de entrega. Reeleito em 2022, ele apresentou a próxima gestão como oportunidade para “solucionar de vez” falhas históricas da educação e criar políticas de lazer e dignidade para a população idosa.

    O petista carimbou bandeiras sociais: ampliou o pacto de combate ao feminicídio, repetiu que agressores de mulheres não são bem-vindos em sua base e defendeu lei que obriga pensão alimentícia via Pix. Em defesa da soberania, quer investir na indústria de defesa — inclusive com fabricação nacional de drones — e explorar terras raras e minerais críticos, além de acelerar a transição energética para neutralizar a “extrema-direita climática”.

    Renan Santos (Missão): “geração de sacrifício” contra bolha PT-PL

    • Convenção: 1º de agosto (videoconferência) e ato presencial em São Paulo
    • Meta-síntese: tornar o Brasil uma das cinco maiores economias em 30 anos

    Fundador do MBL, Renan Santos inaugurou a candidatura sem grandes palcos, mas com discurso inflamado contra o “sonho maldito” do PT e a “farsa” do bolsonarismo. Recusou o rótulo de terceira via e se apresentou como representação de uma nova geração que pretende trabalhar duro — daí o termo “geração de sacrifício”.

    Entre metas numéricas, promete reduzir homicídios a menos de 10 mil casos anuais, derrubar juros para abaixo de 6% e alfabetizar 90% das crianças. Alfinetou antigos aliados, chamando Flávio Bolsonaro de “farsante” e Sérgio Moro de “escravo” de velhas práticas, posicionando-se como alternativa moral e programática.

    Romeu Zema (Novo): choque de gestão e superpresídio na Amazônia

    • Convenção: 30 de julho, Belo Horizonte
    • Slogan informal: “Brasil real”

    Apresentando-se como empresário que largou privilégios, o ex-governador mineiro disse “não ter rabo preso” e citou a própria folha corrida como antídoto ao que chama de “velha política”. Criticou o PT pela recessão e pelo caos fiscal deixado em Minas Gerais, contando que governou o estado como “voluntário”.

    Na segurança pública, propõe classificar facções como organizações terroristas e erguer um “superpresídio” de segurança máxima na Amazônia, inspirado no modelo de El Salvador para sufocar lideranças do crime. Na economia, promete replicar o ambiente de negócios que, segundo ele, atraiu investimentos recordes para Minas e pode reverter o “êxodo” de brasileiros ao exterior.

    Ronaldo Caiado (PSD): “galo de terreiro” aposta no histórico de Goiás

    • Convenção: 26 de julho, sede nacional do PSD, São Paulo
    • Vice confirmado: Gilberto Kassab

    Com quatro décadas de vida pública, o ex-governador goiano comparou seu estado a um “laboratório” de políticas que pretende aplicar no país, citando indicadores que situariam Goiás entre os líderes nacionais em educação e segurança. Chamou Lula e o bolsonarismo de “maiores rejeitados da política” e se disse pronto para enfrentá-los em debates.

    Caiado quer endurecer o combate ao narcotráfico em nível federal, vendendo-se como a única candidatura capaz de “libertar” o país tanto do crime organizado quanto do “petismo”. Ao lado de Kassab, tenta construir ponte com partidos de centro, apresentando-se como alternativa à polarização sem romper com o eleitorado conservador.

    Prazos e próximos passos

    Com as convenções encerradas, as siglas têm até 5 de agosto para confirmar eventuais vices pendentes e até o dia 15 para registrar oficialmente chapas e planos de governo no TSE. A propaganda eleitoral começa em 20 de agosto e, até lá, os candidatos devem ajustar estratégias, montar palanques estaduais e intensificar a circulação dos primeiros jingles — alguns já produzidos com recursos de inteligência artificial.

    O calendário ainda reserva debates televisionados, divulgação de pesquisas registradas e eventuais impugnações de candidaturas. Entre promessas de castração química, superpresídio, drones nacionais e alfabetização em massa, o eleitor poderá medir quem entrega resultados e quem apenas eleva o tom, enquanto o país decide o rumo que tomará a partir de 2027. {internal_links}

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.