A disputa presidencial de 2026 ganha um termômetro decisivo nesta quarta-feira (5), quando a Quaest apresenta a primeira pesquisa desde que o presidente argentino Javier Milei subiu ao palco da convenção que oficializou Flávio Bolsonaro (PL) e declarou apoio ao senador. O levantamento também chega no momento em que a Polícia Federal abriu dois inquéritos para apurar suposto tráfico de influência do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os novos números medem o efeito combinado desses dois episódios, além de sinalizarem como a largada oficial das convenções partidárias reorganizou forças na corrida ao Planalto. Entre 31 de julho e 3 de agosto, 2.004 eleitores foram ouvidos em 120 municípios. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06591/2026 e foi encomendada pela Genial Investimentos.
O que está em jogo na nova rodada
Esta é a primeira sondagem da Quaest já sob clima de campanha, com candidaturas confirmadas e estratégias testadas publicamente. O questionário aborda diretamente o impacto do apoio estrangeiro de Milei, o uso de inteligência artificial para simular a voz e a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro — impedido de se pronunciar politicamente por decisão judicial —, além da reconciliação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A intenção é capturar como tais lances repercutem na decisão de voto e na avaliação dos candidatos.
Participação de Milei e repercussão entre eleitores
Milei foi o convidado de honra da convenção do PL, em 25 de julho, em São Paulo. Ao lado de Flávio Bolsonaro, afirmou que o senador “é quem pode frear Lula” em 2026. A Quaest perguntou se o eleitor já conhecia essa informação e se o gesto do presidente argentino aumenta as chances de votar em Flávio, em Lula ou em outro nome. O resultado indicará se o respaldo internacional turbinou a candidatura do PL ou se produziu reação contrária no eleitorado.
Vídeo em IA e restrições impostas a Jair Bolsonaro
No mesmo evento, o PL exibiu um vídeo gerado por inteligência artificial que trazia a imagem e a voz de Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. O instituto questiona se o uso desse recurso, identificado como montagem, é aceito ou rejeitado pelos entrevistados, além de apurar a percepção sobre a proibição de visitas a Bolsonaro, que também alcança o próprio filho Flávio. As respostas podem indicar o grau de sensibilidade do público às determinações judiciais e ao emprego de tecnologias de deepfake na campanha.
Urnas eletrônicas e observadores internacionais
Outro ponto medido é a fala de Flávio Bolsonaro diante de representantes de cerca de 40 países. Ele pediu a presença de observadores internacionais para, segundo ele, “reduzir problemas” na eleição e levantou dúvidas sobre eventual uso de urnas eletrônicas fabricadas por uma empresa venezuelana. A Quaest apura se essas declarações aumentam, diminuem ou não alteram a propensão de voto no senador.
Michelle de volta ao palanque
Após meses de distanciamento, Michelle e Flávio Bolsonaro fizeram as pazes publicamente. A pesquisa quer saber se a união do casal político repercute positivamente, negativamente ou de forma neutra entre os eleitores, e se a presença ativa da ex-primeira-dama eleva as chances de vitória para o PL.
Investigações contra o filho de Lula entram no radar
Do lado petista, a Quaest capta o impacto das investigações sobre Lulinha, autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Em um dos inquéritos, a PF apura se o filho do presidente atuou junto ao Ministério da Saúde para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. No outro, a suspeita envolve possível interferência na Dataprev, estatal de processamento de dados. A defesa de Fábio Luís nega irregularidades e afirma que ele jamais buscou beneficiar interesses privados no governo.
Embora o alvo seja o filho, o entorno de Lula reconhece que qualquer desgaste pode respingar no próprio presidente, sobretudo quando o noticiário policial coincide com a fase inicial da campanha. A pesquisa procura mensurar se as denúncias influenciam a disposição do eleitor de votar no petista e se abrem espaço para seus adversários.

Imagem: Internet
Cenários testados para primeiro e segundo turnos
No primeiro turno, o instituto manteve 12 nomes no cartão de estímulo:
- Cabo Daciolo (Mobiliza)
- Clariana Barão (DC) – estreante, após a desistência de Joaquim Barbosa
- Edmilson Costa (PCB)
- Augusto Cury (Avante)
- Flávio Bolsonaro (PL)
- Hertz Dias (PSTU)
- Leonardo Avalanche (PRTB)
- Lula (PT)
- Renan Santos (Missão)
- Romeu Zema (Novo)
- Ronaldo Caiado (PSD)
- Samara Martins (UP)
Para o segundo turno, quatro confrontos foram simulados, todos envolvendo Lula: contra Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. A variação comparada a rodadas anteriores permitirá avaliar a resiliência do favoritismo do petista ou a ascensão de adversários específicos.
Por que a leitura desta quarta é considerada crucial
A esta altura, as campanhas buscam sinais sobre como discursar em debates, definir alianças regionais e calibrar a presença de figuras de apoio. Se o respaldo de Milei mostrar fôlego, o PL tende a intensificar a retórica “libertária” e ampliar pontes com a direita latino-americana. Caso os inquéritos envolvendo Lulinha avancem nas manchetes e impactem negativamente o governo, adversários podem explorar a narrativa anticorrupção antes mesmo do horário eleitoral.
Ao mesmo tempo, o levantamento registra a recepção popular às novas ferramentas de comunicação política, como os vídeos com inteligência artificial, e à judicialização do pleito, evidenciada pelas restrições a Jair Bolsonaro e pelo pedido de observadores estrangeiros. Esses elementos servirão de bússola para marqueteiros e estrategistas já nas próximas semanas.
Agenda e próximos passos
A Quaest divulgará os resultados completos na manhã de quarta (5). Gráficos de intenção de voto, avaliação de governo e retratos regionais serão comparados com a rodada de julho, a última antes das convenções. Dirigentes partidários esperam acompanhar minuciosamente os cruzamentos por renda, gênero e faixa etária, em especial para detectar se algum segmento reagiu de forma pronunciada ao discurso de Milei ou às acusações contra Lulinha.
Com menos de dois meses até o início da propaganda em rede nacional, cada ponto percentual capturado ou perdido agora pode determinar estratégias de alianças, distribuição de recursos do fundo eleitoral e, em última instância, a configuração dos palanques estaduais.
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