PL lança Flávio Bolsonaro à Presidência em convenção marcada por apelos ao legado do pai e ataques ao PT

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    Com o Estádio do Pacaembu lotado por apoiadores, o Partido Liberal oficializou, em 25 de julho, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) à Presidência da República. O evento transformou-se em ato de desagravo ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por decisão judicial, e em plataforma para o filho mais velho do capitão prometer “resgatar o Brasil” de governos petistas, ataques à liberdade de expressão e alta carga tributária.

    Sem anunciar o nome do vice – cargo que segue em aberto –, Flávio falou por aproximadamente 40 minutos. Intercalou lembranças pessoais do pai, críticas severas ao presidente Lula e menções a temas caros à base conservadora, como redução de impostos, endurecimento penal e defesa da família. Abaixo, os principais pontos do discurso e do encontro que marca o início da campanha de 2026.

    Filho mais velho de Jair Bolsonaro assume o protagonismo

    Ao subir ao palco ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, o senador abriu a fala emocionado com a imagem do pai projetada em telão por inteligência artificial. Disse que o ex-presidente “defendeu a liberdade com a própria vida” e hoje é vítima de “injustiça” por estar preso. Segundo ele, a candidatura representa “o resgate do Brasil” e carrega “a esperança de um país inteiro que não aguenta mais ser refém da corrupção, do medo e da inflação”.

    Pela primeira vez, Flávio aparece como cabeça de chapa depois de anos atuando como braço político do pai. Ele reconheceu publicamente o peso do sobrenome, afirmou ter “sangue de Bolsonaro” e garantiu que seu estilo, “mais calmo e moderado”, não significará recuo nas bandeiras que ele considera fundamentais: liberalismo econômico, combate ao crime e enfrentamento ao que chamou de “censura” nas redes sociais.

    Críticas diretas a Lula, PT e Supremo

    Parte central do pronunciamento foi dedicada a ataques ao Partido dos Trabalhadores. Flávio acusou a sigla de ter tido “três mandatos para fazer e não fez” e disse que “quem não entregou em 18 anos não merece uma nova chance”. Mencionou a criação de novos tributos “a cada três dias” e classificou Lula como governante que “defende bandido” e “persegue o próprio povo”.

    Ele também mirou o Supremo Tribunal Federal, alertando para a possibilidade de Lula indicar até quatro novos ministros durante o próximo mandato. “Imaginem mais quatro Alexandre de Moraes”, provocou, afirmando que isso ampliaria riscos à liberdade de imprensa e de expressão.

    Perseguição política e tentativas de “matar” Jair Bolsonaro

    Flávio repetiu a narrativa de que o pai teria sido alvo de três atentados: o esfaqueamento de 2018, a prisão junto a “mais de 100 inocentes” e o atual “isolamento” que o impede de participar da campanha. Declarou que o objetivo seria barrar a continuidade do projeto bolsonarista, mas garantiu: “Eles não vão nos intimidar”.

    Agenda de governo: segurança, impostos e mudanças constitucionais

    Embora sem apresentar um programa formal, o candidato prometeu:

    • “Libertar o país do cativeiro” de impostos altos, com compromisso de revisar tributos e desonerar a produção;
    • Endurecer leis penais, incluindo prisão como adulto para estupradores a partir de 14 anos e castração química para abusadores de crianças;
    • Valorizar professores, oferecer vagas em creches, reduzir filas no SUS e respeitar produtores rurais;
    • Trabalhar “com um Congresso ainda mais à direita” para alterar a Constituição e aumentar penas contra corrupção e violência doméstica.

    Flávio afirmou que usará a maioria parlamentar a ser eleita pelo PL e partidos aliados para aprovar reformas estruturais. Reforçou ainda a defesa da independência entre os Poderes e apelou à base conservadora para “estufar o peito” sempre que desanimar.

    Tom religioso e apelo à mobilização

    O senador citou o versículo bíblico Provérbios 29:2 – “Quando os justos governam, o povo se alegra” – e disse assumir a missão “diante de Deus e da nação brasileira”. Encerrou convocando militantes a pintar o país “de azul, branco, verde e amarelo” e prometeu que, em 1.º de janeiro de 2027, Jair Bolsonaro “subirá a rampa” com ele. “O nome disso não é revanche. É justiça”, concluiu.

    Vice indefinido e próximos passos da campanha

    Apesar de especulações envolvendo militares e nomes do agronegócio, o PL preferiu adiar a escolha do vice para ampliar negociações. Dirigentes do partido dizem buscar um perfil que agregue votos no Centro-Oeste ou no Sudeste e ajude a furar resistências de eleitorado moderado.

    Nos bastidores, a equipe de Flávio trabalha para transformar a narrativa da prisão do ex-presidente em combustível eleitoral. A campanha pretende percorrer todos os estados até dezembro, com eventos que misturem atos religiosos, motociatas e visitas a polos agrícolas, repetindo a estratégia de 2018 adaptada ao novo protagonista.

    Repercussão entre aliados e oposição

    Governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Rogério Marinho (PL-RN) compareceram à convenção e declararam apoio. Parlamentares bolsonaristas reagiram com entusiasmo nas redes, enquanto lideranças petistas classificaram o discurso de “radical” e “incompatível com a democracia”.

    Analistas políticos veem na candidatura uma tentativa de manter o capital eleitoral de Jair Bolsonaro vivo, mesmo com o ex-presidente fora da disputa. Pesquisas internas do PL indicam que a transferência de votos ainda é incerta, razão pela qual o partido aposta numa forte presença digital e em agendas simbólicas, como visitas a cidades marcadas por episódios de insegurança pública.

    Calendário eleitoral e desafios jurídicos

    Até o início oficial da campanha, em agosto de 2026, Flávio precisará equilibrar a agenda no Senado e a corrida presidencial. Adversários avaliam acionar a Justiça Eleitoral caso ele utilize estruturas do mandato para eventos de pré-campanha, mas a equipe jurídica do PL diz estar preparada para contestar representações.

    Também pesa a incerteza sobre a situação de Jair Bolsonaro. Uma eventual condenação definitiva pode reforçar o discurso de perseguição, mas especialistas alertam que decisões judiciais podem afetar o ânimo de parte do eleitorado mais moderado. O senador, por sua vez, repete que “o preço já foi pago” e insiste em transformar o processo do pai em bandeira de campanha.

    Perspectivas

    Com a candidatura oficializada, o PL inaugura o ciclo eleitoral de 2026 pautando temas como segurança, liberdade de expressão e crítica aos impostos. Resta saber se Flávio Bolsonaro conseguirá converter o legado familiar em capital político próprio e, sobretudo, se manterá a base unida até a escolha do vice. O próximo teste de força será a filiação de candidatos ao Legislativo, quando o partido medirá o tamanho real da “onda azul” que pretende levar de volta ao Planalto.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.