O Partido Novo confirmou, em 27 de julho, o nome do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema como candidato à Presidência da República em 2026. Durante discurso em Brasília, transmitido pela internet aos filiados, Zema adotou tom de confronto: criticou o governo Lula, atacou ministros do Supremo Tribunal Federal e disse que o país “não aguenta mais quatro anos de PT”.
Diante de correligionários e do presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, o empresário mineiro afirmou reunir “todas as credenciais” para ocupar o Planalto, citou a administração estadual sem escândalos de corrupção e prometeu uma agenda de choque na segurança pública, com enquadramento de facções como organizações terroristas e a construção de um superpresídio “em local remoto da Amazônia”.
Convenção virtual oficializa candidatura
A homologação ocorreu ao fim da convenção nacional do Novo, realizada virtualmente. Por unanimidade, os delegados endossaram o nome de Zema, que governou Minas Gerais de 2019 a 2026 e já presidiu um grupo varejista fundado por sua família no interior do estado. No evento, o ex-governador agradeceu o apoio e entregou à Justiça Eleitoral uma carta em que se compromete a abrir mão do salário presidencial, como fez no Palácio Tiradentes.
Eduardo Ribeiro classificou a escolha como a “mais coerente” com a trajetória do partido, que pretende ampliar a bancada no Congresso. Segundo ele, o Novo quase multiplicou por dez o número de vereadores e prefeitos em Minas nas eleições municipais de 2024 e agora mira um resultado “cirúrgico” em nível federal.
Ataques ao PT e ao Supremo
Em quase uma hora de fala, Zema recuperou manchetes da crise fiscal mineira para responsabilizar a gestão petista de Fernando Pimentel pelos atrasos de repasses a municípios e salários de servidores. Disse ter concorrido ao governo do estado motivado pelo “desastre” e afirmou que sua gestão “fez um governo horrível em gerar notícias de corrupção, porque não teve”.
O pré-candidato em seguida ampliou o alvo. Relembrou escândalos como mensalão e Lava Jato para afirmar que “populismo puro e demagogia contínua” continuam a orientar o atual governo federal. Ao falar do STF, mencionou investigação movida pelo ministro Gilmar Mendes contra ele e ironizou: “Quem andou de jatinho de banqueiro bandido não fui eu”.
Segurança pública: facções terroristas e superpresídio
Zema prometeu classificar facções criminosas como grupos terroristas logo no início do mandato. A inspiração, disse, veio de El Salvador, país que, segundo ele, reduziu homicídios em 99% ao adotar encarceramento em massa. O ex-governador mostrou intenção de endurecer a legislação penal: no segundo ou terceiro delito, o suspeito aguardaria julgamento preso.
Para isolar lideranças do crime, o candidato defendeu erguer um presídio de segurança máxima “no meio da Amazônia”, onde presos devem cumprir ao menos 25 anos em regime fechado. Ele também criticou as audiências de custódia, relatando o caso de um detido com 88 passagens por furto de celular em Minas que, segundo Zema, foi repetidamente solto.

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Corte de privilégios e exemplo pessoal
No campo moral, o ex-governador lembrou que dispensou palácio oficial, voo de helicóptero diário e 32 funcionários domésticos ao assumir o Executivo mineiro. Disse ter economizado R$ 4 milhões anuais com a medida e declarou nunca ter nomeado parentes nem permitido contratos de familiares com o estado. “Estou na porta do galinheiro com uma espingarda; nenhuma raposa sequer aproximou”, provocou.
Zema frisou ainda que doou o salário de governador e continuará a fazê-lo caso seja eleito presidente. Para ele, bons exemplos no setor público são mais escassos que recursos financeiros: “O problema aqui não é falta de dinheiro, é sobra de ladrão”.
Agenda econômica: atração de investimentos e elogio ao agro
O candidato afirmou ter conduzido Minas Gerais a uma “reviravolta” na última década, citando dados do Caged que apontariam a criação de mais de um milhão de empregos formais no estado. Segundo ele, mais de R$ 530 bilhões foram atraídos em novos investimentos privados entre 2019 e 2026, o que teria revertido a perda de participação do estado no PIB nacional.
Na esfera macroeconômica, defendeu câmbio estável ancorado nas reservas internacionais e elogiou o agronegócio, setor que, a seu ver, garante a segurança cambial brasileira. Ao lembrar que o PT foi contra o Plano Real e, “mais uma vez”, critica o agro, sentenciou: “Tudo que está certo neste país, o PT não gosta”.
Estratégia eleitoral e ambição parlamentar
Zema reconheceu que o Novo “nunca será um partidão” de 80 deputados, mas planeja eleger a maior bancada de sua história. Além de disputar o Planalto, a sigla aposta em candidaturas competitivas ao Senado e à Câmara, contando com a vitrine do governo mineiro e com o discurso anticorrupção para atrair eleitores.
Encerrando a fala, o presidenciável lembrou a recessão de 2015-2016 como fator que o levou à política e prometeu transformar o Brasil em “terra de oportunidades”, onde cidadãos “não tenham medo de usar o celular na rua”. “Já deu certo em Minas, vai dar certo no Brasil”, concluiu, sob aplausos.
