Em Belo Horizonte, Caiado associa apoio a Lula e Flávio Bolsonaro a “síndrome de Estocolmo” e eleva tom na pré-campanha

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    Durante visita à 43ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador, em Belo Horizonte, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) acusou os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro de agirem com “síndrome de Estocolmo”. O termo, que descreve laços afetivos entre vítimas e agressores, foi usado para explicar, segundo ele, como dois políticos com índices de rejeição próximos de 50 % ainda conservam apoio numeroso na disputa de 2026.

    Caiado aproveitou o evento para confrontar diretamente o presidente petista, questionando o que chama de “uso da máquina do governo” para proteger o filho Fábio Luís Lula da Silva, alvo de inquérito recém-aberto pela Polícia Federal. Também atacou a condução da diplomacia brasileira, afirmando que Lula cria “desgastes desnecessários” com Estados Unidos, Argentina e Paraguai.

    Crítica aos polos extremos

    Questionado sobre um possível segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o senador goiano — que se desincompatibilizou do governo estadual em abril — citou levantamento interno com empate técnico de rejeição: “São os dois campeões de antipatia da política nacional. Mesmo assim, permanecem competitivos. Isso beira a síndrome de Estocolmo: parte do eleitor se acostumou com o agressor e defende aquilo que o prejudica”. A referência médica, apesar de popular, não é reconhecida como transtorno formal pelos manuais de psiquiatria.

    Eleição de 2026 entra em campo

    No calendário eleitoral, partidos começam a medir a temperatura das bases antes das convenções do próximo ano. Caiado tenta se apresentar como alternativa ao que chama de “polarização tóxica” que, na avaliação dele, “paralisa o país”. Embora apareça distante dos líderes nas primeiras pesquisas, o ex-governador aposta numa rejeição acumulada dos dois polos para abrir espaço no centro-direita.

    Ataques diretos a Lula

    Ao comentar a investigação da PF sobre contratos de empresas ligadas a Fábio Luís, o pré-candidato afirmou que o Palácio do Planalto estaria “movimentando engrenagens” para arrefecer o caso. “A sociedade quer saber se o presidente considera ético lançar mão da máquina pública para abafar denúncia envolvendo a própria família, algo que, segundo ele, se repete há duas décadas”, disse.

    Reação do Planalto

    Até o momento, o governo federal não comentou as declarações. Auxiliares do presidente afirmam, em off, que a investigação seguirá rito normal e que o Executivo não interfere em órgãos de controle.

    Diplomacia em debate

    O peessedista citou três episódios recentes para ilustrar o que chama de “isolamento diplomático”: o atrito com o presidente argentino Javier Milei, a troca de farpas com Donald Trump — favorito nas primárias republicanas nos EUA — e a tensão com o Paraguai por causa de declarações sobre Itaipu e armas apreendidas. “Estamos comprando briga com parceiros estratégicos e prejudicando negócios que geram emprego”, pontuou.

    Argentina, EUA e Paraguai no alvo

    • Argentina: declarações de Lula sobre o governo Milei teriam levado a adiamento de reunião bilateral;
    • Estados Unidos: críticas ao ex-presidente Trump elevaram o tom entre apoiadores republicanos;
    • Paraguai: cobrança pública pela devolução de canhões do Exército guarani esquentou a fronteira diplomática.

    O conceito de “síndrome de Estocolmo”

    O termo surgiu em 1973, quando assaltantes mantiveram reféns por seis dias em um banco sueco; após o sequestro, vítimas manifestaram solidariedade aos criminosos. Embora popular na cultura pop, a expressão não figura como diagnóstico no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Profissionais de saúde mental a utilizam mais como metáfora para relações abusivas sustentadas por dependência emocional ou econômica.

    Uso político do jargão

    A associação entre lealdade eleitoral e vínculo de refém não é nova. Sociologicamente, teóricos descrevem votações reiteradas em líderes acusados de corrupção ou autoritarismo como resultado de identidades partidárias cristalizadas, falta de alternativas ou benefícios clientelistas. Caiado, médico de formação, recorreu ao paralelo para reforçar seu discurso antipolarização.

    Peso eleitoral de Lula e Flávio Bolsonaro

    Levantamentos recentes do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope não é mais Ibope?) e de institutos regionais apontam Lula com algo entre 35 % e 38 % das intenções de voto, contra 18 % a 22 % de Flávio Bolsonaro. Ambos, porém, registram taxas de rejeição que variam de 45 % a 52 %. Para analistas, o cenário de segundo turno permanece indefinido porque cerca de um terço do eleitorado ainda busca alternativas.

    Estratégia de Caiado

    O ex-governador pretende ocupar esse espaço incomodado com a disputa petistas x bolsonaristas, exibindo o histórico de gestor com equilíbrio fiscal em Goiás e a defesa do agronegócio. No PSD, encontra respaldo do presidente da sigla, Gilberto Kassab, que negocia alianças com partidos de centro e centro-direita.

    Repercussão entre militantes

    Nas redes sociais, bolsonaristas e petistas reagiram em uníssono: classificaram a fala como “ofensiva” e “desrespeitosa”. Deputados da base do governo lembraram que Caiado apoiou Jair Bolsonaro em 2018; já aliados do clã Bolsonaro afirmaram que ele “morde a mão que o alimentou”. Assessores do goiano retrucam que o país “cansou de extremismo” e que “a crítica vale para ambos os lados”.

    Próximos lances da pré-campanha

    Depois de Belo Horizonte, Caiado agenda viagens ao interior de São Paulo e ao norte do Paraná para visitar feiras agropecuárias. A meta é reforçar o apoio do setor rural, base tradicional do partido. Ele também pretende apresentar proposta de reforma tributária simplificada e um plano de segurança pública que expanda a experiência da patrulha rural goiana para o restante do país.

    Calendário

    1. Agosto: encontros do PSD com diretórios estaduais para colher sugestões ao programa de governo;
    2. Setembro: seminários temáticos em Brasília sobre economia verde e bioenergia;
    3. Outubro: filiação de lideranças regionais e fortalecimento das chapas proporcionais;
    4. Novembro: primeiro grande comício em Goiânia com apoio de prefeitos do Centro-Oeste.

    Perspectivas

    A aposta de Caiado numa “via racional” dependerá de sua capacidade de ampliar notoriedade nacional e de sobreviver a ataques simultâneos de petistas e bolsonaristas. Ao adotar a imagem de clínico que diagnostica a “dependência” do eleitor, ele tenta se diferenciar. Resta saber se o eleitorado aceitará o tratamento ou continuará fiel aos velhos prescritores.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.