Déficit das estatais federais atinge R$ 7,8 bi no primeiro semestre e ultrapassa recorde anual de 2024

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    As empresas estatais controladas pela União anotaram um rombo de R$ 7,8 bilhões entre janeiro e junho, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O buraco, que mede a diferença entre receitas e despesas na ótica “abaixo da linha”, é o maior já registrado para um primeiro semestre desde o início da série histórica em 2002 e já supera o resultado negativo acumulado em todo o ano de 2024, quando o déficit chegou a R$ 6,73 bilhões.

    Os números reforçam o alerta de órgãos técnicos, como a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, sobre o rápido enfraquecimento das finanças de parte significativa das companhias públicas e o risco potencial para o Tesouro Nacional. As projeções oficiais, apresentadas pelo governo na prévia do Orçamento de 2027, indicam que o vermelho deve permanecer até, pelo menos, 2030.

    O que entra na conta do Banco Central

    A estatística compilada pelo BC exclui Petrobras, Eletrobras e os bancos controlados pelo governo federal, focando em empresas que, em geral, dependem do orçamento da União para cobrir parte de seus compromissos. No grupo estão Correios, Infraero, Casa da Moeda, Serpro, Dataprev, Emgepron, Hemobrás e Emgea, entre outras. O critério utilizado — variação da dívida — é o mesmo empregado em análises fiscais internacionais.

    Com esse filtro, a autarquia mostra uma piora expressiva do resultado desde 2023. Até então, o pior semestre havia ocorrido em 2025, com déficit de R$ 3,9 bilhões (nominais). Neste ano, o desequilíbrio praticamente dobrou.

    Projeções indicam rombo persistente

    No Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, o Ministério do Planejamento reconhece que o conjunto das estatais continuará no negativo durante todo o horizonte de cinco anos analisado. A justificativa central aponta perda de receitas em mercados mais concorridos, envelhecimento de ativos e passivos trabalhistas elevados.

    IFI vê “deterioração perceptível”

    Em relatório divulgado em julho, a IFI avalia que os dados financeiros confirmam um enfraquecimento relevante da saúde de várias estatais. Apesar de reconhecer que a situação não é homogênea nem decorre de causa única, o órgão destaca que o quadro pressiona o Tesouro, responsável final por honrar eventuais empréstimos com garantia da União.

    Risco fiscal ampliado

    • Aumento do endividamento com aval federal;
    • Recorrência de resultados negativos;
    • Necessidade de aportes de capital ou de coberturas de prejuízo;
    • Maior probabilidade de pedidos de socorro em cenário de aperto orçamentário.

    Correios puxam o déficit recorde

    Principal peso na conta, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e continua sangrando em 2026, mesmo após a adoção de um plano de reestruturação que envolve corte de custos, revisão de planos de saúde e previdência, venda de imóveis e reajuste de tarifas.

    Receitas em queda depois do pico da pandemia

    Durante o isolamento social, o comércio eletrônico impulsionou as encomendas postais e turbinou o caixa da estatal. O movimento perdeu força em 2023 e se estabilizou em 2024, enquanto as receitas de cartas e de postagens internacionais encolheram. A introdução do programa Remessa Conforme, que alterou a taxação de compras externas, também reduziu o volume de pacotes vindos do exterior.

    Pressão de custos trabalhistas e judiciais

    No lado das despesas, a empresa enfrenta:

    1. Altos desembolsos com pessoal, impulsionados por acordos coletivos recentes;
    2. Reconhecimento de obrigações com o fundo de pensão Postalis, que eleva despesas financeiras;
    3. Crescimento de precatórios e requisições de pequeno valor;
    4. Reajustes de contratos de transporte aéreo e terrestre, sensíveis ao preço dos combustíveis;
    5. Provisões cada vez maiores para processos trabalhistas e cíveis.

    Empréstimos bilionários para manter operações

    Em dezembro de 2025, a ECT tomou R$ 12 bilhões de um consórcio de bancos, com aval do Tesouro. Em fevereiro deste ano, o Conselho Monetário Nacional liberou espaço adicional de até R$ 8 bilhões em financiamentos com garantia da União. Na prática, caso a estatal não honre os pagamentos, o ônus recai sobre as contas públicas.

    Nova frente de negócios

    Para tentar diversificar a fonte de receitas, o governo autorizou os Correios a vender seguros, títulos de capitalização e a atuar como operadora virtual de telefonia, por meio de parcerias com instituições financeiras e empresas do setor. A expectativa, porém, é de que a empresa registre “elevado prejuízo” também em 2026, segundo o próprio PLDO.

    Déficit das estatais federais atinge R$ 7,8 bi no primeiro semestre e ultrapassa recorde anual de 2024 - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Outras estatais em terreno delicado

    Além dos Correios, companhias como Infraero e Casa da Moeda enfrentam desafios semelhantes. A administradora de aeroportos sofre com a perda de terminais para concessões privadas e queda de receitas comerciais, enquanto a Casa da Moeda lida com a redução de demanda por cédulas e passaportes.

    Infraero

    Sem a maior parte dos aeroportos lucrativos em seu portfólio, a empresa vive um processo de readequação, que inclui programas de demissão voluntária e revisão de contratos. Ainda assim, analistas do mercado estimam que a estatal precisará de injeções periódicas de capital se a malha remanescente não for privatizada.

    Casa da Moeda

    A queda no uso de dinheiro em espécie, combinada à impressão terceirizada de passaportes, corroeu a receita recorrente. Novos contratos para produzir selos e documentos de segurança são considerados essenciais para garantir fluxo de caixa mínimo.

    Impacto para as contas públicas

    Embora o déficit de R$ 7,8 bilhões represente fração modesta do Produto Interno Bruto, o resultado liga o sinal de alerta porque:

    • Aumenta a dívida bruta da União;
    • Pode exigir aportes diretos do Tesouro;
    • Reduz espaço orçamentário para outras despesas;
    • Piora a percepção de investidores sobre a disciplina fiscal.

    Conceitos diferentes, problema igual

    O governo costuma divulgar o desempenho das estatais pelo critério “acima da linha”, que soma receitas e despesas operacionais e financeiras antes do pagamento de juros da dívida. Já o Banco Central usa o “abaixo da linha”, que apura diretamente a necessidade de financiamento. Apesar das metodologias distintas, ambas apontam deterioração nos últimos anos.

    Próximos passos do governo

    Autoridades estudam combinar privatizações, concessões e reestruturações internas para conter o rombo. Entretanto, as tratativas esbarram em resistências políticas e na necessidade de preservar serviços considerados estratégicos ou sociais.

    Agenda de decisões

    • Revisão das garantias concedidas às estatais em novas captações;

    • Análise caso a caso de alienação de participações minoritárias;

    • Definição, até o fim do ano, de metas de resultado primário por empresa;

    • Avaliação de eventual aportes emergenciais no Orçamento de 2027.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.