O pré-candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, e o presidenciável do Missão, Renan Santos, intensificaram o embate pelo eleitorado identificado como “antissistema”. A troca de farpas ganhou força após avanços discretos de Renan nas últimas pesquisas de intenção de voto, ainda dentro da margem de erro.
Durante uma sabatina promovida pelo grupo Derrubando Muros, Zema afirmou que o adversário “atira para todos os lados” ao apresentar promessas que, segundo ele, desconhecem a realidade da gestão pública. “Quem nunca administrou nada acaba prometendo tudo”, ironizou o ex-governador de Minas Gerais, que também chegou à política sem experiência prévia quando foi eleito em 2018.
Renan, de 42 anos, tem se posicionado como o único nome da direita a crescer, mesmo que timidamente, nos levantamentos eleitorais. Esse desempenho pressiona a estratégia de Zema de se consolidar como o principal outsider da disputa. Cenários divulgados por diferentes institutos apontam empate técnico entre Renan Santos, Romeu Zema e o também pré-candidato de direita Ronaldo Caiado (PSD).
Zema questionou a metodologia de alguns levantamentos em que Renan aparece em destaque, argumentando que grande parte dessas pesquisas é feita pela internet, o que, segundo ele, não representaria adequadamente o eleitorado brasileiro.
Mesmo em conflito recente com Flávio Bolsonaro (PL), Zema voltou a acenar ao bolsonarismo. Defendeu a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso sob acusação de articular uma tentativa de golpe, mas admitiu a possibilidade de um novo julgamento “com pessoas mais isentas”. Também prometeu cortar gastos públicos e, mediante reformas, reduzir a taxa básica de juros para aproximadamente 6,5%.
No sábado anterior, Renan Santos participou de um evento do MBL, em Belo Horizonte, onde declarou que Zema “nunca foi outsider” e que estaria vivendo “uma crise de identidade partidária”. Para o fundador do movimento, o ex-governador “é parte da elite mineira” e seus aliados empresariais “lucraram” com sua gestão.
Imagem: Agência O Globo
O encontro do MBL reservou críticas duras ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Renan comparou-se ao parlamentar, afirmando haver “diferença de QI e caráter” e classificando o deputado como “influencer falso”.
À imprensa, o presidenciável do Missão afirmou que pretende alcançar 10% das intenções de voto em breve, mirando principalmente quem votou em branco ou nulo na eleição passada e eleitores cansados da polarização. Segundo ele, somente após atingir dois dígitos buscará conquistar o eleitorado de Flávio Bolsonaro. Renan avaliou ainda que a Copa do Mundo reduz a atenção ao debate político, dificultando a expansão de sua campanha neste momento.
Com informações de O Globo