Tempestade coloca 549 municípios de RS e SC em alerta máximo do Inmet

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    Uma área de baixa pressão sobre o Sul do país somada ao avanço de uma frente fria levou o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a publicar, às 10h desta terça-feira (28), um aviso vermelho – o grau mais grave da escala – para 549 municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A notificação permanecerá em vigor até o meio-dia de quarta (29) e já mobiliza defesas civis estaduais frente ao potencial de chuva superior a 100 mm em 24 horas, ventos que podem ultrapassar 100 km/h e episódios de granizo.

    Com o solo encharcado pelas precipitações recentes e a expectativa de rajadas intensas, há risco elevado de alagamentos, quedas de árvores, destelhamento de imóveis, interrupção prolongada de energia elétrica e bloqueios em rodovias. Órgãos de emergência recomendam que a população redobre a atenção, mantenha celulares carregados e procure abrigo seguro assim que nuvens carregadas se aproximarem.

    Aviso vermelho: o que significa e por que foi acionado

    O Inmet emite três níveis de alerta – amarelo, laranja e vermelho – conforme a severidade do fenômeno. O primeiro sinaliza perigo potencial; o segundo indica perigo; o terceiro, adotado nesta terça, atesta grande perigo, quando a combinação de chuva, vento e granizo pode gerar danos expressivos a estruturas urbanas e rurais e colocar vidas em risco.

    Escala de alertas do Inmet

    • Amarelo: chuva entre 20 mm e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, ventos de 40 km/h a 60 km/h, baixo risco de granizo.
    • Laranja: chuva entre 30 mm e 60 mm/h ou 50 mm a 100 mm/dia, ventos de 60 km/h a 100 km/h, chance moderada de granizo.
    • Vermelho: chuva maior que 60 mm/h ou acima de 100 mm/dia, ventos superiores a 100 km/h e elevada probabilidade de granizo.

    Municípios sob risco e possíveis impactos

    Rio Grande do Sul

    O alerta alcança regiões Noroeste, Centro-Oeste, Centro-Leste, Nordeste, Sudeste e Sudoeste, além da Serra, do Vale do Taquari, do Vale do Rio Pardo, das Missões, da Campanha Gaúcha, do Litoral e da Região Metropolitana de Porto Alegre. A Defesa Civil estadual já distribui mensagens via SMS para reforçar cuidados em áreas suscetíveis a enxurradas e deslizamentos, sobretudo onde o relevo é acidentado e a drenagem urbana é precária.

    A concessionária que administra a malha de energia na Grande Porto Alegre acionou plano de contingência para acelerar o restabelecimento do serviço em caso de queda de postes. Também foram suspensas manutenções programadas na rede até que o quadro meteorológico se normalize.

    Santa Catarina

    No estado vizinho, o aviso envolve principalmente o Oeste, o Sul e o Planalto Serrano. Há preocupação com lavouras de milho e trigo em fase de desenvolvimento, vulneráveis ao excesso de água e ao granizo. Prefeituras em Chapecó, Xanxerê, Lages e Criciúma monitoram ribeirões que costumam transbordar sob precipitação intensa.

    O Departamento Estadual de Infraestrutura mantém equipes de prontidão para remover árvores caídas em rodovias SC-283, SC-155 e BR-282, corredores críticos durante eventos extremos.

    Condições meteorológicas que agravam o cenário

    A tempestade resulta da interação entre ar muito quente e úmido vindo do Norte com ar frio proveniente do oceano. Essa diferença térmica alimenta nuvens do tipo cumulonimbus capazes de liberar grandes volumes de água em curto intervalo. Segundo a Climatempo, o auge da instabilidade deve ocorrer entre o fim da tarde desta terça e a madrugada de quarta, quando a frente fria avança sobre a Lagoa dos Patos e atinge o litoral catarinense.

    O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) projeta que algumas estações no interior gaúcho podem superar 70 mm de chuva em apenas uma hora, índice próximo à média de todo o mês de julho em certos municípios. Com ventos em rota de colisão, o granizo tende a se formar pela rápida ascensão de gotículas que congelam em altitude antes de despencar com força.

    Recomendações de segurança e canais de emergência

    Para reduzir riscos pessoais e patrimoniais, o Inmet e os bombeiros reiteram orientações básicas:

    1. Desligar aparelhos elétricos e o disjuntor geral se notar infiltração de água na fiação.
    2. Recolher objetos expostos em varandas, telhados e quintais que possam ser arremessados pelo vento.
    3. Evitar abrigo sob árvores isoladas ou estruturas metálicas durante descargas elétricas.
    4. Guardar documentos em sacos plásticos e, se necessário, deslocar-se para locais mais altos em caso de enchente.
    5. Em situação de perigo, acionar a Defesa Civil pelo 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

    Motoristas devem reduzir a velocidade, manter faróis ligados e, diante de pista alagada, procurar rota alternativa. Quem depende de transporte fluvial na região de Pelotas ou na Lagoa Mirim deve conferir a suspensão de travessias.

    Projeções para as próximas horas

    Modelos atmosféricos indicam que a instabilidade começará a perder força a partir do meio-dia de quarta, quando a frente fria avança em direção ao Paraná. Contudo, resquícios de umidade podem manter chuvas fracas a moderadas até a noite, prolongando o risco de deslizamentos em encostas já saturadas.

    O Inmet reforça que novos boletins poderão ser emitidos caso o sistema mude de velocidade ou trajetória. Moradores podem acompanhar atualizações via aplicativo oficial Inmet Alertas ou pelo site do órgão. Enquanto isso, é recomendável planejar deslocamentos apenas quando imprescindíveis, abastecer veículos e, se possível, estocar água potável e mantimentos para 24 horas, período considerado mais crítico.

    Especialistas lembram que episódios semelhantes se intensificaram nos últimos anos, sobretudo na primavera, mas também podem ocorrer no inverno quando frentes frias encontram ar tropical estagnado sobre o Centro-Sul. “O contraste térmico é o combustível dessas supercélulas”, resume a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo. “A preparação comunitária continua sendo a melhor defesa.”

    Seguindo as recomendações, comunidades rurais e urbanas podem minimizar prejuízos enquanto aguardam a dissipação total do sistema. A expectativa é que, na quinta-feira (30), o tempo firme volte a predominar na maior parte do Rio Grande do Sul, embora as temperaturas caiam acentuadamente com a chegada do ar polar.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.