TCU aponta falhas em 82% das emendas Pix e calcula prejuízo de R$ 49 milhões

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    Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que oito em cada dez transferências especiais realizadas por meio das chamadas “emendas Pix” entre 2020 e 2024 apresentam algum tipo de irregularidade. O levantamento, que examinou uma amostra de 100 repasses e abrangeu R$ 198,11 milhões, estima um dano potencial de R$ 49,07 milhões aos cofres públicos — cerca de um quarto do valor auditado.

    Os problemas se estendem a 82,4% dos entes beneficiados — 73 municípios e dois estados (Pará e São Paulo). A constatação reforça a crítica de especialistas de que esse modelo, criado em 2019 para acelerar o envio direto de verbas por parlamentares, dificulta o rastreamento da aplicação dos recursos.

    Resultado da auditoria

    O trabalho dos técnicos avaliou exclusivamente transferências feitas sem a exigência de projeto, convênio ou justificativa prévia. Segundo o órgão de controle, a modalidade favorece a falta de transparência porque o dinheiro chega às prefeituras e governos estaduais como se fosse um depósito comum, sem necessidade de prestação de contas detalhada antes da execução.

    Além de apontar as falhas, o TCU já instaurou processos de tomada de contas especial para identificar responsáveis e buscar ressarcimento dos valores considerados irregulares.

    Principais falhas encontradas

    Transparência insuficiente e rastreabilidade precária

    • Movimentação de valores em contas correntes não exclusivas, o que impede o acompanhamento do uso do dinheiro.
    • Ausência de relatórios parciais ou finais no sistema Transferegov.br.
    • Prejuízo estimado: R$ 26,36 milhões.

    Pagamentos sem respaldo jurídico ou fiscal

    • Despesas liquidadas sem notas, recibos ou comprovantes idôneos.
    • Gastos fora da finalidade declarada na transferência especial.
    • Falta de prova da quantidade entregue ou do serviço efetivamente prestado.
    • Prejuízo estimado: R$ 14,96 milhões.

    Fraudes em licitações e contratação de empresas inaptas

    • Casos em que vencedores não atendiam a requisitos legais ou estavam impedidos de contratar com o poder público.
    • Valor do dano ainda não mensurado pelos auditores.

    Inexecução de obras e superfaturamento

    • Serviços não concluídos ou entregues parcialmente.
    • Preço pago acima do praticado pelo mercado para itens equivalentes.
    • Prejuízo apurado: R$ 14,11 milhões.

    Reação do Supremo e medidas imediatas

    A investigação do TCU foi solicitada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, relator de ações que questionam a constitucionalidade do atual sistema de emendas impositivas. Ao receber o relatório, o magistrado deu prazo de dez dias para que a Presidência da República, a Câmara dos Deputados e o Senado apresentem uma “matriz de responsabilidades” capaz de reforçar o controle sobre as transferências parlamentares.

    Dino avalia que, sem um novo protocolo de acompanhamento, a falta de transparência identificada pelo órgão de contas pode se repetir em escala ainda maior, já que o modelo das emendas Pix continua vigente no Orçamento de 2024.

    O que muda no sistema Transferegov

    Parte significativa dos problemas apontados decorre de lacunas no módulo de transferências especiais do Transferegov.br, plataforma usada pela União para gerenciar repasses voluntários. O tribunal determinou ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos que, em até 120 dias, bloqueie a alteração dos planos de trabalho depois do registro inicial. Hoje, as prefeituras conseguem mudar objeto, metas e valores sem qualquer trava técnica, o que dificulta a fiscalização.

    O TCU também recomendou maior exigência de dados detalhados sobre a obra ou o serviço a ser contratado, impedindo que descrições genéricas — como “pavimentação de vias” ou “aquisição de equipamentos” — sejam aceitas sem especificação de metragens, marcas ou quantidades.

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    Imagem: Internet

    Contexto das emendas Pix

    Diferentemente de emendas tradicionais, que exigem convênio e liberação parcelada, as emendas Pix caem na conta do estado ou município de uma só vez. Parlamentares justificam que a modalidade reduz burocracia e acelera investimentos locais, mas órgãos de controle alertam para o risco de desvios quando não há monitoramento da destinação final.

    Desde a criação, em 2019, o volume empenhado nesse formato se multiplicou. Embora o percentual analisado pelo TCU seja uma amostra, o órgão considera que as descobertas indicam tendência de irregularidades que pode se repetir nos demais repasses não auditados.

    Próximos passos do TCU

    Os relatores do processo no tribunal planejam:

    1. Encaminhar relatórios parciais às comissões de Orçamento do Congresso, sugerindo ajustes na legislação que rege as transferências especiais.
    2. Priorizar, nas próximas inspeções, municípios reincidentes ou com maior volume de recursos recebidos nessa modalidade.
    3. Recomendar ao Ministério Público Federal que avalie a abertura de ações civis e penais, caso haja indícios de dolo ou fraude.

    Até que as novas regras determinadas pelo STF sejam definidas, técnicos da corte pretendem manter o monitoramento em tempo real de pagamentos suspeitos, cruzando dados bancários, editais de licitação e notas fiscais eletrônicas. A expectativa é de que, com o reforço na transparência exigido, o número de irregularidades diminua e a responsabilização seja acelerada.

    Embora o relatório não identifique nominalmente parlamentares ou gestores, o documento compõe o conjunto de provas que pode subsidiar futuras investigações sobre favorecimento político, uso eleitoral de verbas públicas e eventual esquema de corrupção envolvendo as emendas Pix.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.