Corredores congestionados, filas que davam voltas pelo pavilhão e visitantes sentados no chão para comer foram a tônica deste domingo (6) na 27ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Distrito Anhembi. Apesar da venda de ingressos ter se esgotado pela manhã, a credencial plena do Sesc, que garante entrada gratuita, manteve o fluxo intenso de público até o fim do dia.
Com a movimentação acima do esperado, a organização correu para aliviar gargalos: durante a madrugada, obras emergenciais ampliaram a quantidade de banheiros femininos, mas a resposta não impediu as longas esperas diante dos sanitários nem a aglomeração nos pontos de alimentação.
Filas quilométricas em estandes disputados
A Intrínseca precisou improvisar um “puxadinho” no corredor para enquadrar a fila que abraçava todo o estande. Mesmo com o cordão extra, parte dos leitores se perdia sobre onde começar ou terminar o percurso. Na Companhia das Letras, a espera no caixa transformou-se em um caracol de cinco voltas que ocupava metade do corredor externo; quem tentava atravessar o pavilhão precisava se espremer entre essa barreira humana e outra fila menor, dedicada aos títulos da Record. Em determinados momentos, houve empurra-empurra e reclamações de calor.
O selo Alt, da Globo Livros, viveu situação semelhante. No sábado, leitores aguardaram quase três horas pela chance de comprar edições promocionais; no domingo, o gargalo voltou a bloquear a passagem do público para o estande vizinho da Malê, dificultando o acesso de visitantes interessados em literatura afro-brasileira.
Capacidade oficial não foi ultrapassada, diz organização
Procurada, a Bienal informou que o controle de entrada seguiu os parâmetros definidos pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros. “A capacidade do pavilhão foi respeitada em todos os momentos”, diz a nota. Mesmo assim, funcionários circulavam com rádios para redirecionar o fluxo de pessoas em pontos críticos, sobretudo perto dos sanitários e da praça de alimentação, onde a falta de mesas levou muitos visitantes a improvisar piqueniques no chão.
Programação cultural registra respiro
Enquanto as filas invadiam corredores comerciais, a Arena Cultural — palco oficial de palestras e sessões de autógrafos — apresentava ambiente mais tranquilo em comparação com a véspera. O convidado internacional do dia, o escritor australiano Jay Kristoff, atendeu fãs de fantasia e ficção científica, conferindo destaque às trilogias “Império do Vampiro” e “As Crônicas da Quasinoite”, ambas publicadas no Brasil pela Plataforma21.
No fim da tarde, o espaço recebeu a mesa “Vozes Trans: da Margem ao Protagonismo”, mediada por Lui Navarro Fonseca. Amara Moira, Alana S. Portero e Vércio Gonçalves Conceição discutiram a importância de transformar trajetórias historicamente silenciadas em narrativas de potência. “A literatura trans não é só dor; é muito prazer, muita loucura, muita alegria”, afirmou Moira sob aplausos.

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Desejo e fantasia em foco
O último debate do dia encarou de frente outro tema que movimentou estandes: o crescimento dos chamados dark romances, subgênero erótico que explora fantasias e relações marcadas por violência consentida. As autoras Kelly M., Ellie Morgan e Leonor Carvalho explanaram sobre limites entre ficção e realidade. “Na fantasia podemos expor desejos que, na vida real, não teríamos”, disse Morgan, reforçando que o pacto narrativo não deve ser confundido com validação de comportamentos abusivos.
Ingressos esgotados, mas ainda há quem entre
Os bilhetes para o primeiro fim de semana evaporaram tanto no sábado quanto no domingo. Mesmo assim, a credencial plena do Sesc manteve a porta aberta para seus titulares e dependentes, o que na prática elevou o público além da projeção inicial. A organização não divulga números oficiais de visitantes por dia, mas expositores relatam vendas superiores às registradas em 2024.
Próximos passos e promessas de ajuste
Até o encerramento, em 13 de setembro, a Bienal promete monitorar tempo real das filas e reforçar staff nos horários de pico. Entre as medidas previstas estão a ampliação das sinalizações de fluxo único em corredores estreitos e o aumento de pontos de apoio para alimentação rápida, com a instalação de balcões volantes.
Para quem planeja visitar o evento nos próximos dias, a recomendação é chegar cedo, usar calçados confortáveis e, se possível, portar garrafa de água reutilizável, já que os bebedouros são disputados. A Bienal funciona diariamente das 9h às 22h no Distrito Anhembi, na zona norte da capital, com ingressos a partir de R$ 15 disponíveis online — se não esgotarem antes.
