Som clássico da urna eletrônica completa 30 anos e vira mascote oficial do TSE

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    Quem já votou ao menos uma vez no Brasil reconhece imediatamente o “pilili” que encerra o processo de digitar os números na urna eletrônica. Em 2026, o sinal sonoro soprará velinhas: são três décadas de presença constante nas seções eleitorais do país, a ponto de se transformar em símbolo nacional do ato de votar.

    Para marcar a efeméride, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou uma campanha comemorativa que inclui uma mascote batizada justamente de Pilili. A ação busca aproximar eleitores — em especial os mais jovens — de um equipamento que, além de facilitar a apuração, se tornou parte da memória afetiva coletiva desde 1996, quando o som foi criado.

    O nascimento de um ícone sonoro

    Como surgiu o alerta que virou marca registrada

    O “pilili” foi desenvolvido em 1996, durante a fase final de elaboração da primeira urna eletrônica brasileira. A equipe de engenheiros responsável pelo projeto buscava uma forma rápida de comunicar aos mesários que o eleitor já havia encerrado o voto. Segundo o engenheiro Antônio Esio Salgado, um dos integrantes do grupo, diversos toques foram testados até que o pequeno filete melódico se destacasse. “Quando ele soou, todo mundo se olhou e soube imediatamente: era esse”, relembra Salgado em vídeo institucional disponibilizado pelo TSE.

    A adoção do som obedecia a critérios práticos: precisava ser curto, inconfundível e não gerar desconforto auditivo. A escolha acertada perdurou. Trinta anos depois, o mesmo alerta segue funcionando em mais de 577 mil urnas espalhadas pelo território nacional, sem concorrentes ou versões alternativas.

    Padronização e efeito cultural

    O toque não apenas cumpre função operacional; ele demarca simbolicamente o “momento do voto”. O hábito de associar o som ao dever cívico fez com que o pilili extrapolasse as paredes das zonas eleitorais, aparecendo em campanhas de incentivo ao voto, produções audiovisuais e até em paródias nas redes sociais durante períodos de campanha. A repetição a cada pleito solidificou a relação entre cidadania, tecnologia e um simples alerta sonoro.

    Evolução tecnológica, inclusão e novos recursos

    Mais autônoma para pessoas com deficiência

    Desde o lançamento da primeira geração, a urna eletrônica passou por atualizações para ampliar a acessibilidade. Uma das principais inovações foi o sistema de áudio que guia eleitores cegos ou com baixa visão. Previsto na Resolução TSE nº 23.759/2026, o recurso funciona por meio de fones descartáveis distribuídos pela Justiça Eleitoral, garantindo sigilo absoluto do voto.

    Além do áudio, o teclado possui ponto tátil na tecla número 5, permitindo orientação rápida do usuário. A norma também autoriza o uso de tecnologias assistivas complementares, como impressoras Braille portáteis ou leitores de tela pessoais, sempre que o eleitor solicitar.

    Nova voz sintetizada a partir de 2024

    Acessibilidade também passa pela clareza da informação. Foi com essa preocupação que, em 2024, a urna adotou a voz sintética “Letícia”, desenvolvida em software livre com participação de especialistas e programadores cegos. A locução é interpretada pela cantora Sara Bentes, que nasceu com deficiência visual. O resultado, segundo o TSE, é uma narração mais natural, com melhor dicção e entonação, capaz de anunciar cargo em disputa e candidatos escolhidos sem ruídos ou quebras de ritmo.

    Pilili, o personagem: comunicação com linguagem jovem

    Para celebrar os 30 anos do som, o TSE apresentou em maio a mascote Pilili, criada pela Coordenadoria de Mídias e Web do tribunal. Com traços coloridos e aparência amigável, o personagem assume a missão de explicar detalhes do processo eleitoral em vídeos curtos, artes para redes sociais e material didático distribuído em escolas.

    A estratégia faz parte de uma campanha maior dedicada às três décadas de urna eletrônica. A ideia é utilizar storytelling, jogos on-line e filtros de realidade aumentada para responder dúvidas frequentes sobre segurança, logística e funcionamento do sistema — temas que tendem a mobilizar discussões acaloradas a cada novo pleito.

    Próxima parada: 4 de outubro de 2026

    O “pilili” volta a ecoar simultaneamente em todo o Brasil no primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro. Se houver necessidade de segundo turno, a melodia se repetirá em 25 de outubro, data reservada para a definição de cargos não decididos na primeira rodada.

    Nesse dia, mesários e eleitores de diferentes gerações renovarão o rito que há 30 anos se resume a apertar a tecla verde, ouvir dois breves tons agudos e sair da cabine com a certeza de que o voto foi registrado. Uma rotina que, de tão naturalizada, passa despercebida — até que alguém lembre que bastaram poucos segundos de som para sintetizar toda a experiência do processo democrático brasileiro.

    Perspectivas para as próximas inovações

    Embora o alerta sonoro permaneça inalterado, a Justiça Eleitoral continua testando melhorias em segurança física, criptografia de dados e ergonomia do equipamento. Cada ciclo eleitoral serve de laboratório para aperfeiçoar tanto a tecnologia quanto a experiência do eleitor. Há estudos para ampliar a duração da bateria em regiões sem rede elétrica estável e para introduzir telas com contraste dinâmico, facilitando a leitura por pessoas idosas.

    Por ora, nenhuma mudança prevista afeta o “pilili”. De acordo com técnicos consultados pelo TSE, qualquer alteração que envolva o som passaria por extensa consulta pública, já que o alerta se tornou imediatamente reconhecível e cumpre, além da função operacional, um papel de identidade sonora do processo de votação.

    Por que o som permanece relevante

    • Sinal de conclusão: informa ao mesário que a cabine já pode receber outro eleitor.
    • Padronização nacional: o mesmo som é usado em todas as urnas, evitando confusão.
    • Curto e inconfundível: dura pouco mais de um segundo e não se confunde com alarmes ou toques de celular.
    • Memória coletiva: ajuda a fixar a sensação de dever cumprido no imaginário popular.

    Ao completar 30 anos, o “pilili” celebra não só sua sobrevivência, mas também a própria história da urna eletrônica, cuja adoção colocou o Brasil na vanguarda da apuração rápida e auditável. E se depender da relação de afeto criada com o eleitorado, o toque ainda tem fôlego para outras tantas eleições.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.