Ricky Martin celebra estreia como ator no Festival de Veneza ao lado de Gael García Bernal

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    O tapete vermelho do 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza ganhou sotaque caribenho neste domingo (6). Ricky Martin, ícone pop porto-riquenho e dono de vários Grammys, apresentou o longa “Hombre al Agua”, de Gael García Bernal, e definiu o momento como “uma página muito importante” de sua trajetória profissional.

    Aos 54 anos, o artista que canta desde criança e conquistou o mundo com “Livin’ la Vida Loca” comentou que, apesar de já ter passado por sets de séries e filmes, nunca havia participado de uma produção exibida no festival italiano. “Estar aqui não é pouca coisa”, admitiu, sorrindo ao lado do diretor mexicano.

    Estreia na mostra Spotlight com uma fábula social

    Exibido fora da competição, na seção Spotlight, “Hombre al Agua” marca a terceira incursão de Gael García Bernal na direção de longas – as anteriores foram “Déficit” (2007) e “Chicuarotes” (2019). O novo filme acompanha Camilo, salva-vidas cubano que resgata um magnata mexicano de um afogamento. Em sinal de gratidão, o empresário oferece emprego em sua fábrica no Yucatán, aproxima-o da família e, com o tempo, transforma-o em genro. O protagonista acaba descobrindo que o universo dos muito ricos nem sempre corresponde às aparências.

    García Bernal apresenta a narrativa como uma fábula sobre manipulação e hipocrisia das elites. A ambientação praiana – que inicialmente remete à leveza – ganha contornos de crítica social, elemento que, segundo o próprio diretor, tem guiado seus projetos atrás das câmeras.

    Papel relâmpago, impacto duradouro

    Ricky Martin surge em cena como um ator contratado para o filme que a esposa de Camilo dirige dentro da história. A participação é curta, mas, na avaliação do cantor, carrega peso emocional. Ele relatou ter assistido ao corte final apenas uma vez e continuar comovido: “Ainda mexe comigo”.

    Para além da atuação, Martin é coprodutor do projeto. Ele contou que topou o convite de imediato: “Quando o Gael liga, você vai. Só diz a hora e o dia”. No set, garante, as funções não tinham fronteiras: “Todo mundo faz de tudo para que o filme exista”.

    Volta às telas em espanhol

    A presença em “Hombre al Agua” marca o retorno do porto-riquenho a uma obra falada em espanhol, algo que não acontecia havia alguns anos. Em 2023, por exemplo, ele integrou o elenco da série norte-americana “Palm Royale”, mas somente agora retoma o idioma que o tornou conhecido na televisão latina nos anos 1980.

    Ricky Martin celebra estreia como ator no Festival de Veneza ao lado de Gael García Bernal - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Desde a adolescência, Martin alterna música e interpretação. Começou aos 12 anos em novelas e programas infantis, saltou para o estrelato musical na década de 1990 e, mais tarde, ingressou em séries como “American Crime Story”. O status de estreante em Veneza, no entanto, trouxe sensação de novidade. Ele destacou que o feito tem valor especial para seus filhos e para o legado que pretende deixar.

    Gratidão declarada a Gael García Bernal

    No encontro com a imprensa, os dois artistas trocaram elogios. García Bernal descreveu o convidado como “energia contagiante”; Martin, por sua vez, chamou o diretor de “brilhante”. A cumplicidade se traduz na divulgação: ambos prometem trabalhar para que o longa viaje ao máximo de países possível.

    Terceira direção de Bernal soma experiência de ator

    Veterano em frente às câmeras, Gael García Bernal traz para a direção a bagagem de protagonista de títulos como “Amores Brutos” e “Diários de Motocicleta”. Ao falar sobre o novo filme, ele reforçou que enxerga na mistura de fábula e realismo um caminho para discutir tensões de classe na América Latina. A recepção no Lido poderá indicar o alcance internacional dessa intenção.

    Expectativa de circulação mundial

    Sem data de estreia comercial definida, “Hombre al Agua” depende agora do interesse de distribuidores. Ricky Martin afirmou estar disposto a participar de campanhas e exibições especiais para garantir que o longa chegue “a muitas partes do mundo”. O cantor-produtor considera que a visibilidade do Festival de Veneza já cria um impulsionamento inicial forte.

    Enquanto negociações avançam, o músico volta a dividir-se entre estúdio de gravação e sets audiovisuais. O entusiasmo com o cinema, porém, parece ter ganhado novo fôlego: “Isto aqui é um tsunami, e eu estou feliz por ser levado por ele”, resumiu, ainda sob aplausos da plateia italiana.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.