Ricardo Salles defende anistia para condenados de 8 de janeiro e ataca rivais na corrida ao Senado por São Paulo

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    Em campanha pelo Senado, o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) chamou os ataques de 8 de janeiro de “baderna inaceitável”, mas afirmou que não houve tentativa de golpe e pediu anistia para os condenados pelo Supremo Tribunal Federal. Em entrevista ao canal Mathias TV, no YouTube, o ex-ministro do Meio Ambiente declarou que as penas impostas, como a de 14 anos à manifestante Débora Rodrigues dos Santos — conhecida como “Débora do Batom” —, são “desproporcionais” e que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria propor o perdão para “pacificar o país”.

    Autoproclamado liberal na economia e conservador nos costumes, Salles usou a conversa para criticar adversários de diferentes campos ideológicos, defender um Estado menor e apresentar referências como Ronald Reagan, Margaret Thatcher, Winston Churchill e Roberto Campos. O parlamentar afirma que a esquerda e parte da direita paulista não representam o eleitor conservador e que seu nome, ao lado do do ex-secretário de Segurança Guilherme Derrite (PL), é a “verdadeira opção” para quem se identifica com o bolsonarismo.

    Projeto liberal-conservador e referências históricas

    Ao detalhar sua plataforma, Salles disse seguir a chamada “direita de Roberto Campos”, enfatizando corte de gastos públicos, redução de impostos e estímulo ao empreendedorismo. Ele rejeitou o rótulo de uma direita “à moda Orlando Geisel”, que para ele significaria estatismo sob verniz autoritário. O ex-ministro comparou suas propostas às dos governos de Reagan e Thatcher, mencionando ainda Churchill como fonte de inspiração. “Minha direita não é antidemocrática nem estatizante”, resumiu.

    Disputa pelo Senado em São Paulo

    Salles trocou ataques com praticamente todos os concorrentes que devem disputar a vaga hoje ocupada por Mara Gabrilli (PSD-SP). Segundo ele, as senadoras Simone Tebet (MDB-MS) e Marina Silva (Rede-SP) desembarcam em São Paulo “de forma oportunista” e “desconhecem o estado”. O deputado afirmou que Simone “traiu o agronegócio” ao integrar o governo Lula e que parte dos extrativistas da Reserva Chico Mendes, no Acre, “odeia” Marina. “Nenhuma das duas sabe nada de São Paulo”, concluiu.

    Fogo amigo na direita

    Na ala conservadora, o alvo principal foi André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa paulista. Salles o qualificou como “filhote de Valdemar Costa Neto” — presidente nacional do PL, condenado no mensalão — e recordou apoios do deputado estadual a figuras do PT e do PSDB. “Quem manda no PL é a turma do Valdemar; isso é Centrão puro”, disparou, sugerindo que um terço do partido vota com o governo federal.

    O ex-ministro também relatou bastidores da escolha de Prado para a chapa bolsonarista ao Senado, alegando que o nome surgiu porque o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) recusou-se a tê-lo como vice. Apesar dos ataques, Salles poupou Derrite, possivelmente adversário na mesma faixa do eleitorado: “Se tem dois senadores que a direita pode escolher, são Derrite e eu”.

    Motivos para deixar a Câmara

    Questionado sobre a decisão de não buscar a reeleição para deputado, Salles argumentou que “São Paulo está mal representado” no Senado e que a bancada paulista é tratada como “último vagão do trem em Brasília”. Ele disse que a reeleição seria “tranquila”, mas que prefere disputar a vaga de oito anos por se considerar “antes de tudo paulista”.

    Relação conflituosa com Valdemar e o PL

    Salles descreveu o núcleo histórico do PL como “valdemarista” e centrista, acusando seus integrantes de adotar a política do “toma lá, dá cá” mesmo após a filiação de Jair Bolsonaro. Citou casos de cassação por desvio de emendas parlamentares dentro da legenda para justificar a crítica e voltou a classificar André do Prado como produto desse arranjo.

    Investigação sobre madeira ilegal

    O candidato aproveitou a entrevista para rebater o inquérito Akuanduba, que investigou suposto favorecimento a exportadores de madeira quando ele chefiava o Ministério do Meio Ambiente. Salles declarou que “nunca pisou na Amazônia” antes de assumir a pasta e que todas as acusações de desmontes ilegais foram “julgadas improcedentes”. O parlamentar chamou as denúncias de “indústria da bravata”.

    “Baderna” de 8 de janeiro e pedido de anistia

    Sobre os atos que depredaram as sedes dos Três Poderes, em 2023, Salles reconheceu vandalismo, mas negou intenção golpista. Embora diga que o episódio “envergonha a direita”, defende anistia aos réus já sentenciados, posição que se choca com a jurisprudência consolidada pelo STF. O ex-ministro argumenta que Lula prometeu pacificação nacional na campanha e “poderia começar pelo perdão” aos envolvidos, citando o exemplo de leis de anistia aprovadas em períodos anteriores da história brasileira.

    Para Salles, a condenação de Débora dos Santos a 14 anos evidencia rigor excessivo. “É desproporcional”, afirmou, sem mencionar os crimes atribuídos pelo tribunal — entre eles associação criminosa armada e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.

    Reação bolsonarista

    O discurso encontra eco em parte da base de apoio de Jair Bolsonaro, que pressiona o Congresso por uma lei de anistia. No entanto, não há sinalização do Planalto nem da presidência da Câmara sobre o tema, que exigiria maioria absoluta em votação conjunta com o Senado.

    Próximos passos da campanha

    Salles seguirá em caravana pelo interior paulista para firmar alianças locais e angariar apoio de lideranças ligadas ao agronegócio e a evangélicos. O deputado aposta em debates presenciais e transmissões online para contrapor a visibilidade nacional de Simone Tebet e Marina Silva, além de tentar neutralizar a influência de Valdemar Costa Neto sobre o eleitorado bolsonarista.

    Nos bastidores, aliados de Tarcísio de Freitas avaliam que a multiplicação de candidaturas à direita pode facilitar a vida de nomes de centro ou de esquerda, já que apenas um senador será eleito em 2026. Salles, porém, descarta a hipótese de desistir: “Vou até o fim para que São Paulo volte a ter uma voz genuinamente liberal e conservadora no Senado”.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.