Cadela sofre cortes graves após ser atingida por linha com cerol dentro de casa em Ribeirão Preto

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    Lola, uma cadela de três anos que vivia solta no quintal da família, teve de ser operada e ficar internada depois de ser atingida por uma linha de pipa com cerol dentro da própria residência, no bairro Cristo Redentor, zona Norte de Ribeirão Preto (SP). O acidente ocorreu no sábado (22) e gerou comoção na vizinhança, além de renovar pedidos de fiscalização mais rígida contra o uso do material cortante na cidade.

    Segundo o tutor, o motorista de aplicativo Leonardo Gabriel Calixto de Oliveira, o animal foi encontrado coberto de sangue e com cortes profundos. Lola recebeu pontos, passou por transferência de clínica e, só depois de quarenta e oito horas sob observação intensiva, foi liberada para continuar o tratamento em casa.

    Ferimentos exigiram cirurgia e mudança de clínica

    Logo após o incidente, a família levou a cadela a uma clínica veterinária de plantão em Ribeirão Preto. Exames iniciais revelaram lesões extensas no tórax e nas patas, provocadas pelo contato do cerol — mistura de cola com pó de vidro — que recobre a linha de pipa. Diante da gravidade, os veterinários indicaram transferência para uma unidade em Sertãozinho, cidade vizinha com equipamento de suporte cirúrgico mais completo.

    Seis pontos na pele e duas semanas de cuidados

    No centro cirúrgico, a equipe realizou suturas internas e externas; foram necessários seis pontos visíveis, além de curativos complementares. A estimativa é de ao menos duas semanas de medicamentos e limitação de movimentos até que o tecido cicatrize por completo. De volta ao lar na segunda-feira (24), Lola tem recebido analgésicos e antibióticos, monitorados diariamente.

    Uso de cerol é proibido desde 1997

    A Lei Municipal nº 7.642, em vigor há 27 anos, veta fabricação, venda, armazenamento e manuseio de cerol ou qualquer linha cortante em Ribeirão Preto. Quem for flagrado infringindo a norma pode responder por crime de perigo para a vida. Em caso de feridos ou mortes, a infração pode evoluir para homicídio culposo ou doloso, a depender da apuração policial.

    Fiscalização e canais de denúncia

    • Guarda Civil Metropolitana (GCM) — telefone 153
    • Fiscalização Geral do município — telefone 156
    • Polícia Militar — telefone 190

    A GCM informou que já mantém patrulhamento ostensivo no Cristo Redentor, com viaturas que percorrem praças e terrenos abertos para orientar moradores e apreender linhas irregulares. Além disso, agentes apoiam vistorias da Fiscalização Geral em comércios suspeitos de vender o produto clandestinamente.

    Reincidência de acidentes na região

    O caso de Lola não é isolado. Na mesma semana, um menino de sete anos morreu na cidade após ferimento no pescoço causado também por linha com cerol. A sequência de ocorrências reacendeu o debate sobre a efetividade das operações de controle e gerou pressão de moradores para que a legislação seja reforçada, inclusive com aumento das multas e campanhas educativas em escolas.

    Moradores pedem ação contínua

    Oliveira, tutor de Lola, diz que as pipas com cerol são vistas frequentemente sobre o bairro, principalmente nos fins de tarde. Ele relata ter feito várias ligações à GCM antes mesmo do acidente, sem, porém, notar redução significativa na prática. “Até quem está dentro de casa corre risco”, afirma.

    Risco para pessoas, animais e rede elétrica

    Embora a situação de Lola tenha ganhado destaque por envolver um animal de estimação, especialistas em segurança pública lembram que motociclistas, ciclistas e pedestres compõem as principais vítimas. O cerol pode romper cabos de energia, provocar curtos-circuitos e causar, ainda, queimaduras por alta tensão. Todo ano, entre os meses de férias escolares, a rede municipal de saúde registra ferimentos decorrentes de linhas cortantes, de acordo com boletins da Secretaria da Saúde.

    Como as ocorrências costumam acontecer

    1. Pessoas soltam pipas em áreas abertas ou mesmo ruas estreitas, sem perceber a proximidade de casas e fiações.
    2. O vento carrega a linha sobre muros e quintais, transformando locais privados em áreas de risco.
    3. Quando há cerol, qualquer contato breve é suficiente para provocar cortes profundos em pele ou couro de animais.

    O que diz a legislação criminal

    Além da lei municipal, o Código Penal brasileiro permite enquadrar quem utiliza o material em delitos mais graves. Se a prática colocar terceiros em situação de perigo iminente, aplica-se o artigo 132 — exposição da vida ou saúde de outrem a perigo direto. Havendo lesão corporal, recorre-se aos artigos 129 e 129-A. Quando a vítima morre, o autor pode responder por homicídio, com penas que variam de 6 a 20 anos, dependendo de dolo ou culpa.

    Papel da comunidade na prevenção

    Autoridades e ONGs de proteção animal defendem que vizinhos comuniquem qualquer movimentação suspeita antes que tragédias ocorram. A denúncia pode ser anônima, e a apreensão da linha já impede que o objeto chegue às ruas. Campanhas indicam que pais supervisionem as brincadeiras dos filhos e orientem sobre a ilegalidade do cerol.

    Recuperação de Lola e alerta dos veterinários

    Nesta fase de convalescença, Lola permanece com curativos e colar protetor para impedir que lamba os pontos. A família montou um espaço restrito, sem objetos que possam rasgar a pele recém-suturada. Veterinários recomendam que, em episódios semelhantes, o tutor nunca tente remover a linha por conta própria; o ideal é conter o sangramento com pano limpo, proteger a área e buscar atendimento imediato.

    Mensagem dos tutores

    Em vídeo gravado para redes sociais, Oliveira agradeceu à equipe médica e pediu que moradores de Ribeirão Preto “denunciem antes que alguém perca a vida”. O tutor reforçou que o caso da cadela serve como lembrete de que o cerol ameaça não apenas quem pilota motocicletas, mas qualquer ser vivo que cruze o caminho da linha invisível.

    Próximos passos na Câmara Municipal

    Vereadores da base governista indicaram que vão solicitar novos relatórios à GCM sobre apreensões de cerol e linhas chilenas — versão ainda mais abrasiva. Há expectativa de audiências públicas, onde vítimas e familiares poderão relatar experiências e cobrar a ampliação das campanhas educativas, sobretudo em bairros da zona Norte.

    Perspectiva de mudança

    Enquanto a discussão avança, Lola continua a se recuperar em casa, cercada de cuidados e do afeto da família. A história dela, porém, deixa uma advertência clara: mesmo dentro do quintal, o perigo da linha com cerol ultrapassa muros e expõe a cidade inteira a riscos que uma simples brincadeira não deveria trazer.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.