Em clima de comício antecipado, o PSD confirmou no sábado (1º) o nome do advogado e ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, como candidato ao governo de Rondônia. A decisão foi sacramentada em convenção lotada num ginásio de Porto Velho, onde também foram chancelados Everton Leoni para vice-governador e Luís Fernando para o Senado.
Com a homologação, Fúria, de 40 anos, entra na corrida estadual à frente da coligação “Gente que Gosta de Gente”, formada pelo PSD, Avante e pela Federação Renovação Solidária (PRD + Solidariedade). O agora candidato prometeu percorrer “cada município” durante a campanha e agradeceu o “mar de bandeiras” que acompanhou o lançamento da chapa.
PSD define chapa em convenção marcada por forte mobilização
O encontro partidário começou no fim da manhã e se estendeu até a tarde, reunindo dirigentes municipais, vereadores, deputados estaduais e simpatizantes. Sob aplausos, o presidente estadual do PSD, senador Jaime Bagattoli, destacou que a legenda pretende “oferecer um projeto de gestão voltado para resultados e inclusão social”.
Após a leitura do edital de convocação, os delegados confirmaram a candidatura majoritária por aclamação. O vice escolhido, Everton Leoni, é jornalista e já ocupou cargos de assessoria no governo estadual, enquanto Luís Fernando, que buscará uma das duas vagas ao Senado em disputa, é engenheiro civil e dirigente partidário na capital.
Discurso empolgado do candidato
Último a falar, Fúria subiu ao palco acompanhado da esposa, dos dois filhos e de caciques políticos de Cacoal. “Agora é pé na estrada, olho no olho, escutando o que a população tem a dizer”, declarou. O candidato afirmou que irá manter a tônica de sua trajetória municipalista: “Quem governa longe do povo governa mal. Vamos levar o gabinete para dentro das comunidades”.
Perfil político de Adailton Fúria
Nascido em 1986 em Cacoal, cidade que concentra um dos principais polos de agronegócio do estado, Adailton Antunes Ferreira ganhou o apelido “Fúria” ainda na juventude, durante campeonatos de futebol amador. Formado em Direito, ele ingressou na vida pública em 2012, quando foi eleito vereador com votação expressiva.
Quatro anos depois, tentou comandar a prefeitura de Cacoal e terminou em segundo lugar. A derrota não esfriou sua ascensão: em 2018 foi eleito deputado estadual, cargo que trouxe visibilidade regional. Em 2020, renunciou ao mandato parlamentar para disputar novamente a prefeitura — desta vez saiu vitorioso. A reeleição, em 2024, veio com mais de 80% dos votos válidos, resultado que o PSD vende como prova de gestão aprovada.
Em abril deste ano, Fúria deixou a chefia do Executivo municipal para lançar-se ao Palácio Rio Madeira. O movimento foi articulado com antecedência dentro do partido, que viu na popularidade do ex-prefeito a chance de voltar a comandar o governo estadual, hoje sob gestão de outra sigla.
Principais bandeiras
- Infraestrutura regional: promessa de acelerar a pavimentação de rodovias secundárias e reduzir o custo de escoamento da safra;
- Indústria da madeira sustentável: incentivo à regularização de planos de manejo e implantação de polos de processamento;
- Saúde descentralizada: criação de consórcios intermunicipais para ampliar a oferta de exames de alta complexidade fora da capital;
- Educação técnica: abertura de escolas profissionalizantes ligadas às cadeias do agronegócio e da bioeconomia;
- Segurança nas fronteiras: reforço de bases integradas entre Polícia Militar, Civil e órgãos federais no eixo BR-364.
Alianças e metas da campanha
A coligação “Gente que Gosta de Gente” reúne três partidos e, segundo dirigentes, ainda pode incorporar siglas menores que não lançarão cabeça de chapa. O Avante trouxe para a aliança sete prefeitos e cerca de 60 vereadores, enquanto a Federação Renovação Solidária entrou com tempo adicional de rádio e TV e com a meta de eleger ao menos um deputado federal.
O comando de campanha trabalha com três frentes principais: presença física nos 52 municípios, produção diária de conteúdo para redes sociais e realização de “sabatinões” temáticos transmitidos on-line, nos quais o candidato pretende responder a perguntas de moradores em tempo real. A equipe de marketing aposta na imagem de Fúria como gestor “mãos à obra”, trajetória reforçada por obras de pavimentação e construção de escolas em Cacoal.
Estratégia de financiamento
O PSD deve utilizar parcela do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) destinada ao diretório estadual, além de recursos dos partidos que compõem a coligação. Líderes do grupo afirmam que haverá prestação de contas “em tempo real” por meio de plataforma digital, numa tentativa de diferenciar a candidatura num cenário em que a transparência do uso de verbas públicas é tema recorrente.

Imagem: Internet
Próximos passos no calendário eleitoral
As convenções partidárias precisam ser concluídas até 5 de agosto. Os nomes escolhidos deverão ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral no máximo em 15 de agosto, sob pena de indeferimento. A propaganda oficial começa no dia seguinte ao registro, abrindo a temporada de comícios, carreatas e inserções em rádio e televisão.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Além de governador, os rondonienses irão às urnas para escolher presidente, dois senadores, oito deputados federais, 24 estaduais e, no caso do Distrito Federal, deputados distritais. Caso nenhum candidato ao governo alcance maioria absoluta, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
Impacto da candidatura no cenário local
A entrada de Adailton Fúria na disputa altera o tabuleiro estadual, antes polarizado entre o atual governador e o bloco de esquerda. Pesquisas internas vazadas por grupos políticos apontam que o ex-prefeito de Cacoal parte com índice de conhecimento superior a 70% na região central, mas precisa avançar na faixa do Vale do Guaporé e na fronteira com o Amazonas. O PSD aposta na força da bancada ruralista e no histórico de diálogo com servidores para ampliar sua base.
Adversários, por outro lado, devem explorar o fato de Fúria ter deixado a prefeitura poucos meses após a reeleição. A campanha governista já sinaliza que vai questionar “o abandono do mandato”, enquanto setores progressistas planejam centrar fogo em supostas concessões à expansão da soja sobre áreas de floresta.
Mudança de escala e desafios no Palácio Rio Madeira
Se chegar ao governo, Fúria terá de transpor o modelo de gestão municipal para um orçamento anual que supera R$ 10 bilhões e para desafios que vão da proteção de terras indígenas ao fortalecimento de cadeias produtivas emergentes, como a piscicultura. Economistas ouvidos por nossa reportagem apontam que o espaço fiscal deve encolher em 2027 com o fim de repasses extraordinários da União, exigindo ajustes e prioridades claras.
Entre as marcas do ex-prefeito em Cacoal, aliados citam a implantação de um mutirão permanente de cirurgias eletivas e a digitalização de processos administrativos. Críticos, porém, lembram que a cidade encerrou 2025 com déficit previdenciário em alta e enfrentou paralisações de servidores da educação. Esses indicadores deverão ser confrontados no horário eleitoral, projetando para o debate estadual uma amostra do que foi a gestão local.
Roteiro da pré-campanha
Embora a campanha oficial só comece em meados de agosto, Fúria e sua equipe iniciam imediatamente a chamada “fase de apresentação” — encontros políticos sem pedido explícito de voto, permitidos pela legislação. Estão programadas reuniões com lideranças indígenas em Guajará-Mirim, visitas a associações de garimpeiros em Ariquemes e participações em feiras agropecuárias em Ji-Paraná e Vilhena.
Ao longo dessas viagens, a coordenação planeja coletar sugestões de políticas públicas por meio de formulários digitais. A ideia é compor um programa de governo “colaborativo”, que será registrado no TSE junto com a documentação da chapa.
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