Encontro histórico de sertanejos consagra Barretos com emoção e clássicos

    0

    A terça-feira, 25 de agosto de 2026, entrou para o folclore da Festa do Peão de Barretos quando dois pilares do sertanejo raiz ocuparam o mesmo palco. Trio Parada Dura e Lourenço & Lourival somaram mais de 120 anos de carreira em uma única apresentação, arrancando coro coletivo, lágrimas e aplausos de um Parque do Peão lotado.

    O “Palco Amanhecer” virou ponto de peregrinação para fãs de todas as idades, atraídos pela rara chance de ouvir, numa tacada só, canções que moldaram a identidade da música caipira e ainda influenciam as novas gerações. Por quase duas horas, modões conhecidos ganhavam vida em arranjos fiéis às gravações originais, numa aula prática de memória afetiva.

    Repertório costurado por sucessos que atravessam décadas

    Logo na abertura, os veteranos optaram por alternar músicas e conversas, criando clima intimista. A plateia viajou no tempo com “Viola Moça”, “As Andorinhas” e “Bicho Bom É Mulher”, do Trio Parada Dura, intercaladas por “Relógio Quebrado”, “Cavalo Preto” e “Franguinho na Panela”, na voz dos irmãos Lourenço & Lourival. Cada introdução de viola gerava novo coro espontâneo, provando que o repertório continua vivo entre jovens e antigos fãs.

    Em um dos ápices, “Moreninha Linda” ganhou interpretação conjunta, transformando o palco num grande terreiro. A harmonia entre as duas formações deixou evidente a afinidade forjada nas estradas e programas de rádio desde meados do século passado.

    A força da letra simples bem contada

    Sem recorrer a efeitos pirotécnicos, o espetáculo apostou na crueza dos arranjos de sanfona, viola e base percussiva enxuta. Era o suficiente para sustentar histórias de amores, partidas e saudade, temática que permanece universal. O público reagia com palmas cadenciadas nas guarânias e dançava solto nos batidões de polca.

    Sete décadas de palco: a façanha dos irmãos Lourenço & Lourival

    Entre uma canção e outra, Lourenço lembrou que a dupla iniciou a trajetória quando ele tinha 11 anos e o irmão, oito. “Já se vão 70 anos cantando, mas a emoção segue a mesma”, contou, arrancando aplausos. Lourival entrou na brincadeira: “No começo a gente nem cantava, só assobiava para o povo ouvir.” O bom-humor reforçou a cumplicidade dos irmãos, considerada exemplo de longevidade artística no Brasil.

    O momento mais terno veio com “O Telefone Chora”, interpretada ao lado da cantora Gauchinha. Quase toda a arquibancada acompanhou em uníssono o refrão, num gesto que iluminou celulares nas arquibancadas e virou mar de luzes sobre o gramado.

    Trio Parada Dura: renovação sem perder raízes

    Quando assumiu o microfone, o Trio reafirmou o compromisso de manter acesa a chama caipira mesmo após mudanças de formação. Pioneiros em inserir acordeon destacado no sertanejo, eles revisitaram clássicos que dominaram dial de rádios AM nos anos 1970 e 1980.

    O grupo lembrou ainda “Aceita que Dói Menos”, lançada em 2017 com Marília Mendonça. A escolha serviu de homenagem à cantora, celebrada em outras ocasiões desta 71ª edição do Barretão. Parte do público se emocionou novamente ao ver drones formarem o nome da artista nos céus poucos dias antes, durante show do DJ Alok.

    Participação especial de Marrone esquenta a plateia

    Surpresa da noite, Marrone apareceu no meio do set list e dividiu versos com o Trio em “Boate Azul”. O dueto improvisado levou a plateia ao delírio e encerrou a participação dele com agradecimentos aos veteranos: “Se estou aqui hoje, é porque vocês abriram caminho.”

    Barretão celebra a tradição sem perder o fôlego

    A festa, que se autoproclama o maior rodeio da América Latina, soube equilibrar atrações contemporâneas e resgate histórico. Na mesma semana passaram por seus palcos nomes do feminejo, DJs e astros do agro-pop, mas foi o encontro desta terça-feira que uniu verdadeiramente gerações.

    Em tempos de algoritmos dominando playlists, o show lembrou que a música caipira mantém vigor justamente por conservar melodias simples e letras diretas. Não por acaso artistas iniciantes seguem regravando “Como Eu Chorei” ou “As Andorinhas” em versões acústicas ou elétricas, mantendo o legado em movimento.

    Impacto na economia local

    Barretos tradicionalmente vê crescer arrecadação de hotéis, bares e transporte durante a temporada. Segundo a organização, somente a noite do encontro rendeu lotação máxima nos estacionamentos e pico de vendas de comida típica. Embora números oficiais não tenham sido divulgados, comerciantes relatam faturamento comparável ao sábado de final de semana, algo raro para uma terça-feira.

    O eco de uma noite inesquecível

    Ao final, artistas se reuniram para reverência coletiva: chapéus ao alto e violas erguidas. Milhares de vozes repetiram, à capela, um trecho de “Chico Mineiro”, símbolo maior do sertanejo-raiz. Foi a senha para o apagar das luzes, mas não da memória do público. Quem esteve lá partiu consciente de ter presenciado capítulo raro, talvez irrepetível, da história musical brasileira.

    {internal_links}

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.