Faltando duas semanas para o início das convenções partidárias, o Partido Liberal (PL) corre para escolher uma mulher que componha a chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. A indicação precisa, segundo aliados, ampliar a adesão de eleitoras, acomodar diferentes correntes bolsonaristas e demonstrar superação da recente crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Economista Daniella Marques ganha força
Ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, filiada ao Republicanos desde abril, desponta como favorita. Ela participa da elaboração do programa econômico, mantém boa interlocução com o mercado financeiro e é próxima do deputado Eduardo Bolsonaro. Dirigentes do PL avaliam que sua escolha facilitaria alianças com o Republicanos, mas o presidente da sigla, Marcos Pereira, condiciona qualquer avanço ao apoio do PL a candidaturas estaduais em Mato Grosso, Acre, Espírito Santo e Roraima.
Bia Kicis surge como ponte com Michelle
A deputada Bia Kicis (PL-DF), amiga de Michelle Bolsonaro e identificada com a ala mais fiel do movimento, também é cotada. Ela esteve em café da manhã organizado por Flávio com parlamentares conservadoras e deve participar das próximas reuniões da pré-campanha em São Paulo. Internamente, sua capacidade de dialogar tanto com Michelle quanto com o núcleo de Flávio é vista como trunfo.
Outras opções consideradas
Júlia Zanatta (PL-SC) conta com apoio da militância bolsonarista e do deputado Eduardo Bolsonaro, mas estrategistas avaliam que sua indicação teria dificuldade para atrair eleitores além da base ideológica do partido.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) é vista como elo com o agronegócio e partidos de centro; porém, ela afirma que não recebeu convite e que prioriza concorrer à presidência do Senado.
Já a deputada Simone Marquetto (PP-SP), ex-prefeita de Itapetininga, aparece como caminho para fortalecer relações com prefeitos do interior paulista. Nos próximos dias, ela deve se reunir com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, para tratar do tema.

Imagem: GABRIEL DE PAIVA
Outros presidenciáveis definem chapas
No campo adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve Geraldo Alckmin (PSB) na vice. Ronaldo Caiado (PSD) confirmou o presidente do partido, Gilberto Kassab, como companheiro de chapa. Renan Santos (Missão) escolheu o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina (Missão).
Romeu Zema ainda sem vice
Além de Flávio Bolsonaro, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também não definiu vice. A aproximação inicial entre Zema e Flávio foi interrompida após o caso “Dark Horse”, envolvendo pedido de recursos de Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar filme sobre Jair Bolsonaro. Zema classificou o episódio como “imperdoável”, chamou Vorcaro de “bandido” e afirmou ter se sentido traído, mas declarou que apoiaria Flávio num eventual segundo turno contra Lula.
Hoje, dois nomes do Podemos surgem como possibilidades para a chapa de Zema: o empresário Geraldo Rufino e a deputada Renata Abreu (SP), presidente nacional da legenda. A escolha deve ocorrer até o fim do mês, próximo às convenções.
Com informações de O Globo
