Lula e Flávio Bolsonaro intensificam disputa após tarifa de 25% imposta pelos EUA

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    Brasília, 17 de julho de 2026 — A confirmação de que os Estados Unidos adotarão tarifa de 25% sobre produtos brasileiros desencadeou novo embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ambos pré-candidatos ao Palácio do Planalto.

    Horas depois do anúncio em Washington, Lula afirmou que integrantes da família Bolsonaro colaboraram para o desfecho “contra o Brasil”, chamando-os de “falsos patriotas”. Flávio Bolsonaro reagiu ao compartilhar mensagem do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que atribuiu o fracasso das negociações ao governo petista. O senador declarou que Lula “não tem mais condições” de presidir o país e o apelidou de “Biden brasileiro”.

    Peso eleitoral

    Levantamento Genial/Quaest, divulgado na quinta-feira, mostra que 51% dos eleitores concordam com a versão de Lula, segundo a qual Flávio teria solicitado o tarifaço ao então presidente Donald Trump. Outros 30% acreditam na alegação do senador de que pediu a Trump para não sancionar sobretaxa contra o Brasil.

    Questionados sobre o impacto da medida no voto, 42% disseram que a tarifa aumenta a disposição de apoiar Lula, três pontos percentuais acima de junho. Para Flávio, o índice caiu de 30% para 27%. A opção “outro candidato” permaneceu em 23%, enquanto 8% não souberam responder. A pesquisa ouviu eleitores entre 10 e 13 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais para o total da amostra.

    Entre independentes, o avanço pró-Lula superou a margem de erro específica de quatro pontos: de 26% para 33% em um mês.

    Outros pré-candidatos

    O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União) afirmou que a polarização “custa caro ao país”. Já o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) criticou a estratégia do governo federal durante as negociações, apontando “atritos desnecessários”. Renan Santos (Missão) responsabilizou simultaneamente Lula e a família Bolsonaro.

    Conteúdo da tarifa

    A medida, que entra em vigor em 22 de julho, exclui itens relevantes da pauta exportadora brasileira, como carne, café, suco de laranja, petróleo, gás natural e componentes aeronáuticos. Washington manteve diálogo aberto, mas advertiu que pode adotar novas ações se houver retaliação.

    Reação oficial de Brasília

    Em nota divulgada na madrugada de quinta-feira, o Palácio do Planalto repudiou a decisão dos EUA, citou a Lei da Reciprocidade para eventuais contramedidas e qualificou a investigação norte-americana, baseada na Seção 301, como “sem legitimidade”. O texto atribuiu o resultado à “ativa colaboração da família Bolsonaro”.

    Documentos do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) mostram que Flávio Bolsonaro participou de audiência pública neste mês. O senador argumentou que a sobretaxa poderia favorecer Lula politicamente e sugeriu retomar entendimentos somente após as eleições brasileiras.

    Estrategistas em campo

    Entre aliados do agronegócio, reservadamente, líderes criticam a postura de Flávio, avaliando que o foco em disputas ideológicas reduz seu espaço em um dos setores historicamente alinhados ao bolsonarismo. Na campanha petista, a ordem é reforçar a narrativa de que o adversário atua com submissão a interesses externos, respeitando, porém, restrições do período de defeso eleitoral. Já a equipe de Flávio buscará sustentar o discurso de que a responsabilidade recai sobre o governo, amparando-se nas declarações de Rubio.

    A tarifa de 25% permanece, por ora, e o tema promete dominar a agenda política até outubro.

    Com informações de O Globo

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.