Brasília — A poucos meses do início oficial da corrida ao Planalto, os pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) alteraram suas estratégias de comunicação a respeito dos ataques direcionados ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Virada na equipe de Caiado
Em Goiás, a guinada começou após alertas da primeira-dama Gracinha Caiado, que apontou baixo engajamento nas redes sociais do marido, até então dedicadas apenas a propostas e realizações durante os oito anos no governo estadual. Há duas semanas, o ex-estrategista digital de Flávio Bolsonaro, Marcos Carvalho, assumiu o controle das plataformas de Caiado e ampliou a artilharia contra o senador, contrariando o publicitário Paulo Vasconcelos, responsável pelo marketing do goiano.
Nesse período, Caiado classificou Flávio como “peru de Natal que Lula está cuidando” e disse que a candidatura do rival “está afundando”. Também o ligou ao tarifaço dos EUA, acusando-o de conspirar contra a economia brasileira.
Os grupos internos exibem números divergentes para justificar suas teses. A agência AP Exata identificou aumento de 446% nas menções a Caiado em 15 dias. Já levantamento da Brandwatch, com 42 mil postagens entre 1º e 15 de julho, apontou 47,2% de mensagens negativas, 40,4% neutras e 12,4% positivas, muitas delas chamando o ex-governador de “traidor” pela aliança com Gilberto Kassab, indicado para sua vice.
Zema adota recuo
Em Minas Gerais, o cenário se inverteu. Influenciado pelo antropólogo Renato Pereira, Zema havia subido o tom contra Flávio após a divulgação de áudios em que o senador pedia recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. As críticas elevaram o engajamento do mineiro, mas provocaram reação de alas do Novo alinhadas ao PL no Sul do país.
Diante da pressão, o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, contratou o publicitário Sérgio Lima — responsável pelo digital de Jair Bolsonaro em 2022 — para reorientar a comunicação. Lima convenceu Zema a cessar os ataques ao senador e concentrar fogo no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ontem, o ex-governador mirou o tarifaço do governo petista.
O contrato de R$ 5,7 milhões de Renato Pereira com a pré-campanha de Zema termina nos próximos dias. Caso seja renovado até outubro, Pereira seguirá defendendo o confronto direto com Flávio; se não, a linha de moderação capitaneada por Lima deve prevalecer.

Imagem: CRISTIANO MARIZ
Recomendação cultural
Na mesma newsletter, o editor Thiago Prado indicou o documentário “A greve da seleção da França”, disponível na Netflix, que revisita a rebelião dos jogadores franceses contra o técnico Raymond Domenech na Copa do Mundo de 2010.
O filme relembra a classificação polêmica diante da Irlanda em 2009, o desgaste do treinador após a eliminação precoce na Eurocopa de 2008 e a crise que culminou na recusa do elenco em treinar, episódio que virou manchete do jornal L’Équipe.
Fim.
Com informações de O Globo
