PF vasculha gabinetes e endereços de Cezinha de Madureira, pastor-deputado ligado a Mendonça

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    Agentes da Polícia Federal cumpriram, na manhã desta segunda-feira, mandados de busca contra o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), pastor e uma das principais vozes da bancada evangélica no Congresso. A ofensiva faz parte da terceira fase da Operação Transparência, instaurada para apurar tráfico de influência em tribunais superiores e possíveis desvios de recursos oriundos de emendas parlamentares.

    A decisão que autorizou a diligência partiu do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O fato de Cezinha ser aliado próximo do ministro André Mendonça — igualmente alvo de atenções na Corte — adiciona tensão política ao caso, sobretudo porque o STF deve decidir, já nesta terça-feira, se abre investigação sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro.

    Mandados na terceira fase da Operação Transparência

    Tráfico de influência e emendas sob suspeita

    Os investigadores da Operação Transparência concentram-se em dois eixos. O primeiro mira negociações que teriam buscado interferir em processos examinados por tribunais superiores. O segundo vasculha supostos desvios em emendas parlamentares apresentadas pelo deputado. Embora a PF ainda mantenha sob sigilo detalhes dos valores e dos possíveis beneficiários, a ordem de busca indica que os indícios colhidos nas fases anteriores foram considerados robustos o suficiente para avançar sobre gabinetes, residências e templos ligados ao parlamentar.

    Flávio Dino determinou, ainda, o bloqueio de documentos e mídias que possam comprovar quem intermediou decisões judiciais ou coordenou o repasse de verbas públicas. O ministro listou “potencial dano ao erário” e “risco de destruição de provas” como justificativas para a medida cautelar.

    Trajetória política e religiosa

    Carlos César de Almeida, nome de batismo do deputado, adotou o sobrenome “Madureira” em referência à Assembleia de Deus Ministério Madureira, onde exerce o pastorado. No Estado de São Paulo, sua principal referência é o bispo Samuel Ferreira, uma das mais influentes lideranças do ramo.

    A carreira política começou na Assembleia Legislativa paulista, onde cumpriu mandato de 2015 a 2019. Em 2018, chegou à Câmara dos Deputados pelo PSD. Reeleito em 2022, obteve 143.434 votos. Neste ano, migrou para o PL, sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, consolidando a imagem de parlamentar bolsonarista e evangélico.

    Pontes com o Planalto: da era Bolsonaro ao governo Lula

    Mesmo fortemente identificado com Bolsonaro — a ponto de ser visto na garupa das “motociatas” promovidas pelo ex-presidente —, Cezinha manteve interlocução aberta com o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Logo nos primeiros meses do atual mandato presidencial, emissários do Planalto o procuraram para facilitar o diálogo com o eleitorado evangélico, setor cuja resistência a Lula é historicamente elevada.

    Essa capacidade de transitar entre campos políticos antagônicos decorre, em parte, da liderança que exerceu na Frente Parlamentar Evangélica, que presidiu em 2021. À época, articulou agendas com o Palácio do Planalto, mobilizou parlamentares em votações de interesse do Executivo e conquistou espaço na formulação de políticas voltadas a templos e entidades religiosas.

    Proximidade com André Mendonça e o empresário Vorcaro

    Cezinha foi um dos principais cabos eleitorais da indicação de André Mendonça ao STF. Circulou por gabinetes do Senado, apresentou o ex-advogado-geral da União a parlamentares reticentes e pediu votos casa a casa até a aprovação do nome.

    Mais tarde, o deputado viria a promover um encontro reservado entre Mendonça e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. O ministro confirmou oficialmente que a reunião ocorreu em março de 2025, na sede de um instituto do qual era sócio, em São Paulo. Segundo a assessoria de Mendonça, o diálogo se restringiu a créditos de precatórios de interesse do Banco Master e não mencionou a crise financeira que resultaria no fechamento da instituição.

    A ligação entre Cezinha e Mendonça — agora sob a lupa da Polícia Federal — tornou-se fator de pressão interna na Corte. Embora não pese acusação formal contra o ministro, a possibilidade de ramificações que alcancem seu gabinete paira sobre o plenário, justamente no momento em que será apreciada a abertura ou não de inquérito envolvendo Alexandre de Moraes.

    Repercussão no STF às vésperas de julgamento sensível

    A busca realizada contra um aliado tão próximo de Mendonça ocorre em clima de tensão institucional. Ministros temem que o caso alimente narrativas de interferência política dentro do tribunal. Nos bastidores, avalia-se que a Operação Transparência pode servir de munição para parlamentares que tentam fragilizar a imagem da Corte ou defender mudanças na legislação que regula sua atuação.

    A sessão desta terça-feira, que tratará da relação de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, tende a ser acompanhada com atenção redobrada. Parlamentares do PL e da oposição articulam discursos que vinculam a crise do Banco Master, o lobby de créditos de precatórios e a atuação de magistrados. Nesse tabuleiro, a figura de Cezinha aparece como peça de ligação: ele circula tanto no Congresso quanto em círculos religiosos e, agora, figure também nos relatórios da Polícia Federal.

    Até o início da noite de hoje, a defesa do deputado não havia se pronunciado publicamente. Internamente, correligionários tentam isolar o caso para evitar que a investigação contamine a já delicada relação entre a base evangélica e o Executivo. A despeito das articulações, o impacto político será aferido nos próximos dias, conforme a PF avance na análise do material apreendido.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.