A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro confessou a aliadas, no fim de semana, estar “aflita” com a carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto. O relato foi feito pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), próxima de Michelle, em conversa com O GLOBO.
Preocupação com regime domiciliar
Segundo Damares, Michelle teme que a divulgação do texto leve o Supremo Tribunal Federal (STF) a rever a prisão domiciliar humanitária concedida a Jair Bolsonaro em março. “Ela lutou muito por essa domiciliar porque sabe que ele não pode ficar preso em cela comum por causa da saúde”, afirmou a parlamentar.
Decisão de Moraes
Na sexta-feira (12), o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro não se comunique nem visite o pai pelos próximos 90 dias. A medida vale até o fim do primeiro turno das eleições presidenciais e foi tomada após o senador divulgar, em transmissão no YouTube, a carta de apoio assinada pelo ex-presidente.
Além do bloqueio de contato, Moraes deu 48 horas para a defesa de Jair Bolsonaro esclarecer se ele sabia da publicação do documento nas redes do filho. O caso também foi remetido ao procurador-geral eleitoral para apurar possível propaganda antecipada.
Queda de braço interna
Imagem: Evaristo Sá
A carta surgiu em meio a um embate por protagonismo político entre Michelle e Flávio. Em 24 de junho, a ex-primeira-dama divulgou vídeos nas redes em que acusa o senador de tratá-la com rispidez e desrespeito. A leitura pública do texto por Flávio, no sábado (13), foi vista como tentativa de reafirmar sua liderança dentro da campanha.
Críticas do PL
Coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) classificou a decisão de Moraes como “autoritária e desproporcional”. Para ele, o despacho torna Jair Bolsonaro “incomunicável” e representa interferência no processo político.
Mesmo sob vigilância redobrada, Michelle segue articulando para que, segundo aliados, “todas as medidas sejam cumpridas” e a prisão domiciliar do ex-presidente não seja revista.
Com informações de O GLOBO
